Essa juventude...


Essa juventude desvairada,
vive sempre acordada,
pensando em mudar o mundo de madrugada.

Essa juventude revoltada,
que cobra e está sendo cobrada
por estar sempre acordada.

Essa juventude desesperada
que pensa no fim do mundo
é tudo que do fim se aproxima.

Essa juventude louca
que por tudo fica rouca,
perdendo a voz por ideais.

Essa juventude que pensa
e só pensa...
Mas não consegue se decidir no que quer.

Essa juventude moderna
que ri e se diverte,
sempre criando histórias para contar.

Essa juventude que faço parte,
que tenta fazer história em tudo que faz
e dizer no futuro orgulhosamente: "No meu tempo de jovem..."

Essa juventude... Esse espírito... Essa revolta...
Não deixe que o cotidiano te mate!
A juventude tem a força.

Ana Luiza Pereira

Mais uma sobre saudade

Todos os anos, nesta mesma data, eu escrevo.
Escrevo para suprir a saudade que sinto,
escrevo para não chorar.
Às vezes demora minutos, horas, outras demoram dias...
É difícil escrever quando lhe faltam palavras o suficiente para descrever.
Palavras não constroem corpos capazes de abraçar-nos nas noites geladas de inverno.
Na verdade, palavras só constrói passados.
Lembranças que se tornam distantes e sofríveis.
Lembranças que sorrimos e desejamos revivê-las.
Só as palavras e as lágrimas me restam.
Esta semana toda eu chorei pela falta de um corpo no meu leito,
de um beijo de boa noite, uma música de bom grado e um conselho de boa mãe.
Esta semana toda imaginei como seria se ainda pudesse conversar com esta pessoa que se foi.
Por mais que a minha mente tenha se esvaziado e se perdido no tempo,
meu corpo sente falta e chora.
Chora pela boa mãe que sabia de tudo e não contava nada...
Chora pelo exemplo de silêncio que se foi...
Como quero ser como ela!
Por mais que me restam palavras para descrever,
ainda tenho o exemplo na minha lembrança.
Este exemplo não se apaga, não se esvai...
A saudade vem e me remexe, mas ela passa...
e só ficará as boas coisas que essa boa mãe fez por minha grande família.

Ana Luiza Pereira

Opinião: protestos e a política atual

Vejo as pessoas manifestando suas opiniões quanto aos protestos, sinto-me na obrigação de cidadã brasileira fazer o mesmo:

Bato palma para quem vai às ruas lutar pelo os seus direitos, mas com objetivo de serem ouvidos. Os protestos atuais estão tomando proporções fora de controle. Com o objetivo inicial alcançado, os ideais dos protestos vêm se perdendo, tornando apenas uma bagunça e dando mais motivos para a mídia julgar o povo que sai para a rua em plena Copa das Confederações. E o vandalismo? Há duas hipóteses: ou são grupos infiltrados ou são grupos que querem combater a PM fogo com fogo. Então, pergunto: para quê? É respondendo essa pergunta que me indigna.

O brasileiro é o típico povo que só percebe a burrada que faz depois de tê-lo feito. Há anos atrás quando anunciaram onde seriam sediados os locais para a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, o brasileiro bateu palma, mesmo sabendo que teria que mudar quase toda a infraestrutura, construindo novos estádios e vilas olímpicas. Cadê a indignação do povo quando soube disso tudo há anos atrás? Ao invés disso, fizeram festa e soltaram fogos. Ainda assim, bato palmas para os que tiraram a venda dos olhos e lutam por uma causa, e não aos vândalos que depredam o patrimônio público, sabendo que é do nosso bolso que será restaurado.

É dizendo que apoio e bato palmas às pessoas que vão aos protestos, com uma causa, que alguns me perguntam o porquê, responderei aqui: que democracia é essa que vivemos? Vivemos num governo onde a "democracia" é apenas o nosso voto e não nossa voz. A própria Constituição Brasileira, por mais antiga e inadequada, em certos aspectos, que seja, diz: "O poder emana do povo", enquanto o povo engolia cada caso de corrupção governamental a seco, sem nada fazer, sem nada falar. É o povo que paga, através dos impostos e inflações absurdos, milhões para os deputados para eles lutarem por uma proposta como a do PEC-37. Vale a pena? Vivemos uma repressão quase que ditatorial, o governo cala nossas bocas abafando casos. A verdade é que vivemos numa sociedade onde a mídia é controlada e controladora, muitos engolem as histórias das mídias e, bem, os outros acordaram...

Aqueles que acordaram, vão às ruas, gritam com cartazes nas mãos e compartilham hashtags nas redes sociais, hashtags como #VemPraRua e o #OGiganteAcordou bombeiam as timelines dos twitter e do facebook e lembram muito a Primavera dos Povos. Contudo, sempre há pessoas para avacalhar, fazendo dos movimentos e ideais uma piada: vandalizando, roubando, espancando ou colocando dizeres que não tenham nada a ver em cartazes; só para serem filmados e aparecerem nas mídias. Por isso, digo que estamos vivendo um breve momento anárquico. Pense: o governo nos vira as costas e nada faz, apenas comanda a polícia repressora, assim como era na ditadura, enquanto isso, o povo "faz o que bem entende" nas ruas.

A verdade é que a anarquia que aprendemos nas aulas de história é completamente impossível, pois a ordem natural de uma sociedade sem governo é a autodestruição. O povo necessita de uma "ordem" preestabelecida, as pessoas precisam de um governo que rege leis para que elas consigam viver e sobreviver. Sem leis, é o instinto animal presente no ser humano que o moverá, gerando caos e confusão, como está tendo agora nos protestos. Admito ser adepta ao anarquismo, mas como sei que há diferenças drásticas entre a utopia e a realidade, sou adepta ao anarquismo que retira um governo autoritário do poder e instala a VERDADEIRA DEMOCRACIA, na qual, os ricos não mandam, mas o povo que busca ser ouvido.

Vivemos numa guerra de ideologias dicotômicas: de um lado o governo dos ricos ditadores que reprimem e, de outro, as pessoas anarquistas que gritam seus ideais. E, nos resta apenas escolher: sermos inertes ou qual lado devemos ser, mas não se esqueça que somos nós que fazemos a história, pois "Eu vejo o futuro repetir o passado / Eu vejo um museu de grandes novidades / O tempo não pára" (Cazuza).

Ana Luiza Pereira

Época de revolução

Saúdo à minha pátria que finalmente acordou o gigante há muito adormecido.
Saúdo essa gente que levantam vozes e cartazes para que ouçam suas opiniões valerem.
Saúdo o povo que lembrou-nos que os filhos desta terra não são covardes, como está no hino nacional.
Saúdo as pessoas que lutam pela liberdade.
Saúdo à todos que mostram que é possível trazer mudanças ao sermos pacíficos e rebeldes.
Saúdo aos que estão à frente!
Mas também eu vaio.
Vaio à mídia que manipula, não explica as razões do povo e só mostra o que dá IBOPE.
Vaio o Governo que não abre os olhos e não preza pelo povo que o elegeu.
Vaio aos que criticam sem conhecer as razões e a situação em que nossa gente se encontra.
Vaio aos que reprimem, seja por ordens ou não.
Minha boca se abre; e eu saúdo meu povo e vaio meu Governo.

Vivemos num governo democrático, em que o povo devia estar no poder.
Estamos assumindo agora!
Pode dar licença, Governo Vão, para que possamos passar e deixar nosso recado?
Ou prefere tapar os buracos de nossa deficiência e voltar a dormir nas poltronas de estádios?
Acorde, querido Governo, antes que ponhamos abaixo!
Está na hora de ouvir e não mais de falar lorotas em meias horas televisivas nos finais de semana.
Deixe o povo revolucionário passar e falar, mas aja!
Sua falta de ação futura será sua maior derrota...
Acorde, Brasil! Seu povo já acordou...

Ana Luiza Pereira

Ele vs. Ela (XII)

Ele: Admita que você está apaixonada por mim! risos

Ela: Como posso admitir tal injúria que apontas para amim, caro amigo? Admito sim, te amar e estar de sentinela quando me pedires um zelo, abraço, afago ou outrem. Mas paixão não habita mais este corpo que a Deus tento entregar todos os dias, apenas encantamento. Encanto pela vida e o que há de mais valioso nela, encanto por minha família e amigos. Se chamas isso de paixão, é o seu conceito e a sua verdade, mas saiba que de mim o sentimento é bem mais singelo.

Ana Luiza Pereira