Vulcão

Sou um vulcão
Adormecido pelas friezas do dia-a-dia
Mas em constante perigo de erupção
de lava que lava a ferida

Sou constante raiva
Constante perda
Constante queda
Constante dádiva

Adormecer é meu mecanismo de não machucar
não sofrer
não ferir
não gerir
não perder
não chorar

A lava corrói dentro de mim querendo sair em forma de palavras
em forma de raiva
em forma de lágrimas
de forma incisiva

Mantenho-me quieta
parada
fechada
concreta

Por dentro há torpor
há ódio
há o decompor
de um choro melódico

Tudo isso é lava
vívida e remexida dentro do vulcão
Vulcão que sou eu
E o que sinto no meu coração

Ana Luiza Pereira

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