Suposições

Seria bem mais fácil
se os corações de todos
batessem no mesmo ritmo,
se gostássemos
de quem gosta da gente,
se a vida não fosse um "e se",
"talvez", "depende"
ou eternas reticências...

Seria ótimo
se nossa mente
não vivesse em confusão,
se tivéssemos menos perguntas
e mais respostas,
se não vivêssemos na contra-mão...

Seria bem melhor viver
de imaginação,
dentro dela apenas,
o mundo seria, enfim, perfeito,
o coração não doeria...

Mas a vida é árdua,
impõe, é uma ditadora
na pele de uma professora
que briga com seus alunos.
Se tudo fosse como queremos,
o caos seria mais rápido,
e não descobriríamos quem somos
ou do que somos capazes.
Afinal, a vida é assim:
ela ensina,
mas quer que você descubra
o porquê do seu viver,
do seu querer
e quem é você.

Ana Luiza Pereira
Poesia ganhadora do concurso Novos Poetas da editora Vivara de 2012.

Em busca da plenitude

Eu queria saber das coisas, viver minha inteligência em plenitude, mas há falta de sabedoria nas pessoas.

As coisas tem ficado difíceis no mundo, e as pessoas nem sempre estão adeptas a mudanças bruscas, impedindo a vivência em plenitude da razão e da fé.

Quando se vive, se acredita. Quanto se acredita (seja em Deus ou não), há fé. Mas em quê? No dinheiro? Quantas pessoas no mundo tem fé no efêmero?

Eu tenho fé na vida. Ela é efêmera? É. Mas também uma grande professora e são em suas aprendizagens que me agarro.

Ana Luiza Pereira

Impaciência

Odeio ter que esperar, embora eu às vezes use da paciência de alguém nos meus poucos atrasos. Odeio também atrasos, já que não me é usual fazer isso.

A verdade é que eu odeio o tempo, pois ele passa rápido demais quando o que mais se quer é paralisá-lo e devagar demais quando o que mais ser quer é apressá-lo.

O tempo e suas complexidades podem até ser comparadas a uma mulher de TPM, pois as inconstâncias do tempo afetam e/ou ajudam as inconstâncias da vida.

Parei de filosofar por enquanto, já que minhas perguntas na verdade só serão respondidas pelo tempo de TPM.

Ana Luiza Pereira

Um dia

Um dia amei
E também fui amada.
Um dia chorei
Pela pessoa errada.

Um dia me contentei
Com apenas palavras
E não percebi
Que atos faltavam.

Um dia abandonei,
E hoje sou abandonada,
E também sofri
Pela pessoa errada.

Agora mudei,
Superei do nada.
De sofrer cansei
Pela pessoa errada.

Espero que leia
Essa cantiga rimada
Para que saiba
Que és a "pessoa errada".

Ana  Luiza Pereira
Poema feito no dia 20/12/2011

Contradizendo-me...

Se mudei de uns anos para cá é porque decidi não ser hipócrita e mesquinha, embora certas vezes eu falhe nessa jornada. Nas minhas muitas falhas, estão as falhas hipócritas da vida amorosa.

Eu sei e admito que venho fugido disso a dois anos, mas hoje, que eu fiz acontecer, temo. Sim, temo. Não quero sofrer mais do que sofri nos últimos tempos, nem quero fazer pessoas especiais (uma, no caso) sofrer também.

Eu sei qual é o nome disso; medo de se relacionar. Mas quando se aprisiona um sentimento por dois anos e se nutre uma amizade, é difícil se relacionar sem o medo de levar a amizade que era tão fantástica por águas abaixo.

Sei que me contradigo já que meu lema é correr atrás de quem se ama e nunca desistir por isso, mas agora tudo se resume ao medo de perder o que há de mais fantástico em minha vida por ações minhas e emoções descontroladas...

Queria que Carlos Drummond de Andrade fosse ainda vivo para que o seu "José" me respondesse o que hei de fazer agora...

Ana Luiza Pereira