Faculdade: os piores anos

Não se engane se alguém lhe disser que viveu seus melhores anos na faculdade/universidade, não foi. Esta pessoa está omitindo, no mínimo, 4 anos de sofrimento e lágrimas.

Por experiência, posso dizer: a faculdade é uma maldição. Por muitas vezes pensei em desistir, trocar, em mandar os professores catarem coquinho, mas não o fiz, porque eu preciso do diploma, porque o mercado de trabalho quer o seu diploma, porque seus pais querem que você tenha um diploma.

Professores que não entendem sua situação de morar léguas de distância de sua faculdade, ter que dormir pouco ou nada para conseguir ao menos estar de corpo presente na aula das 7:30 e ainda passam trabalhos de 30 páginas na regulamentação da ABNT para você fazer e entregar impresso para ontem, como se você fosse rico para pagar tanta impressão. E as xerox? Páginas e páginas de xerox acumuladas por matérias diferentes. São bíblias de xerox que você tem que ler e demarcar com marca-texto ou caneta, porque é importante e cairá na prova. Juro que farei uma linda fogueira junina com tanto papel.

Provas? É aquela semana que você não tem nem tempo para um banho, sai da sala derrotado ou, quando acontece, pensando que foi super bem, mas recebe um 4,5. Perguntas com pegadinhas, "Professor, o que você quis dizer na 4?"... No final de tudo, são atestados do quanto você é burro e precisa estudar para ao menos passar na média.

Aí vem a corrida... A corrida do estágio e das horas complementares. "Isso vale quantas horas?" "Estágio remunerado conta para o término da faculdade?" "Isso conta também como AACC?" Foram tantas perguntas que fiz nos anos que passei em relação a isso que já nem me lembro mais. Mesmo assim, é cada palestra que você assiste... E mesmo assim, há grandes possibilidades de você não ter cumprido as milhões de horas complementares. Observar aula que já fiz? QUE SACO! A vontade é de ficar em casa e largar tudo de mão. Meus professores dizem que querem me ver formada e não mais na faculdade, pois cansaram de ver meu rosto cansado pelos corredores. Não retiro esse desejo deles porque também é o meu.

E as últimas matérias? "Devo pegar a professora com a mão pesada no meu último semestre?" "E aquela que não gostei?" Vale a pena arriscar com o pé fora da faculdade? Não sei. Para essa pergunta ainda não tenho resposta, mas não aconselho a ninguém. É uma coisa que voltaria atrás se pudesse.

Monografia? Vira um texto infernal que você precisa fazer e entregar. Orientador desaparece e você ao léu com um tema que percebe que não sabe nada, mesmo tendo estudado o mesmo por anos. ABNT virou as regras da sua vida, está no sangue e decorada na mente. A busca por referências são outra luta: internet, livros, até filme serve! Qualquer coisa que me tire logo desse inferno!

Bem, não conto aqui as greves, paralisações e férias. Porque férias não existe. Paralisação gera medo e greve dá AACC, mas o que farei na faculdade sem obrigação?

São todos os sofrimentos de um universitário ferrado que mora longe e desesperado. É um desabafo de um coração pesado, porque já não aguenta mais tanta coisa para cumprir em tão pouco tempo.

Ana Luiza Pereira

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