A noite estava escura, um verdadeiro breu. No céu não tinha estrelas e nem a lua para alumiar, apenas as luzes dos postes clareavam o meu caminho.
Já estava na minha rua. Minha casa estava logo ali à frente. Comecei a brincar comigo mesma enquanto andava reto, mochila à frente, sandália nos pés, relógio no pulso.
Na outra esquina saiu alguém, um homem vestindo casaco largo com uma listra verde claro grossa no meio de duas brancas, calça jeans claro, tênis escuro, cabelo castanho bagunçado e bigode no rosto. Nunca tinha visto aquele homem sem equilíbrio ao andar, mas ele me cheirava a perigo.
Tentei apertar meu passo, já estava no meio da rua para chegar em casa, mas acho que não saí do lugar. Via aquele homem vir em minha direção e o meu desespero aumentava. Ouvi um carro atrás de mim e fiz sinal para parar.
Graças a Deus, o golf prata parou. Era Zane, uma conhecida minha que dirigia, e dizia: "Entra rápido!". A porta detrás do banco do motorista, estava aberta e me joguei ali fechando logo a porta. Tinham mais duas ali, todas mulheres e todas conhecidas. Ela acelerou e ele também, mas ao perceber que me perderia ele puxou uma arma da calça e começou a atirar.
"Obrigada!" - dizia antes de acordar e ver rostos de anjos nas sombras. Será que morri? Olho para o lado e meus irmãos estavam ali dividindo o colchão comigo, respirando e vivos. Respiro aliviada. Ainda não morri, apenas sofri o susto da morte de alguém. E volto a dormir.
Ana Luiza Pereira
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