Última peça

Existe um pequeno curta de animação da produtora Mad House chamado "Death Billiards"que culminou em um anime de 12 episódios chamado "Death Parade". Tanto o curta quanto o anime são lindos, explêndidos, caracterizados pelo suspense psicológico. 

Logo que eu vi, ele me marcou; a música de abertura dançante e a catárse de sentimentos da música de encerramento. Lembro da frustração de sempre esperar uma semana para o próximo episódio e de rever e chorar sempre nas mesmas cenas.

Ambos são baseados em lendas sobre "o que acontece quando a gente morre?". Segundo essa versão, você para em um lugar parecido com um bar, onde o barman que te serve é um juiz e precisa escolher, secretamente, baseado na sua essência se sua alma é digna de reencarnar ou cair no vazio. Carregado extremos emocionais de personagens mortos julgados por um juiz aparentemente sem emoções; digo que é essencial a todo o psicólogo ver ambos, pois nada mais é do que análise de personagens no seu pior momento. Afinal, é na morte que descobrimos nossa essência? Quem, de fato, somos? Há teorias que dizem que sim.

Eu sei o que acontece durante a morte e sempre há duas versões: ou você aceita a vida que teve, mesmo com todas as mazelas e todas as alegrias ou você se apega à vida. Não há outra escolha. Os que desejam viver com afinco, ficam aqui até mesmo depois da própria morte e os que aceitam viram lembranças lindas. 

Contanto, por que não aceitar a morte? Ela é a última peça de nossas vidas, o último ato, pois a cortina se fechou para você. O que você vai levar da vida? O fim sempre é dramático, pois é um fim. Mas, será que a sua história merece um recomeço? Toda a vez que vejo de novo e de novo esse anime me pego perguntando isso. Perguntas filosóficas retóricas para tentar responder se eu mesma seria digna de pena. 

Entre tantos eus, não sei qual assumiria na hora de minha morte. Talvez, ninguém veja meu pior lado, apenas eu pense que o vi e o conheço. Talvez, eu não seja digna de pena por ser tão triste e contaminada que as pessoas estão cansadas de darem chance para alguém como eu. Talvez... Eu desperdicei minhas chances? Ainda consigo mudar? Será que sou mesmo a melhor versão de mim? Não... Mas tento. Será que vale tentar? Que isso vai me dar algum crédito no final, alguma felicidade ou esperança? Não sei. Talvez eu só descubra quando for a minha vez de observar a última peça.

Ana Luiza Pereira

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