Boas-vindas novamente, velha amiga!
Quanto tempo faz? Ultimamente você só tem passado por mim e ido embora. Deixa seu rastro de raiva, (auto)destruição e solidão profunda em sua passagem e eu sinto, como um cordeiro manso recebendo pauladas do abate.
Fazia tempos que você não me puxa pelo pé, afundando-me na areia movediça dos meus piores sentimentos. Fazia tempo que não escrevia sobre isso com caneta, papel, suor e lágrimas. Recordo-me dos tempos áureos, em outrora, quando essa prática me era recorrente. Escrever me fazia bem e eu sinto falta dessa paz... Pena que ela só é acompanhada da sua tormenta.
Sei que não está feliz com o meu silêncio, esse gelo que dou era para demonstrar o quanto fiquei forte mesmo com você me abalando profundamente. A raiva? Eu sinto. Esmurro paredes e chão até passar. A dor? É real. A angústia? É vívida. Retira-me dos mais doces sonhos, tira meu sono, minha fome, a vontade de viver e a capacidade de respirar.
Estou pedindo mais ajuda dessa vez. Você é grande demais para continuar combatendo sozinha. Contudo, você vive à espreita dos meus piores momentos para me arrebatar de volta à sua tormenta.
Posso te tratar como velha amiga, pois já conheço seus truques e artimanhas. Não existe um pó de pirimpimpim que possa me salvar de ti, mas existe a ação e a escolha. A escolha de dizer "NÃO". Dói escolher ir contra sua corrente, ainda mais porque é uma escolha diária e estou cansada dela. Porém, ninguém pode escolher por mim.
Sou fraca e vou me dar a chance de fraquejas, chorar, berrar e surtar sem problemas ou julgamentos, mas a luta continua no dia seguinte e vai continuar até o fim dessa vida. Não haverá vencedores nessa guerra, lutaremos até à morte e morte por exaustão. Contudo, não permitirei você vencer esse combate. Se prepare para o "até logo".
Ana Luiza Pereira