Carta à ex-amiga

Oi, você!

Eu não queria estar aqui escrevendo-lhe esta carta. Você escolheu isso. Você rompeu uma coisa linda, devastou e criou no lugar cactos espinhentos que me abraçam e me machucam. Dei-te a escolha de se retratar (mais de uma vez), de salvar essa coisa linda que tínhamos. Mas você foi rude, disse-me coisas que nunca pensei que sairiam de sua boca e o que mais de incomoda é o quanto você não tem ideia disso. 

Você se faz de santo, mas me magoou tão profundamente que hoje só vejo o demônio em você. Não falo isto diretamente, pois sei que sou covarde e que você novamente me atacaria sem ao menos tentar me entender. Não quero ser atacada, não quero mais brigas, mais remorso e rancor, já estou machucada demais com os que tenho.

Eu não quero mais te ver, não quero mais dirigir-lhe a palavra com você, nem quero pensar em você. As pessoas em minha volta já estão cansadas dessa história, dessa mágoa, pois eu estou incomodada e só tenho elas para me abrir. 

A verdade é que escrevo-lhe para dizer-te adeus. Colocar um ponto nessa história. Não me procure, não me escreva, não me olhe se me ver na rua, nem dirija-me a palavra. Espero, um dia, poder te perdoar, livrar-me deste peso que arranca o coração e admirar as flores do cacto que você plantou.

Siga seu caminho em paz que eu seguirei o meu,

Aquela que já foi sua grande amiga.

Ana Luiza Pereira