Vulcão

Sou um vulcão
Adormecido pelas friezas do dia-a-dia
Mas em constante perigo de erupção
de lava que lava a ferida

Sou constante raiva
Constante perda
Constante queda
Constante dádiva

Adormecer é meu mecanismo de não machucar
não sofrer
não ferir
não gerir
não perder
não chorar

A lava corrói dentro de mim querendo sair em forma de palavras
em forma de raiva
em forma de lágrimas
de forma incisiva

Mantenho-me quieta
parada
fechada
concreta

Por dentro há torpor
há ódio
há o decompor
de um choro melódico

Tudo isso é lava
vívida e remexida dentro do vulcão
Vulcão que sou eu
E o que sinto no meu coração

Ana Luiza Pereira

Conto dos irmãos

Era uma vez, três filhos de um mesmo pai e uma mesma mãe, cujas características de cada eram bem particulares:

A primogênita era uma amazona, guerreira cunhada no fogo e brasa no código das amazonas que perdeu sua cabeça e coração para um humano qualquer que a fez sofrer.

O segundo, o líder, cuja liderança jamais exerceu. Escondia-se na decisão de outrém e hoje tem dificuldades de liderar seus filhos.

A terceira, a sábia. Pouco se sabe sobre ela, mas dizem que aprendeu com seus irmãos o que deve ou não fazer. Contam as lendas que sua sabedoria é acompanhada de uma língua afiada e sincera, capaz de fazer chorar quem não souber ouvir a verdade.

Mesmo sendo irmãos, cada um tinha sua própria história, seu próprio caminho seguido:

A amazona, maior guerreira que esta cidade já viu, não soube vencer suas próprias batalhas interiores e particulares. Apaixonou-se por um homem comum e a sua inflência o transformou em um grande cavaleiro em batalhas. Contudo, um homem não é um cavaleiro enquanto não seguir o código de cavalaria, tornando-se apenas um arsenal humano. Por não seguir nenhuma vez o código, o coração da amazona se despedaçou.

O líder sempre teve seus instintos. Suas ações falavam mais que as palavras de incentivo que pronunciava. Contudo, tudo desmoronou quando pregava aquilo que não praticava; a verdade veio à tona e tudo o que restou ao líder foi a decisão de fazer a coisa certa. Desde então, uma parte de quem ele foi ainda vive e briga, de vez em quando, com a parte que se esconde na liderança de outrém.

A sábia, por sua vez, é eremita. Sabe da dor que pode causar e guarda muito para si. Reclusa em seu mundo, ela chora pela dor de guardar aquilo que a faz mal, mas se sentiria pior em ver que fez outros sofrerem pela verdade até então não dita. Não sabe controlar o tom de sua voz e nem a agressividade da sua língua, por isso, é sempre mal-interpretada. Prefere sempre a reclusão e a dor que a própria verdade dita e escancarada, mesmo sabendo das consequências que teria para si.

(Esta história ainda não tem um final claro, então a partir daqui serão suposições de uma autora em delírio de escrita:)

Mesmo com todas as diferenças e com todos os tabus, os irmãos ainda continuam unidos e continuarão mesmo com todas as falhas. Brigas? Sempre. Quais irmãos não brigam ao discordar com o outro? Mas o amor prevalece apesar da dor de cada um. As histórias podem ser diferentes, mas culminam no final do "e foram felizes para sempre", juntos, como irmãos.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

Apagão

Um dia ensolarado do final do mês de maio. Um dia qualquer até que, de repente, uma sombra cobriu os céus e o que era calor se tornou frio.

Pessoas que estavam na rua, entraram em casa para trocar suas regatas e pegar seus casacos. Não entendiam como o tempo havia mudado, apenas o fizeram para passar mais um tempo na rua.

Obviamente, havia aquelas pessoa que, ao virar o tempo, pegaram os seus edredons e ficaram na sala de suas casas para ver filme. Cada um por si e tudo na mais santa paz.

De repente, um estrondo se ouviu não se sabe de onde e tudo se apagou. Sem luz, as pessoas que estavam em seus casulos de edredom tiveram que sair forçadamente em busca de luz. Enquanto isso, as pessoas nas ruas se aglomeraram com medo do frio e da escuridão. Em pouco tempo, se estabelece a comunicação.

A comunicação interpessoal há muito tempo esquecida e substituída por tecnologia. Engraçado como foi necessário ter medo do frio e do escuro para que houvesse comunicação. O medo é, de fato, o maior motivador de todos tanto para que façamos algo quanto para nos refugiarmos em crisálidas humanas. E, então, quem você seria nesse apagão?

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

...

Dumbledore me ensinou a nunca ter pena dos mortos, mas dos vivos.
Mas, o que acontece quando você não deixa os mortos irem?
Ou quando você vive num paradoxo?
"Você não tem motivos para estar assim."
É, eu não tenho.
Mas não sou um ser racional para ter motivos plausíveis.
Vivo num paradoxo constante 
de querer me livrar do meu drama 
quando isso machuca ou preocupa demais alguém
e, ao mesmo tempo, não conseguir.
Porque é meu,
Porque sou eu:
A pessoa mais impulsiva e ignorante que conheço.
A rastejante que quer atenção, mas se fecha quando tem atenção demais.
O que eu quero?
Quero me resolver e parar de chorar.
Sentir menos de mim.
Quero agir e não só por impulso.
Mas esses são desejos de quem?
Sigo ferida e machucada sem saber o que ou quem me feriu.
Não quero falar disso, mas quero que passe logo,
porque eu ainda desejo ser feliz.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

O colapso do meu corpo

Meu corpo tem desejo
Desejo de por para fora tudo que minha mente guarda
Minha mente tão consciente guarda no meu coração toda a raiva e dor que meu corpo expele
Meu corpo grita
Meu corpo chora
Meu corpo tão instintivamente primitivo adoece e se cura num ciclo vicioso
Apenas para passar raiva novamente
Minha mente guarda, mas meu corpo fala
Não consigo guardar segredos assim
Meu corpo deseja se sentir bem, calmo e em paz, enquanto a mente guerreia com ela mesma
São duas entidades que almejam coisas diferentes
Equilíbrio não há
É tão tênue a linha que não consigo distinguir
Qual darei ouvidos?
Estou em colapso
Sou um colapso que vive e me arruína
Sou a tenicidade, a linha da loucura
Posso simplesmente gritar com você porque me olhou de forma errada, quem sabe?
Só sei que sou capaz, mas...
Sinceramente?
Nem eu mesma sei o que vou decidir agora
Talvez apenas sentir o colapso do meu corpo

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.