(I)

Estou em frangalhos. Destruí-me até o último átomo do meu ser. Catá-los será exaustivo, mas não tenho condições para isso. Desconstrução e reconstrução são ações básicas do ser humano com a vida e consigo mesmo.

Quanto mais falam para não me importar, mais me importo; para relaxar, mais me estresso; para me aquietar, mais me mexo. Sou contraditória no meu íntimo e controladora comigo mesma.

Tenho planos, quanto menos consigo visualizá-los, mais desespero eu entro. Então, me destruo e fico em frangalhos. Resta de mim apenas frangalhos, pedacinhos mínimos que se desfazem a qualquer toque.

O que necessito para melhorar? Carinho me melhora, mas não é a cura. A cura reside em mim. Preciso achá-la mais uma vez para me reerguer e seguir em frente. Até lá: respire, apenas respire.

Ana Luiza Pereira

As lágrimas da chuva

Quem nunca chorou num dia de chuva?
A chuva cai lavando suas lágrimas e tristezas...
O frio te abraça, envolve...
Diz que está tudo bem, já que ninguém percebe que você não está.
Parece que o universo está entendendo sua dor
E chora com você.

Tenta te abraçar da maneira que sabe,
Consola de maneira gentil.
Vento são palavras,
A chuva lágrimas,
O frio seu abraço...

O universo é o amigo que você sempre tem nas horas mais sós.
E quando ele chora com você,
A solidão faz sentido.
Te torna amiga, companheira, 
Pois ela faz parte do seu universo agora.

Ana Luiza Pereira

O meu lugar

O meu lugar...
Onde eu devo estar
e viver minha vocação
com toda intenção
de feliz estar,
um bom trabalho prestar
e me completar...

Meu lugar eu não sei...
E, por isso, procurei.
E estou ainda a procurar...
Onde devo estar?
No tempo, parei.
Perdida fiquei
e chorei...

Meu lugar, meu lugar...
Angústia sinto,
e não minto
ao dizer que não sei onde está.
Vivo a procurar
e meu medo é nunca encontrar
esse maldito lugar
onde eu sei que devo estar.

Ana Luiza Pereira

Um dia apático

Acordei
Mas nem levantei
Pro teto olhei
O ventilador eu vi
Pássaros cantando ouvi
Apenas dor senti
Lembranças vieram
Felizes eram
Mas apenas chorei
E nem levantei
De dor desmaiei
Pesadelos sonhei
Desgosto senti
E numa tristeza vivi
De novo acordei
A esperança que prezei
Esvai
Dela me despedi
E de novo chorei
Na cama que nem me levantei

Ana Luiza Pereira

Pior raça

Conversando outro dia com certas pessoas sobre violência e jogos violentos, percebo o quanto culpabilizam um jogo, que é nada mais e nada menos que uma válvula de escape da realidade que vivemos, por certas ações e escolhas do homem. Contudo, fazemos sempre a ação errada: achamos um fator para culpar e não fazemos a pergunta do que levou uma pessoa agir violentamente. Com certeza, a resposta está mais enraizada do que a simples ação de imitar um jogo.

A verdade é que vivemos numa sociedade cada vez mais doente e que adoece seus membros: numa família não se prega mais o amor e o respeito; há pessoas que nascem se sentindo um aborto, se culpam por terem nascido por causa da falta de afeto dos parentes. A depressão existe, sempre existiu na sociedade, mas agora está cada vez mais forte, pois a solidão e o egoísmo está nos ferindo até não aguentarmos mais. Sempre enxergamos o "eu" e nunca o outro. Quando o outro é assunto de nossas conversas, são sempre de formas mesquinhas. Vivemos numa época de valores perdidos e, por isso, a ética já foi pelos ares.

Parece até piada, mas pensando no que culpamos para retirar a culpa do ser humano, me faz crer que sou a pior raça que existe: "Gamer? O videogame só tem violência! Rockeira? Rock só fala do diabo! Otaku? Quem assiste animes japoneses tem depressão! Joga RPG? Não tem amigos!" Ah, peraí! Os problemas que eu possuo não tem nada a ver com os gostos que possuo e as atitudes que tomo são relevantes de acordo com a gravidade que encaro meus problemas. Por favor, entendam: se um dia eu matar alguém, com certeza, é porque na minha cabeça eu tive um bom motivo e a culpa é inteira e exclusivamente minha e não do que eu faço para escapar da realidade que me machuca ou não. Obrigada!

Ana Luiza Pereira