Everything will be alright


"EVERYTHING WILL BE ALRIGHT" - diga isso ao meu coração e não a minha mente. É ele que você despedaçou… É ele que me faz chorar todas as noites, é ele que sangra, é ele que não dorme. Sou um fantoche dele. Meu pensamento já se conformou, fostes e não vás voltar, ponto. Tento acreditar que “Tudo vai ficar bem”, mas não diga isso aos meus pensamentos, mas ao meu coração. Ele não se conforma e não quer a sua perda, ele quer você aqui ainda… Para ele o tempo parou no fim e o “Tudo vai ficar bem” são meras lembranças doloridas de você aqui.

Ana Luiza Pereira

A real brincadeira de polícia e bandido


Venho hoje lhes contar uma história real e dramática, cotidiana até. Mas que poucos sabem suas verdadeiras razões, o verdadeiro passado desses dois personagens.
Rio de Janeiro, confronto de polícia e bandido na favela, troca de tiros, balas perdidas para todos os cantos. Corpos estirados no chão de inocentes ou não, repórteres gravando tudo para passar na televisão brasileira da forma mais sensionalista possível. Uma pessoa, esguia mais rápida, procurava um alguém durante o tiroteio.
Invade a casa, um bandido se despedia da sua mulher e seu filho de colo. Os dois se enfrentam no olhar, a mulher sabia que aquele policial doce que já viera visitar a sua casa não estava ali, ela chorava perante o fuzil apontado ao seu marido e sabia que ali seria o fim.
- Foge. – disse o policial à mulher. Ela, aos prantos, sai da casa e deixa polícia e bandido a sós.
- O que você quer? – pergunta o bandido ao policial.
- Que você se entregue.
O bandido riu de deboche e respondeu:
- Nunca.
- Você nunca vai conseguir sair vivo daqui... Todos estão aqui com ordem de matar, você se entregando é a única saída de sair vivo e continuar a ver sua mulher e seu filho.
- Prefiro morrer...
- É isso mesmo? Você é peixe pequeno! Olhe pra você! Só te deram uma calibre 42 e nenhuma proteção! Você por muitas vezes parou no hospital entre a vida e a morte, na cadeia, é foragido e quer mesmo continuar sendo peão de traficante grande?
- Deixe de blá-blá-blá! Você que é o cheio da grana, empresário e policial! Você que tem família, amor e luxo e quer mesmo tirar o pingo de orgulho que ainda me resta com este discurso sobre minha vida? Qual é a moral disso tudo?
- Eu quero é te ajudar!
- Não preciso de sua ajuda... – interrompeu o bandido.
- Essa é a terceira e última vez... Se entregue! Eu pago seu advogado, logo você estará livre novamente!
- NÃO! E quer saber? Cansei dessa baboseira... – disse o bandido apontando a arma ao policial.
O policial ri.
- Você sabe que meu colete aguenta tiro até de fuzil...
- Quem disse que meu tiro será no peito? Acertarei a sua cabeça!
- Se assim desejas... – disse o policial apontando o fuzil também.
Segundos depois, ouve-se o disparo.
- Eu disse que meu colete aguentava tiro desse calibre... – disse o policial retirando a bala do colete.
Ele olha para o corpo estirado naquela sala, abaixa para fechar-lhe os olhos e com lágrimas nos olhos diz:
- Adeus irmão...
O policial ficou ali, do lado do corpo do seu irmão traficante a chorar e a se lembrar do passado. Lembrou-se que os dois foram separados quando ainda eram muito pequenos, o traficante ficou com a mãe por ser bonito e ele com a tia paterna, só foram se reencontrar anos mais tarde quando os dois tinham seus caminhos já trilhados. Um era um viciado e traficante e o outro era policial e dono de firmas junto com a esposa. Um fez de tudo para ajudar o outro, mas o irmão só queria as drogas e a bandidagem. Os dois sabiam que essa brincadeira de polícia e bandido teria um fim, e trágico...
O policial foi achado ali, naquela casa, não mais chorando, mas ele sabia que não tinha condições psicológicas de continuar com a operação.
No enterro do irmão, todos compareceram, mas poucos choraram. A culpada disso tudo estava lá também. A mãe que só ficara com os filhos mais belos e que não lhe dera amor o suficiente para que eles fossem homens e mulheres de bem.
Eu também estava lá. Presenciei cada palavra do depoimento do irmão abalado e choroso, da mãe fria, da tia consoladora e da esposa desesperada. E é por isso que eu digo, meus caros leitores, essa brincadeira de polícia e bandido de hoje em dia é perigosa e trágica demais para as famílias de bem.


Ana Luiza Pereira

Trecho de Mulher no palco (escrito por Lya Luft)

Num fino traço
faço o perfil de ninguém.
Quem quer ser alguém
nessa vida sombria
parida com sangue e papel?
Mas no círculo que traço,
nariz, cinco dedos na ponta de um braço,
donzela esguia ou boneco engonço,
limito um novo ser: e me abraço
a mim, o poder de gerar um sinal
que instaure no nada o todo possível.

Quem faz de nós reis, deuses, réus
da nossa contradição?
No texto que faço
separo o nada do nada:
abro o espaço
da minha interrogação.

Lya Luft
Trecho do livro Mulher no Palco, escrito e m 1984.
(Imagem: Lya Luft)

Discernimento na escolha


Eu sei o quanto é difícil escolher. Mais difícil ainda é ter discernimento para seguir em frente apesar das complicações e dores.

É mais difícil ainda é possuir discernimento quando se trata de coração. Se calar para não estragar a felicidade alheia? Boa sorte na sua carreira de mártir! Julgo o silêncio pior do que a situação estranha dos seus sentimentos escrachados na cara de quem você ama.

Na verdade, qualquer uma das situações são bastante constrangedoras, mas são inevitáveis! O que fazer? Lutar. Afinal, é apenas mais uma prova que a vida nos põe... É necessário passar por muitas travessuras da vida para ter as gostosuras.

Ana Luiza Pereira
Dedicado ao meu amigo Kérisson.

Seja o sofredor!


Engraçado como pessoas amam brincar com outras, seus sentimentos, conceitos e confiança. É divertido? É legal? Seja aquele que sofre no final! Sabe, falo logo a verdade; só conhecemos a verdadeira face de uma pessoa quando você se afasta dela. Quando nos aproximamos demais, nós idealizamos demais, não porque queremos mas porque o coração "pensa" que essa pessoa é digna da confiança. Até você cair... Eu prefiro pensar que é um ciclo vicioso, sem fim e com 'finais' um pouco diferenciados, mas a mesma dor e a mesma história... Estou sendo falsa? Meça suas palavras antes de compará-las as minhas. Quando souberes o que é estar na pele de um sofredor, quem sabe, você poderá argumentar que nem homem? Não sei... Só o tempo sabe!

Ana Luiza Pereira