Apagão

Um dia ensolarado do final do mês de maio. Um dia qualquer até que, de repente, uma sombra cobriu os céus e o que era calor se tornou frio.

Pessoas que estavam na rua, entraram em casa para trocar suas regatas e pegar seus casacos. Não entendiam como o tempo havia mudado, apenas o fizeram para passar mais um tempo na rua.

Obviamente, havia aquelas pessoa que, ao virar o tempo, pegaram os seus edredons e ficaram na sala de suas casas para ver filme. Cada um por si e tudo na mais santa paz.

De repente, um estrondo se ouviu não se sabe de onde e tudo se apagou. Sem luz, as pessoas que estavam em seus casulos de edredom tiveram que sair forçadamente em busca de luz. Enquanto isso, as pessoas nas ruas se aglomeraram com medo do frio e da escuridão. Em pouco tempo, se estabelece a comunicação.

A comunicação interpessoal há muito tempo esquecida e substituída por tecnologia. Engraçado como foi necessário ter medo do frio e do escuro para que houvesse comunicação. O medo é, de fato, o maior motivador de todos tanto para que façamos algo quanto para nos refugiarmos em crisálidas humanas. E, então, quem você seria nesse apagão?

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

...

Dumbledore me ensinou a nunca ter pena dos mortos, mas dos vivos.
Mas, o que acontece quando você não deixa os mortos irem?
Ou quando você vive num paradoxo?
"Você não tem motivos para estar assim."
É, eu não tenho.
Mas não sou um ser racional para ter motivos plausíveis.
Vivo num paradoxo constante 
de querer me livrar do meu drama 
quando isso machuca ou preocupa demais alguém
e, ao mesmo tempo, não conseguir.
Porque é meu,
Porque sou eu:
A pessoa mais impulsiva e ignorante que conheço.
A rastejante que quer atenção, mas se fecha quando tem atenção demais.
O que eu quero?
Quero me resolver e parar de chorar.
Sentir menos de mim.
Quero agir e não só por impulso.
Mas esses são desejos de quem?
Sigo ferida e machucada sem saber o que ou quem me feriu.
Não quero falar disso, mas quero que passe logo,
porque eu ainda desejo ser feliz.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

O colapso do meu corpo

Meu corpo tem desejo
Desejo de por para fora tudo que minha mente guarda
Minha mente tão consciente guarda no meu coração toda a raiva e dor que meu corpo expele
Meu corpo grita
Meu corpo chora
Meu corpo tão instintivamente primitivo adoece e se cura num ciclo vicioso
Apenas para passar raiva novamente
Minha mente guarda, mas meu corpo fala
Não consigo guardar segredos assim
Meu corpo deseja se sentir bem, calmo e em paz, enquanto a mente guerreia com ela mesma
São duas entidades que almejam coisas diferentes
Equilíbrio não há
É tão tênue a linha que não consigo distinguir
Qual darei ouvidos?
Estou em colapso
Sou um colapso que vive e me arruína
Sou a tenicidade, a linha da loucura
Posso simplesmente gritar com você porque me olhou de forma errada, quem sabe?
Só sei que sou capaz, mas...
Sinceramente?
Nem eu mesma sei o que vou decidir agora
Talvez apenas sentir o colapso do meu corpo

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

Consciência

A consciência não tem me "estragado".
Vendo hoje coisas sobre mim e o que sinto, percebi:
Escreve aquele que tem desejo de conexão.

O tempo me fez perceber que eu nunca estive só,
Estou rodeada de conexões como um átomo tem prótons, nêutrons e elétrons.
Então, por que sinto?

Sentir demais afeta as conexões.
Acha que eu não sei que tenho uma mãe que reza o terço baixinho pensando na razão que me fez chorar baixinho enquanto dormia?
Um namorado que deseja muito saber e entender o que sinto sento que não há motivos para isso?

O tempo me envelhece e me dá a consciência que preciso de ajuda.
Sou jovem demais para desistir da felicidade que me foi reservada.
Tenho consciência para ir lutar.

Consciência que não tinha,
Que negava e que se culpava por não lutar.
Essa é quem fui.

Outro ensinamento que o tempo me deu: o sucesso não define quem você é, apenas o fracasso.
Você segue em frente depois de um sucesso, porque ele não tem nada a oferecer além da glória.
O fracasso é a sua queda, é o ensinamento que te molda para a glória e, então, você seguirá em frente.

Estou curtindo meu fracasso agora.
Procuro nele o ensinamento que ele tem para me oferecer.
E, um dia, saborearei novamente a glória de um sucesso.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito em algum momento do ano passado.

Última peça

Existe um pequeno curta de animação da produtora Mad House chamado "Death Billiards"que culminou em um anime de 12 episódios chamado "Death Parade". Tanto o curta quanto o anime são lindos, explêndidos, caracterizados pelo suspense psicológico. 

Logo que eu vi, ele me marcou; a música de abertura dançante e a catárse de sentimentos da música de encerramento. Lembro da frustração de sempre esperar uma semana para o próximo episódio e de rever e chorar sempre nas mesmas cenas.

Ambos são baseados em lendas sobre "o que acontece quando a gente morre?". Segundo essa versão, você para em um lugar parecido com um bar, onde o barman que te serve é um juiz e precisa escolher, secretamente, baseado na sua essência se sua alma é digna de reencarnar ou cair no vazio. Carregado extremos emocionais de personagens mortos julgados por um juiz aparentemente sem emoções; digo que é essencial a todo o psicólogo ver ambos, pois nada mais é do que análise de personagens no seu pior momento. Afinal, é na morte que descobrimos nossa essência? Quem, de fato, somos? Há teorias que dizem que sim.

Eu sei o que acontece durante a morte e sempre há duas versões: ou você aceita a vida que teve, mesmo com todas as mazelas e todas as alegrias ou você se apega à vida. Não há outra escolha. Os que desejam viver com afinco, ficam aqui até mesmo depois da própria morte e os que aceitam viram lembranças lindas. 

Contanto, por que não aceitar a morte? Ela é a última peça de nossas vidas, o último ato, pois a cortina se fechou para você. O que você vai levar da vida? O fim sempre é dramático, pois é um fim. Mas, será que a sua história merece um recomeço? Toda a vez que vejo de novo e de novo esse anime me pego perguntando isso. Perguntas filosóficas retóricas para tentar responder se eu mesma seria digna de pena. 

Entre tantos eus, não sei qual assumiria na hora de minha morte. Talvez, ninguém veja meu pior lado, apenas eu pense que o vi e o conheço. Talvez, eu não seja digna de pena por ser tão triste e contaminada que as pessoas estão cansadas de darem chance para alguém como eu. Talvez... Eu desperdicei minhas chances? Ainda consigo mudar? Será que sou mesmo a melhor versão de mim? Não... Mas tento. Será que vale tentar? Que isso vai me dar algum crédito no final, alguma felicidade ou esperança? Não sei. Talvez eu só descubra quando for a minha vez de observar a última peça.

Ana Luiza Pereira