In my tear

 I see the blood in my hands
I see the blame in my soul
I see my fist fighting
The war that I never will

I could be the same
I could be cold
But I choice be another one
Changing my mode

The voices of my pride screams
My sadness and my darkness means
My solitude is not the only
(Something inside of me is note the only)
My angry is not the only
(My feelings is not the only)

I could be the same
I could be cold
But I choice be another one
Changing my mode

The light of stars are shining
Someone call
Who is my tourniquet?
God, please, bless me.
Every souls are lonely
Who is my tourniquet?

I could be the same
I could be cold
But I choice be another one
Changing my mode

Someone save me from my own darkness
How could I say thank you?
In my own darkness
Happiness never existed

Ana Luiza Pereira
Feito no dia 12 de junho de 2012.

Meu primeiro emprego

           A verdade é que não faz muito tempo que chorei. Chorei pensando que não haveria um futuro reservado a mim. "Ora, logo você? Sempre tão otimista e pensando isso?" - diriam. Sim. Também sou passível a ter meus momentos ruins e ter pensamentos tolos, sou tão humana quanto qualquer um. Pensei que o que consideram "sucesso" (ter um emprego e ser boa no que faz) não seria para mim. Perguntei até para meu noivo, mas ele não sabia responder, só me consolar e pedir que eu tivesse esperança. Dormi chorando durante a madrugada, desolada o bastante por não possuir as respostas. Dormi após uma longa conversa com o Deus de amor no qual acredito, pedindo-lhe que me desse paciência e juízo para esperar por esse "sucesso".

        Parece que foi providência... No dia seguinte, um conhecido, o qual eu trabalhei junto, me perguntou se poderia me indicar para uma vaga, agradeci-lhe respondendo que sim. Contudo, minha esperança durante a quarentena foi drenada, sentia estar pisando em ovos que se quebrariam se eu parasse. Em menos de dez minutos recebi uma ligação de uma diretora de escola, após, uma mensagem da coordenadora pedagógica desta mesma escola. Tinha uma entrevista! Em dois dias teria que levar meu currículo com um uma aula preparada para a entrevista.

          Foram dois dias incomuns: oscilava entre a excitação e a ansiedade. Minha primeira entrevista depois de séculos de quarentena! Já estava feliz o bastante por estar com uma entrevista, mas não queria de verdade ter minha esperança sugada pelo "não", então "não crie expectativas" - é a primeira regra. Mas já era! Já havia criado expectativas e planejamentos. Estudei com afinco para passar na prova-aula. O tema não era desconhecido: redação para o ensino médio. Agradeci muito por ter feito estágio com isso e ter livros que me ajudam nesse tipo de preparação. Aula preparada, plano de aula também - faltava ministrá-la.

            Como a entrevista seria na escola e a escola fica a uma distância média de 30 km de minha casa e a condução de manhã cedo é lotada, estamos em época de pandemia e isolamento, minha família inteira se mobilizou: meu pai me ofereceu levar e queria aproveitar para passear com a minha mãe e minha sobrinha de chaveirinho. Fomos. Estava nervosa, tremia que nem vara verde, mas engoli o nervosismo na espera. Cheguei uma hora antes do marcado, mas nada muito além e nem aquém. Rezei durante o trajeto inteiro para me acalmar, mas ainda tremia de nervoso: primeira aula em meses, normal ficar nervosa. Chegando, conheci a diretora que me entregou uma prova e uma redação de estilo e tema livres, escrevi sobre as qualidades do bom professor. A prova tinha apenas cinco questões, quatro eram objetivas, eram muito básicas para quem se acostumou a dar questões assim para preparatório de concurso. Mas ainda faltava a aula...

            Devia esperar a coordenadora para dar a aula e saber se eu estaria ou não dentro partindo do tom de sua resposta. Eram quase 10 horas quando ela chegou, nos apresentamos e conversamos. Mostrei-lhe meu currículo e contei onde morava e o que fazia. demorou um pouco antes do início da aula, mas quando comecei, desembestei a falar. Não conseguia perceber que o computador o qual apresentava possuía tecla para "youtube" logo embaixo da seta para o lado direito, apertava-o quase sempre sem querer por não ter o costume. No meio da aula, ela falou: você está dentro. E contou também algumas outras coisas que influirão no meu trabalho ali. Por conta disso, não dei a aula toda, mas mostrei o que ela mais queria saber sobre o tema. "Esta é a sua aula da semana que vem..." - disse a coordenadora a mim. Controlei-me para não gritar e nem pular e apenas respondi um "Ok". 

            Saindo da sala, ela começou a apresentar-me como a futura colega de trabalho de todos que via, conversou com a diretora e se despediu. A diretora conversou comigo sobre questões formais, pegou certos dados e me passou alguns. Saí do colégio com um sorriso enorme por baixo da máscara. Entrei no carro que meus pais me esperavam gritando "CONSEGUI MEU PRIMEIRO EMPREGO" e todos comemoravam. Contei a todos: noivo, irmãos, amigos... Finalmente saí da inércia. Queria chorar, dessa vez, de alegria! Não chorei, poderia manchar a maquiagem e minha blusa... Pedi uma comemoração e fomos almoçar fora. À tarde, dormi o sono dos justos, um sono que eu não tinha há muito tempo. O que eu quis dizer nessa história? É que mesmo quando se perde a esperança, ela não se perde de você.

Ana Luiza Pereira

Sobre a satisfação da escrita


Nada se compara quando temos um grande amigo, não é mesmo? Poder contar com ele nos grandes momentos, sejam eles bons ou maus. Nada se compara em conseguir colocar para fora o que te sufoca, tudo o que sente em lágrimas e palavras... Nada se compara à sensação de compartilhar sua dor.


Por muito tempo tive o papel e a caneta como amigas íntimas nos meus piores dias, e nos meus melhores também. Nem sempre tinha coragem de expor a fraqueza que minhas lágrimas significavam a alguém, até mesmo meus melhores amigos. Chorava baixinho no canto do quarto enquanto desbravava a grandeza da minha miséria.

A tecnologia chegou e troquei o simples papel e caneta pela tela de um computador e um teclado. A sensação continua a mesma. Desbravar a grandeza do ser e da dor ainda é importante para mim. Compartilho, hoje, um pouco e mim em cada texto que publico ou que compartilho, mesmo quando não sou eu que os escrevo. 

Por que estou escrevendo o óbvio? Não sei. Queria compartilhar mais uma vez como é satisfatório para mim sentar e escrever o que me vem à cabeça. E mais satisfatório ainda quando leem, e mais ainda quando se identificam, pois significa que não estou só e que juntos somos mais fortes do que qualquer dor que nos abale.

Ana Luiza Pereira 

Estamos juntos nessa

Muitas vezes eu sonho que tenho uma arma e atiro com ela diversas vezes em pessoas ou sentimentos. Vejo-os morrer sangrando na minha frente enquanto o mundo se torna caos.

A realidade é diferente: eu travo defronte do perigo e dos problemas. Julgo que sou pequena demais e incapaz de resolver tudo sozinha. Odeio tomar a frente, sou péssima líder por não lutar minhas próprias batalhas, mesmo quando quero.

Mas aí encontro você: meu refúgio no caos. Minha mente se acalma do seu lado. Quando você segura minha mão, sei que sou capaz de seguir em frente nas minhas batalhas. As travas que existiam e me incapacitavam não existem mais e dou passos, curtos como os de um bebê, ao encontro da vitória. Não sinto medo, pois sua presença elimina qualquer bicho-papão que vive em minha cabeça. "Estamos juntos nessa..." E estaremos juntos em qualquer outra situação que a vida possa nos levar até que o infinito dos nossos segundos acabe.

Ana Luiza Pereira
Texto feito no dia 25/05/2020 para o Dia dos namorados desse ano.

Saúde

Saúde.
A palavra do momento.
Carregada de tantos adjetivos
que a caracterizam e a especificam:
Mental, física, pública...

Contudo, o que é saúde?
Pergunta que muitos se fazem e poucos respondem.
Os sábios dirão que é riqueza,
uma das poucas que o ser humano possui.
Como podemos desejar um "feliz aniversário" a alguém
sem desejar-lhe "saúde"?

Engraçado...
Se saúde é riqueza, hoje é uma das mais caras.
No tempo dos meus avós,
saúde era medida pela robustez de seu corpo
e pelo rubor de sua pele.
Hoje, como tudo na sociedade capitalista,
saúde é medida pela nossa carteira:
O bom plano de saúde;
A boa academia com sua rotina de exercícios;
A boa nutricionista com sua educação alimentar...

Mas saúde não é isto,
nem aquilo.
A verdadeira definição de saúde
está além do significado de "estar bem",
pois nem a esta pergunta o ser humano consegue responder de verdade.
Você está bem quando não há leitos nos hospitais para seus parentes e amigos?
Você está bem quando alguém morre por negligência?
Você está bem quando os médicos estão saturados de trabalho e não conseguem te dar a atenção devida em seu atendimento?
...
Você está bem?
Se você consegue responder sim, então você não está bem.
Você ignora seus sentimentos e a saúde das pessoas ao seu redor
- Isto não é saudável.

Saudável.
Saudável é ter saúde acessível a todos,
ter leitos e bons profissionais,
é saber quando o errado nos atinge e se revoltar, lutando pelo o que é justo junto.
Saúde é um bem
que não devia ser comprado
mas compartilhado
pela e na sociedade.

Ana Luiza Pereira