Carta de resposta

Oi pessoa(sim, ainda me sinto no direito de te chamar assim). 


É sempre bom termos notícias de amigos e, embora distantes e tudo mais, ainda te considero assim. O problema da distância não é a saudade, mas a paranóia que ela nos faz sentir por simplesmente existir; sei que você sente isso (todos os dias, como você disse na carta), eu não. Sim, estamos separados, não por uma "decisão minha", mas por uma questão de palavra que dei ao meu namorado e, como você sabe, gosto de cumprir com o que eu digo. 

Quanto sua depressão, não tenho nada a comentar. Na verdade, ultimamente, tenho perdido minha paciência com pessoas depressivas/chorosas e burras, quando as vejo, me dá vontade de meter a porrada e eu saio do meu estado de "paz e amor" normal, então, as evito. Mas fico extremamente feliz ao saber que você está bem, se esforçando na faculdade e mais amadurecido, hoje eu penso que o amadurecimento é o melhor presente que o tempo pode nos dar. 

Quanto a mim, também mudei. Minha saúde é de ferro, exceto em semanas de provas que meu nervosismo me adoecer demais. Tento ao máximo deixar meu CRA 8, estou fazendo uma iniciação científica, estou um pouco mais organizada e estudiosa, e... estou feliz! Não tenho o que reclamar do meu namoro e nem do meu namorado. Afinal, já estamos há 13 meses juntos! (Dá para acreditar?) Meu físico é o mesmo, só deixei minha franja crescer. E, segundo meu namorado, meu jeito moleca deu lugar para um jeito mais adulta, bem, eu sinceramente não sei porque eu não sei me autoavaliar. 

Ah! Não fique com essa culpa de eu ter ido embora. Afinal, não há culpa para se por em alguém, foi uma escolha minha, a qual eu fiz sem olhar para trás e, desculpe se minhas palavras forem duras, me deram muitas felicidades e bem menos preocupações desde então. 

Também sinto saudades suas e, espero que quando eu tiver novamente notícias suas, você já tenha parado com essa viadagem depressiva. 

Beijos.

Ana Luiza Pereira

Agradecimentos

Sempre procurei entender ao certo a essência do amor e da paixão. De fato, os anos só me levaram aos altos e baixos do que é uma longa busca para a resposta dessa complexa pesquisa. A verdade é que meus baixos - os altos também, mas nem tanto como hoje -, me tornaram quem sou.

Não venho aqui fazer uma vasta reflexão das perguntas filosóficas que mais rodeiam a história da espécie humana, quero é fazer um panorama de tudo o que eu aprendi nos meus recentes vinte anos de vida... E, nesses anos, perdi algumas pessoas sem as quais pensei não poder sobreviver sem seus zelos, tal como, ganhei amigos, os quais, espero sempre contar com seus ombros e sorrisos. Porém, venho falar de amor:

Não importam o que digam os sensacionalistas, especialistas, os ateus ou cristãos; amor é sim essencial ao ser humano. É o amor a maior motivação para as maiores loucuras do ser humano. Podemos, às vezes, confundi-lo com a paixão, porém o amor se torna muito mais zeloso e puro, enquanto a paixão... Bem, deixemos a carne falar por si só. Amor contém-se no afago de um caloroso abraço, a paixão ou te torna um monstro ou te torna um grande impulsivo. O bom do amor é que ele dura, ou simplesmente se torna um grande capricho, segundo Oscar Wilde.

Contudo, o pior de um amor é não saber agradecer por tê-lo. Agradecer a Deus? Feito. Mas e agradecer as pessoas? É uma missão quase que impossível... Vejo pessoas, em especial uma, a minha volta querendo ser perfeitas, mas não por si só, mas pelo o outro. Essa é uma das melhores provas de amores que há.

Portanto, venho aqui, com minhas singelas palavras tentando agradecer o carinho, o esforço que fizeram e o amor de todos os que me deram e me darão, mas, principalmente, dessa pessoa. Uma pessoa que me apoia e se tornou tão especial que me tornei dependente de seu amor. E, embora ele não entenda o porquê dos meus sorrisos e meu olhar calmo quanto tudo parece dar errado; quero que saiba que não precisa ser perfeito 100% do seu tempo, me apaixonei pelo humano que és, seus olhares, carinhos e sorrisos que me fazem feliz, não preciso de muito de ti para sorrir e, se planejar por muito tempo e mesmo assim der errado, só preciso estar do seu lado para ficar bem. Tudo o que é simples é o que torna um dia especial mais completo. Por isso, obrigada.

E, por fim, uso de minha licença poética para me apropriar das palavras da diva Anne Rice, modificá-las e dizer, relembrando de todo o último final de semana: 'Caí com carinho, com beijos, para não dispersar este abraço em que estamos vivendo - eu e ele, como uma coisa só. Esta fenda é a nossa casa. Que as gotas da chuva sejam lágrimas de alegria e canção, que sejam antes som e estiagem do que água, pois quero quer tudo aqui, entre nós, seja eternamente amável e purificador, jamais motivo de pertubação.'

Ana Luiza Pereira

Asas de borboleta


Uma borboleta precisa de asas tão
simétricas e belas para voar.
Assim, nosso amor é tão belo e
tal qual simétrico como asas de
borboleta a voar. Inegável é
a liberdade de um amor
bonito como a beleza de
um amor livre. Será assim para
sempre? Amor de borboleta
livre? Posso dizer que sou sim uma
borboleta a voar ao tocar
suas mãos ou envolver-me
em seus braços, e o que tu podes
dizer-me? És feliz comigo em
nossa felicidade-borboleta?
Sentes preso em jaula como em
borboletário? Não, nunca sintas
tu desse modo! Vivas o amor
aos olhos de quem nasce; perfeito.
Vivas cada "eu te amo" vivo,
perene e não pecaminoso,
e se lembre de todos borboletas-
momentos, viva-os em sua alma.
Venha voar no jardim de nossas
asas diferentes, todavia, de
perfeita simetria, capazes de
voar pelo mundo com o poder
do calor de um simples abraço.

Ana Luiza Pereira

Meu amor por você

Meu amor por você

É como o rio.
Nasce, cresce e desagua
no mar dos teus braços

É como o céu.
Há algumas nuvens, mas
também há muitas estrelas para sorrir.

É como as aves.
Livres voando,
amando e cantando.

Meu amor por você
É lindo!
E se torna
a cada dia maior.

Eu amo você!

Ana Luiza Pereira

Carta de um ano

            Quando eu tinha 9 anos, minha formatura da 4ª série foi das princesas dos contos de fadas. Para o infortúnio de algumas garotas, as princesas foram sorteadas e acabou que me vesti de princesa Fiona, filme que, na época, tinha acabado de lançar. Lembro que muitas pessoas, inclusive da minha família, não gostaram da ideia de me vestir de Fiona, a princesa-ogra, ainda mais porque não sou ruiva e usava um cabelo com o corte Chanel, digno da Branca de Neve.
            Aposto que você se pergunta: “Mas que diabos de carta é essa que não vem com nenhum vocativo e ainda começa com uma história nada a ver com o seu passado que não me convém saber?” Respondo: “Fácil, antes não entendia o porquê da sorte me premiar com o vestido verde-bandeira, mas hoje te explicarei as razões.”
            Sou sua Fiona e você é meu Shrek. Posso ser uma princesa cheia dos “não me toques” com outros, mas contigo sou a minha verdadeira face e não sei ser mais outra pessoa além de eu mesma. Brinco com meus pais e algumas amigas que o passado finalmente acertou: pois o futuro me presenteou com um Shrek idêntico fisicamente, mas não psicologicamente. No seu interior, você é, de fato, um cavalheiro e um cavaleiro; ou seja, você é simpático e trata bem os outros e não mede esforços para conseguir o que deseja, por mais que, para isso, você enfrente mil dragões.
            Mudando um pouco o foco desta carta, quero falar também de amor. O meu, o seu e, principalmente, o nosso amor. A primeira instância, evoco aqui uma das minhas músicas favoritas da banda Bullet For My Valentine, embora você não goste muito da versão acústica, é a versão que mais me agrada dessa música. Recolhi as partes que mais me interessa comentar, que são:
The time is here again (interpreto esse “The time” como cada comemoração, principalmente de aniversário de namoro)
Prepare to be apart (antes que você comece com a brincadeira dizendo que quero me separar de você – o que você sempre faz – digo logo que não, não quero me separar, mas tem dias, como hoje (30/8), dia que escrevi isso, que estamos inevitavelmente separados e, por mais que meus pais me perguntem de você, eu continuo ficando maluca de saudades, por mais que me prepare antecipadamente)
And it drives you crazy (acabei comentando acima)
Each time I go away (interprete o “go away” como minha volta para casa todos os dias)
The distance gets longer (como eu disse: eu fico maluca de saudade, isso me faz crer que estamos há milhares de quilômetros separados)
But it makes us stronger

(…)

Forget about the shit that we've been through (eu sei que não sou a namorada perfeita, muito menos, uma pessoa que merece ter alguém incrível como você ao meu lado, mas eu tento. E, por mais que passemos por provações e, até mesmo, algumas discussões capazes de por nosso namoro a um fio do fim – muitas delas provocadas por mim, assumo minha culpa –, eu não vejo minha vida sem ser aquela que já planejei ter do seu lado)
I wanna stay here forever and always
Aproveitando o último verso de Forever and always, iremos agora à segunda instância. Farei agora as palavras de Catulo em um dos seus incontáveis sonetos à Lesbia, seu amor, as minhas:
            “Iocundum, mea uita, mihi proponis amorem
                        Hunc nostrum inter nos perpetuumque fore,
            Dei magni, facite ut uere promittere possit,
                        Atque id sincere dicat et ex animo,
            Vt liceat nobis tota perducere uita
                        Aeternum hoc sanctae foedus amicitiae.”
            Ou traduzido por João Angelo Oliva Neto:
            “Minha vida!, me dizes que este nosso amor
                        será feliz aos dois, será eterno.
            Deuses grandes, fazei que prometa a verdade,
                        que sincera e de coração o diga
            e que nos seja dado, a vida inteira, sempre,
                        este pacto viver de amor sagrado.”
            Não venho aqui falar sobre a promessa ou a sinceridade, ou qualquer outra que seja a palavra-chave deste poema, até porque eu não duvido e nem ponho a prova esses valores, pois já tive a prova concreta que você os tem. Mas venho falar do perpétuo, do para sempre.
            Sempre escrevi sobre o amor perpétuo em meus textos. Mas ponho em prova aqui se eu realmente o senti antes de te conhecer. Claro que meu amor pela minha família, especialmente pela minha falecida avó, não conta nesse caso. Mas, ao escrever tantos poemas sobre amor, expunha mais do que exaustivamente meu desejo do “para sempre” arrebatador. Hoje vejo a tolice que tinha na minha falta de amadurecimento, algo perpétuo não é para nos arrebatar e levar para longe, mas para nos acalmar e nos fazer refletir, aproveitando cada segundo único. Aprendi isso aos poucos, inclusive, o aprendi ao seu lado. Acho que é mais do que claro o meu desejo que seja o nosso amor também perpétuo, principalmente, em cartas anteriores.
            E, para completar meu pensamento, ponho aqui alguns versos da música – de uma ópera que gosto muito – que desejo dançá-la no dia do nosso casamento (se casarmos e se escolhermos uma valsa e não um tango para dançarmos):
            Love is a curious thing
It often comes disguised
Look at love the wrong way
It goes unrecognized

So look with your heart
And not with your eyes
The heart understands
The heart never lies
You need what it feels
And trust what it shows

Look with your heart
The heart always knows
Love is not always beautiful
Not at the start
Meu pensamento inicial é deixar essa música apenas como um encerramento de tão linda que é, mas preciso comentar algumas partes:
O primeiro e segundo versos me fizeram lembrar o nosso início. Você se lembra? Antes eu não falei com você e, se não fosse por Camila, talvez eu nem falasse, então, nem faria também um ano contigo. O terceiro e o quarto versos só completam o nosso início: não queria nada sério, mas acabei me envolvendo demais para não ter – sinceramente, não me arrependo de ter engolido cada palavra.
E como diz na ópera: eu comecei a olhar com meu coração e não com meus olhos, afinal, só meu coração sabe o que quer, não me enganando e não mentindo. Preciso do meu coração, forte e pulsante, apaixonado por você para escrever aqui o que sinto, afinal, ele sempre sabe.
Nosso início não foi belo, eu digo que foi engraçado por causa de nossas brincadeiras, mas não estamos aqui por brincadeiras. Com um sorriso, você me conquistou e com o mesmo sorriso e brilho nos olhos, digo pela primeira vez na minha vida: Feliz um ano de namoro! Obrigada por cada momento especial que tivemos.


Eu simplesmente te amo!

Ana Luiza Pereira