Não é culpa, são flores

Entenda:
Nem tudo é culpa.
Por exemplo:
Quando você faz uma boa ação,
capaz de influenciar o seu próximo a fazer o mesmo,
o que você carrega não é culpa,
mas sim uma pequena flor.
Uma flor a desabrochar nos seus braços.
Mas, cuidado!
Esta singela flor é capaz de murchar sem cuidados.
Motivação, bons pensamentos e bons exemplos.
Com isso, sua flor virará o mais belo jardim.

Ana Luiza Pereira

Carta ao pai omisso

"Querido Pai,

Sei que este não é esse o melhor modo, ou o modo certo nem o mais convencional para conversarmos, mas foi o único que encontrei. Se não tiveres com pouco tempo, então, ignore a carta, mas também eu recomendo que leia a mesma até o final para esclarecermos alguns fatos.

Conheço o teu jeito. Convivo contigo... Sei que és omisso. E, para falar a verdade, tal omissão me fez ter raiva de você por um curto período de tempo. Há alguns anos atrás, meu orgulho foi ferido por um pai presente de corpo (em determinados horários) e distante de alma. Eu queria um pai de verdade, que riria e brincaria comigo, que me contaria histórias sem que as pedisse... Então, eu entendi porque os valores familiares dos meus amiguinhos de escola eram de pais separados... Você nunca secou sequer minhas lágrimas! Na verdade, você nunca soube quando chorei e nem meus motivos por estar ocupado demais com o trabalho... Tive raiva, mas depois, entendi.

Sei que o que fazes é para o bem de sua família, mas, começo a pensar que seus valores de família estão um pouco deturpados. Você vive em torno do armazém e de meus avós! Tudo bem ajudá-los, mas você por muitas vezes deixou passar eventos que seriam importantes para mim e aos meus irmãos para estar lá de prontidão e servir de escravo de minha avó. Quando dou razão a minha mãe a esse assunto desagradável, não é para defendê-la, mas para que você saiba que estás sendo omisso: Armazém tem matado sua família. Se duvidas, então, revogo a leitura de Gênesis (a clássica leitura de casamentos): "...deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á a sua mulher e serão ambos uma só carne." (Gn 2,25) Ok, deixaste o lar de seus pais, mas parece que reconhece meus avós como família e prioridade, quando não vê a família que estás em casa, à sua espera, desmoronar com a sua negligencia. É a família que te espera no conforto de casa que deves honrar e tratar como prioridade, senão... Como queres que eu vos honre?

Sei que você sente quando eu e os meus irmãos damos respostas curtas ao seu raro interesse, mas essa barreira, você mesmo criou com o passar de todos esses anos. Venho chorado dia e noite, vendo tudo o que tem acontecido e ouvido tudo, inclusive seu "desejo" de morte e seu desgosto e venho me calado... Veja: a família que somos e éramos é apenas uma maquiagem que está sendo desgastada pelas lágrimas que você nem se importa em secar.

Se consideras mesmo meus avós como sua família e prioridade, volte para eles! Você é um pai ausente com a carteira presente e isso qualquer um pode ser... Mas se prezas mesmo a família que construiu com seu sangue e suor, abra seus olhos, seus ouvidos e sua boca. Veja o clima de tristeza e depressão que ronda a casa que habitas, veja as lágrimas que você não seca...

Essa carta mesmo é apenas um desabafo, já que você não escuta minhas palavras, mas gosta de avaliar meus textos... Eu só espero que após ela você venha conversar abertamente de pai para filha e que minha mãe não saiba dessa carta que está em vossas mãos. Eu te amo pai; lembre-se disso e volte para casa de corpo e espírito."

Ana Luiza Pereira
(22/03/2013 22:48)

Essa juventude...


Essa juventude desvairada,
vive sempre acordada,
pensando em mudar o mundo de madrugada.

Essa juventude revoltada,
que cobra e está sendo cobrada
por estar sempre acordada.

Essa juventude desesperada
que pensa no fim do mundo
é tudo que do fim se aproxima.

Essa juventude louca
que por tudo fica rouca,
perdendo a voz por ideais.

Essa juventude que pensa
e só pensa...
Mas não consegue se decidir no que quer.

Essa juventude moderna
que ri e se diverte,
sempre criando histórias para contar.

Essa juventude que faço parte,
que tenta fazer história em tudo que faz
e dizer no futuro orgulhosamente: "No meu tempo de jovem..."

Essa juventude... Esse espírito... Essa revolta...
Não deixe que o cotidiano te mate!
A juventude tem a força.

Ana Luiza Pereira

Mais uma sobre saudade

Todos os anos, nesta mesma data, eu escrevo.
Escrevo para suprir a saudade que sinto,
escrevo para não chorar.
Às vezes demora minutos, horas, outras demoram dias...
É difícil escrever quando lhe faltam palavras o suficiente para descrever.
Palavras não constroem corpos capazes de abraçar-nos nas noites geladas de inverno.
Na verdade, palavras só constrói passados.
Lembranças que se tornam distantes e sofríveis.
Lembranças que sorrimos e desejamos revivê-las.
Só as palavras e as lágrimas me restam.
Esta semana toda eu chorei pela falta de um corpo no meu leito,
de um beijo de boa noite, uma música de bom grado e um conselho de boa mãe.
Esta semana toda imaginei como seria se ainda pudesse conversar com esta pessoa que se foi.
Por mais que a minha mente tenha se esvaziado e se perdido no tempo,
meu corpo sente falta e chora.
Chora pela boa mãe que sabia de tudo e não contava nada...
Chora pelo exemplo de silêncio que se foi...
Como quero ser como ela!
Por mais que me restam palavras para descrever,
ainda tenho o exemplo na minha lembrança.
Este exemplo não se apaga, não se esvai...
A saudade vem e me remexe, mas ela passa...
e só ficará as boas coisas que essa boa mãe fez por minha grande família.

Ana Luiza Pereira

Opinião: protestos e a política atual

Vejo as pessoas manifestando suas opiniões quanto aos protestos, sinto-me na obrigação de cidadã brasileira fazer o mesmo:

Bato palma para quem vai às ruas lutar pelo os seus direitos, mas com objetivo de serem ouvidos. Os protestos atuais estão tomando proporções fora de controle. Com o objetivo inicial alcançado, os ideais dos protestos vêm se perdendo, tornando apenas uma bagunça e dando mais motivos para a mídia julgar o povo que sai para a rua em plena Copa das Confederações. E o vandalismo? Há duas hipóteses: ou são grupos infiltrados ou são grupos que querem combater a PM fogo com fogo. Então, pergunto: para quê? É respondendo essa pergunta que me indigna.

O brasileiro é o típico povo que só percebe a burrada que faz depois de tê-lo feito. Há anos atrás quando anunciaram onde seriam sediados os locais para a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, o brasileiro bateu palma, mesmo sabendo que teria que mudar quase toda a infraestrutura, construindo novos estádios e vilas olímpicas. Cadê a indignação do povo quando soube disso tudo há anos atrás? Ao invés disso, fizeram festa e soltaram fogos. Ainda assim, bato palmas para os que tiraram a venda dos olhos e lutam por uma causa, e não aos vândalos que depredam o patrimônio público, sabendo que é do nosso bolso que será restaurado.

É dizendo que apoio e bato palmas às pessoas que vão aos protestos, com uma causa, que alguns me perguntam o porquê, responderei aqui: que democracia é essa que vivemos? Vivemos num governo onde a "democracia" é apenas o nosso voto e não nossa voz. A própria Constituição Brasileira, por mais antiga e inadequada, em certos aspectos, que seja, diz: "O poder emana do povo", enquanto o povo engolia cada caso de corrupção governamental a seco, sem nada fazer, sem nada falar. É o povo que paga, através dos impostos e inflações absurdos, milhões para os deputados para eles lutarem por uma proposta como a do PEC-37. Vale a pena? Vivemos uma repressão quase que ditatorial, o governo cala nossas bocas abafando casos. A verdade é que vivemos numa sociedade onde a mídia é controlada e controladora, muitos engolem as histórias das mídias e, bem, os outros acordaram...

Aqueles que acordaram, vão às ruas, gritam com cartazes nas mãos e compartilham hashtags nas redes sociais, hashtags como #VemPraRua e o #OGiganteAcordou bombeiam as timelines dos twitter e do facebook e lembram muito a Primavera dos Povos. Contudo, sempre há pessoas para avacalhar, fazendo dos movimentos e ideais uma piada: vandalizando, roubando, espancando ou colocando dizeres que não tenham nada a ver em cartazes; só para serem filmados e aparecerem nas mídias. Por isso, digo que estamos vivendo um breve momento anárquico. Pense: o governo nos vira as costas e nada faz, apenas comanda a polícia repressora, assim como era na ditadura, enquanto isso, o povo "faz o que bem entende" nas ruas.

A verdade é que a anarquia que aprendemos nas aulas de história é completamente impossível, pois a ordem natural de uma sociedade sem governo é a autodestruição. O povo necessita de uma "ordem" preestabelecida, as pessoas precisam de um governo que rege leis para que elas consigam viver e sobreviver. Sem leis, é o instinto animal presente no ser humano que o moverá, gerando caos e confusão, como está tendo agora nos protestos. Admito ser adepta ao anarquismo, mas como sei que há diferenças drásticas entre a utopia e a realidade, sou adepta ao anarquismo que retira um governo autoritário do poder e instala a VERDADEIRA DEMOCRACIA, na qual, os ricos não mandam, mas o povo que busca ser ouvido.

Vivemos numa guerra de ideologias dicotômicas: de um lado o governo dos ricos ditadores que reprimem e, de outro, as pessoas anarquistas que gritam seus ideais. E, nos resta apenas escolher: sermos inertes ou qual lado devemos ser, mas não se esqueça que somos nós que fazemos a história, pois "Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades / O tempo não pára" (Cazuza).

Ana Luiza Pereira