Hoje, Domingo de Ramos, um domingo especial para nós, católicos, domingo que dá início ao martírio de Cristo que culminará em sua morte na cruz. Como liturgia, além de nos lembrar a sua entrada glorificada na Betânia, a liturgia vislumbra sua paixão. Como alguém que nasceu e foi criada dentro da Igreja, conheço as leituras de hoje de cor e consigo recitar a maior parte de cabeça. Contudo, não sei se pela idade ou pela época em que vivo, uma parte do Evangelho me chamou a atenção hoje e diz:
"Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se e disse: 'Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão em que si dirá: 'Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram'. Então começarão pedir às montanhas: 'Caí sobre nós!' e às colinas: 'Escondei-nos!' Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?" (Lucas 23, 27-31)
Esse pequeno trecho me levou a pensar em duas coisas muito atuais: primeiro, já estamos no tempo em que as mulheres não querem mais ter filhos, juntamente com o discurso presente na sociedade que elas são mais felizes e bem-aventuradas do que àquelas que escolheram ser mães; segundo, vivemos numa época que tanto as que escolhem ser mães quanto as que não escolhem são "apedrejadas" pelas suas escolhas.
Vocês podem dizer que eu estou "viajando", mas pense como uma mulher em idade fértil que está se preparando a ser mãe: É comum ouvir do mercado de trabalho que eu seria muito mais feliz se eu nunca ter filhos, pois os filhos me "atrasarão" e eu não conseguirei crescer em meu emprego fora de casa, pois há uma vida que dependerá financeira, mas principalmente, emocionalmente de mim e de minha presença. Enquanto isso, o trabalho que, também requere nossa presença 100% em corpo e espírito, nos diz que é impossível conciliar a vida do lar com a vida do trabalho, cabendo, então a escolha de ser ou não ser mãe.
Por tal motivo, está cada vez mais comum ouvir de mulheres, casadas ou não, em idades férteis, que elas não querem ter filhos, que sua felicidade está no trabalho, que elas não possuem ou não se veem tendo o tal do instinto materno e que querem se dedicar totalmente a seus trabalhos e seus sonhos. Respeito isso, mesmo que eu não seja assim.
Eu escolhi ser mãe em algum dia e deixo claro isso nos meus trabalhos, portanto ouço muitas críticas tentando me desmotivar de minhas escolhas. Da mesma forma, é comum ouvir das minhas amigas que escolhem e falam abertamente que não querem ser mães, falarem que recebem críticas pela sua escolha, que seriam mais felizes e realizadas parindo um filho.
Jesus acertou. É muito mais fácil pedir para que as montanhas caiam sobre nós e que as colinas nos escondam, pois é duro conviver a todo momento sendo criticadas. Olha o que fazem conosco? Deve ser por isso que Ele também nos fala para chorar por nós mesmas e por nossos filhos, pois está cada vez mais difícil ter filhos (pelas questões econômicas, casamentos que pouco duram etc) e está cada vez mais complexo ser mulher na sociedade moderna. Então, após todo esse devaneio, peço-vos, por favor, que respondam a indagação de Jesus: se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?
Ana Luiza Pereira