Era uma vez, três filhos de um mesmo pai e uma mesma mãe, cujas características de cada eram bem particulares:
A primogênita era uma amazona, guerreira cunhada no fogo e brasa no código das amazonas que perdeu sua cabeça e coração para um humano qualquer que a fez sofrer.
O segundo, o líder, cuja liderança jamais exerceu. Escondia-se na decisão de outrém e hoje tem dificuldades de liderar seus filhos.
A terceira, a sábia. Pouco se sabe sobre ela, mas dizem que aprendeu com seus irmãos o que deve ou não fazer. Contam as lendas que sua sabedoria é acompanhada de uma língua afiada e sincera, capaz de fazer chorar quem não souber ouvir a verdade.
Mesmo sendo irmãos, cada um tinha sua própria história, seu próprio caminho seguido:
A amazona, maior guerreira que esta cidade já viu, não soube vencer suas próprias batalhas interiores e particulares. Apaixonou-se por um homem comum e a sua inflência o transformou em um grande cavaleiro em batalhas. Contudo, um homem não é um cavaleiro enquanto não seguir o código de cavalaria, tornando-se apenas um arsenal humano. Por não seguir nenhuma vez o código, o coração da amazona se despedaçou.
O líder sempre teve seus instintos. Suas ações falavam mais que as palavras de incentivo que pronunciava. Contudo, tudo desmoronou quando pregava aquilo que não praticava; a verdade veio à tona e tudo o que restou ao líder foi a decisão de fazer a coisa certa. Desde então, uma parte de quem ele foi ainda vive e briga, de vez em quando, com a parte que se esconde na liderança de outrém.
A sábia, por sua vez, é eremita. Sabe da dor que pode causar e guarda muito para si. Reclusa em seu mundo, ela chora pela dor de guardar aquilo que a faz mal, mas se sentiria pior em ver que fez outros sofrerem pela verdade até então não dita. Não sabe controlar o tom de sua voz e nem a agressividade da sua língua, por isso, é sempre mal-interpretada. Prefere sempre a reclusão e a dor que a própria verdade dita e escancarada, mesmo sabendo das consequências que teria para si.
(Esta história ainda não tem um final claro, então a partir daqui serão suposições de uma autora em delírio de escrita:)
Mesmo com todas as diferenças e com todos os tabus, os irmãos ainda continuam unidos e continuarão mesmo com todas as falhas. Brigas? Sempre. Quais irmãos não brigam ao discordar com o outro? Mas o amor prevalece apesar da dor de cada um. As histórias podem ser diferentes, mas culminam no final do "e foram felizes para sempre", juntos, como irmãos.
Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.