Coisas que poucos sabem

Sabe quando algo súbito e inesperado te pega pelo calcanhar e revira todos os seus planos? Você quer chorar, mas não quer preocupar ninguém, então, abafa os gritos de choro com o travesseiro. Pois é... Ontem foi assim para mim. Chorei lágrimas que não foram vãs, pois elas me fizeram refletir:

Não temos uma "cota de lágrimas" para cada coisa ruim que acontecem, apenas choramos e paramos de chorar quando nos acostumamos com a dor.

Por mais que seja difícil superar qualquer que seja a dor, "ser feliz" é diferente de "estar feliz". "Ser feliz" também é chorar e sofrer, "estar feliz" é tão momentâneo e efêmero. Dá pena das pessoas que pensam que "ser feliz" é igual a "estar feliz". Elas não têm a consciência que, na vida, nada nos falta; sofrimentos, dores, sorrisos, felicidades, enfermidades, vícios, etc., mas cabe a nós transformar cada coisa num degrau para o nosso "ser feliz".

Por mais que hajam lágrimas que hão de escorrer pelos nossos olhos por diversos motivos, sejam de dor ou de felicidade, devemos saber que essas lágrimas nos renovam. Sem elas, nos sentiríamos presos e desconexos. E não se julgue por chorar demais, isso indica que és mais humano e tem mais coração que muitos que te rodeiam.

Poucos que estão lendo, aqui e agora, isso que escrevo já pararam para refletir do mesmo, senão, reflitam. Somos humanos, conhecemos a dor e, seja qual for seu sustentáculo nessa hora, suas lágrimas não são vãs, ao final delas, você sempre será outra pessoa.

Ana Luiza Pereira

Eu conheço anjos

Eu conheço anjos.
Anjos sem asas,
Sem brilho que cega os olhos,
Que não descem dos céus.

Eu conheço anjos.
Que buscam divindade,
Ajudam  o irmão,
Estão sempre próximos...

Esses anjos tem nome, sobrenome e endereço.
São tão errantes quanto eu,
Mas são anjos.
Esses anjos são os meus amigos,
Que me acolheram,
Me abraçaram,
Me afagaram,
Me aconselharam
E não se esqueceram de mim.

Não os julgue se você os verem,
Eles são sim diferentes.
Pois uma palavra e um consolo deles
Foram capazes de mudar a minha vida inteira.

Por essas e outras, eles são meus anjos humanos.
Anjos errantes como eu, que eu conheço...
Anjos que nunca falharão ao me consolar e me alegrar.
Obrigada Deus por esses anjos que a mim enviastes!

Ana Luiza Pereira

Nas mãos de Deus

Tudo está nas mãos de Deus.
Por que te afliges?
Não sabes que só Ele é o Pai Santo que acolhe, cuida e guarda teus filhos?
Não sabes que só Ele tem o poder de mudar a sua vida?
Não sabes que é Ele que te toca pelas palavras do próximo?
Não sabes que Ele está em seu coração?
Não sabes que Ele quer que você O busque por mais que seja humano e pecador?
Não sabes que é Ele que te ajuda em troca da sua salvação, capaz de morrer na cruz por você?
Não sabes que Ele te prepara para vida, e vida eterna?
Se não O conheces, sabes onde encontrar; Ele está em todo o lugar que olhares, pois Ele é o Pai que te dá a vida, o amor e a força divina para que você esteja ao Teu lado no fim dos tempos.

Ana Luiza Pereira

Ditadura


Houve una época, em nosso Brasil verde e alegre, em que a lua sorria e ninguém podia ver.
Época em que vozes foram caladas e bocas foram seladas a porrete.
Época em que visões eram distorcidas e palavras como "liberdade" e "progresso" tinham sua semântica inversa.
Época em que corpos eram violados e violentados brutalmente em favor de um ideal abrupto.
Época infeliz dos enclausurados em favor do amor em família.
Época dos heróis anônimos nunca reconhecidos por nós.
Época dos poetas refugiados e medrosos.
Época do medo à flor da pele.
Época dos verdadeiros ideais mortos.
Época que não volta mais.
Amém? Acho que não.
Nessa época, lutava-se.
Nessa época, gritava-se!
E, por mais que não houvesse respostas para as perguntas de um povo inocente e trabalhador, o povo lutava pelo seu poder.
Lutava para ser ouvido!
E chorava o pranto das almas livres mortas a fuzil na muralha.
Salve a marcha contra os marchantes!
Salve a dor daqueles que, mesmo assim, lutaram pelo "hoje".
Salve ao passado negro, misterioso e rico!
Pois a memória deste passado continua em nós e a revolta em nosso sangue.

Ana Luiza Pereira

Defina-me a seus padrões


Não me enquadro aos padrões da sociedade. Sou enclausurada ao um mundo totalmente diferente do que vejo ao meu redor. Sou exilada da cultura que me cerca, criei minha própria cultura diferente das pessoas da minha idade. Mal falo, mas observo. Quando falo, gosto de ser ouvida, mas também gosto de ouvir. Se há uma coisa que gosto é ajudar, mas com fervor. Tenho uma sensibilidade diferente das pessoas que me cercam. Prefiro acreditar que meu mundo são meus livros, os que leio e os que escrevo (por mais que sejam tentativas vãs). Então, pergunto: será que uma pessoa como eu é tão normal quanto uma pessoa totalmente diferente de mim? Não sei. Apenas você, meu alheio, pode me definir a padrões que eu mesma nem sempre seguirei a rixa.

Ana Luiza Pereira