Amor e preconceito

Quando falamos de amor, geralmente se imagina algo entre casal de sexos diferentes: homem e mulher. Contudo, não é de hoje que vemos demonstrações e ouvimos histórias de amor lindas de casais do mesmo sexo. Ouvimos a todo momento dos mais velhos que esse tipo de casal não é natural ou "normal", mas quem decide o que é natural senão Deus? Na própria natureza que Deus, dito maravilhoso e perfeito, há casos de casais animais homossexuais, peixes, mamíferos... Em todo o Reino Animalia, há ao menos um caso documentado de casais homossexuais, algumas espécies conseguiram evoluir para a autofecundação porque não há poucos animais do outro sexo para que possam manter viva a espécie.

Deixando a questão religiosa de lado, por que há preconceito? Ouve-se muito também a desculpa que ninguém é obrigado a ver um casal, seja homossexual ou não, se pegando. Contudo, um casal homossexual de mãos dadas é visto como a coisa mais horrenda do mundo, porém, um casal heterossexual andando de mãos dadas é tido como normal.

Creio que quando falamos de amor é algo transcendental, transcende as questões de cor, religião e sexo. Amor é a verdade maior do universo e enquanto não aceitarmos que o amor é o que vale e as questões de cor, religião e sexo, a sociedade não vai para frente.

Ana Luiza Pereira

Envelhecer com você

Querido amor,

Queria que palavras pudessem mensurar o que sinto, mas não sou capaz de expressá-las a não ser com o simples "eu te amo". Ações? Minhas ações podem ser contradizentes, mesmo que a intenção seja pura, simples e boa. Resolvi, então, voltar às minhas raízes e escrever-lhe esta carta pública de aniversário.

Mais um ano que passamos deu aniversário juntos e já fizemos de praticamente tudo para comemorar juntos essa data. Já fiz, inclusive, você ficar extremamente envergonhado num restaurante ao pedir que os garçons cantassem parabéns para você, e não me arrependo. Já te enrolei para que sua mãe fizesse uma festa surpresa... foram muitas lembranças e muitos presentes: uns dados por causa de sua praticidade e outros por causa do seu desejo.

Esse ano, infelizmente, minha imaginação está meia escassa e não sei bem o que fazer nessa data para demonstrar que te amo e te quero bem nessa data que marca o seu envelhecimento. O presente já te dei e foi bom ter te dado antes, pois tenho certeza que outro não te agradaria tanto. A festa desse ano você que planejou, mas já vimos que o destino ama lhe pregar peças e vamos ter que decidir o que fazer na última hora.

Contudo, minha intenção ao escrever-lhe não é falar sobre lembranças, presentes e festas, mas sobre o envelhecer. Dizem que com o envelhecimento vem a sabedoria, não sei dizer se está mais sábio hoje que ontem, mas com certeza está com o coração mais belo. O que posso lhe afirmar é que com o envelhecimento, vem a construção de um amor indestrutível. 

Estamos um pelo o outro e a cada dia consigo sonhar um pouquinho mais com nossa velhice juntos. Uma vez, conversando sobre isso na cozinha de sua casa, percebi que algumas coisas nesses nossos devaneios sobre o futuro têm  suas características peculiares: um casal de filhos gêmeos (apesar de você duvidar, creio que ambos sonharem com isso seja um sinal), uma sala cheia de videogames, Netflix e Crunchroll e a gente feliz. Nosso futuro não será fácil, você sabe disso e eu também, ambos temos sonhos diferentes, mas também temos um ao outro, somos a fortaleza e o pilar um do outro, quero ser sempre sua mulher e também quero que você seja sempre meu homem.

Eu te amo! Casa algum dia comigo?

Ana Luiza Pereira 

Comunicado das entidades

Tudo parede para sempre quando se perde a fé. Estás presa ao agora e não consegue alimentar teu espírito para conseguir crer. Sabes o que vai acontecer, dizias sobre isso até agora pouco, escolhes se quer ou não que isso aconteças contigo tal qual vimos. Não estás louca, mas perdida e não consegues ver os resultados porque tens os olhos enegrecidos. Eleves teus espírito para abrir teus olhos.

Acontecerá de um jeito ou de outro, acontecerá como já sabes se creres que virá.

Ele está guardado conosco e virá quando tiver que vir. Ela tem mais liberdade e mais maturidade que ele, ele mal sabe falar para saber se quer conversar com a mãe. Mas saiba que logo ele falará nos teus sonhos e tu te lembrarás de suas palavras.

Porque ele precisa crescer para saber o que quer. Paulo e teu filho são iguais, não têm medo de ti, mas precisam crescer e se entenderem para conseguirem saber o que querem. São imaturos, teimosos e temem a própria felicidade que os esperam.

Seria bom se ela voltasse a fazer feitiços e magias. Não sei se já a viu fazer alguma, mas funciona na hora. Só ela pode fazer por nós, quanto a ti, ofereças as tuas orações. Ela também foi a maior bruxa que pisou por essas terras. Tudo o que ela quer, basta apenas desejar que ela tem. (P.S.: ela pode mudar destinos com seu querer.)

Acenda uma vela e eleve o espírito. Faça o desejo e ofereças o que sabe. Ambas façam isso. O amor de ambas e o futuro será garantido ao creres e o que desejares acontecerá.

Como rezas? Como sentes mais perto de Oxum e Iemanjá? Faça isso e sinta a paz que já fará a sua parte.

Não precisas do dinheiro. Iansã será feita. Ela vive na pele as dores de sua orixá. Passar por isso é essencial, pois são as dores para que ela possa parir Iansã na sua cabeça.

Ela vai comprar, mas não precisas se endividar tanto. Usa metade para Iansã de tua amiga e o resto tente livrar-te das dívidas que te afligirão quando a tormenta do amor passar. Não precisas morrer se sabes o que acontecerá.

Precisamos partir, o corpo está mal e não suportará mais tanto tempo. Tenha fé.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito há 3 anos atrás

Motivos para noivar

       Se hoje sou perguntada sobre meus motivos para casar, acho que a primeira coisa que responderia seria cansaço. Veja bem, a vida adulta é rodeada de rotinas e coisas cansativas, e listarei algumas aqui que são os meus motivos:
       Primeiro: o cansaço familiar. É cansativo viver na casa de seus pais, tendo uma relação particularmente indefinível entre a toxicidade e o saudável, mais cansativo ainda é aturar as perguntas e piadas... "Quando se casam?" "Vejo você cuidando do seu pai quando envelhecer assim..." "To vendo que vai se tornar a tia dos gatos..." Vendo somente por esse ângulo, o casamento representa uma fuga da toxicidade familiar e pode ser que, no futuro, eu acabe caindo numa cama de gato por causa dessas palavras que agora escrevo e não saiba mais como me libertar, mas também é difícil viver o meu tempo quando as pessoas ensinam e cobram o tempo delas e saber conciliar para agradar e evitar brigas é cansativo.
            Segundo: o cansaço da espera. Talvez, para mim, esse seja o pior. Sou uma aventureira, gosto de correr riscos e contar histórias agitadas e empolgantes, difícil para mim falar sobre a espera. São quase 6 anos esperando um possível noivado que devia ter saído há 2 anos atrás por causa de uma promessa. Irrita ter dado um ultimato para que seja cumprida uma promessa que não fiz só para não ser mais enrolada com desculpas da faculdade e da vida difícil. Vejo as pessoas ao meu redor até mais novas que eu casadas e com família formada, não que me importe muito com elas, mas a pergunta "quando será a minha vez?" vem à cabeça quando vejo fotos. Quero planejar muito bem minha vida e, sei que requer tempo, mas 6 anos esperando um noivado é dose.
           Esses motivos parecem fracos e extremamente impertinentes para quem vê de fora, não escapo do seu julgamento mesmo não citando esses motivos bestas, mas para quem vive a situação sofre constantes incômodos por causa desses dois tipos de cansaço.
           Veja bem, quero registrar meu maior motivo para noivar e casar aqui: eu o amo, quero cultivar esse amor e o nosso relacionamento para um patamar mais elevado, quero compartilhar nossas vidas, coisas, decisões e escolhas a cada momento com ele e esse é o meu único maior motivo de dizer sim, a única diferença é que quero logo. Parece até um pouco de ansiedade e depois desse texto todo, você deve estar pensando que nada disso representa bons motivos para o casamento, mas são os motivos que me adoecem e, por isso, são motivos bastante relevantes para mim.

Ana Luiza Pereira

Carta a Chester Bennington (#MakeChesterProud)

Querido Chester,

Você não me conheceu e nem eu tive a oportunidade de te conhecer pessoalmente como meus amigos, todos fãs de Linkin Park e de você, mas eu te conheço. Segui sua vida e sabia de seus problemas. Eu os entendia, pois sou como você.

Há 1 ano atrás, você escolheu por acabar com a sua dor. Eu entendo, sinceramente. Sei como dói sorrir e fingir que está tudo bem, sei como é sufocante não saber nem quando ou onde chorar suas dores, sei da culpa que carrega, da vontade de não deixar ninguém preocupado e do grito sufocante preso. Eu senti e sinto o mesmo. Já escolhi me matar diversas vezes e, muitas, eu tentei ao som de seus gritos no fone de ouvido, mas os mesmos gritos me acordavam e me diziam que a dor iria passar... 

As lágrimas que derramo agora não podem sintetizar o que senti naquele momento que soube de sua morte: negava as notícias até o Mike se pronunciar e, quando o fez, caí no chão do banheiro, nua após um banho, e chorei. Sufoquei-me em gritos desesperados, então arranhei todo meu corpo até sangrar. Foi injusto o que você fez e eu te digo o porquê: você era meu modelo.

Sofro depressão desde muito pequena, então sempre quis alguém para me espelhar e superar a dor que constantemente eu sinto. Sei que a morte de alguém próximo pode abalar, sei muito bem, foi com a morte que perdi meu primeiro modelo, a mulher que me salvou na primeira vez que tentei suicídio e levei muitos anos para aprender a conviver com essa dor e saudade. Porém, aos poucos, encontrei outro modelo de superação num dos meus primeiros amores de infância, ele teria passado por mais dores na vida do que eu poderia imaginar e, esse, era você. Por anos sua voz e seus gritos me puseram no caminho. Quando eu atentava com minha própria vida, sua voz estava lá para me despertar, não era isso que eu queria, eu queria viver, mas viver sem dor e sem sentimentos engasgados, chorados no chão de banheiros... Imagino que era isso que você também queria naquele momento: viver sem dor. 

Bem, agora você vive sem a dor, mas e eu? Tenho que superar mais uma morte de um modelo. Como poderia suportar a dor se a voz que me acalmava era o que me dava mais dor? Por muito tempo me recusei ouvir qualquer música com sua voz, pois chorava. Cheguei a chorar no meio do shopping quando uma loja tocou In the end. Doeu, e ainda dói, mas já ouço novamente sua voz. Ouço os gritos de socorro abafados no som de suas canções e me entristece saber que a dor venceu e não você.

Sua esposa lançou a marca e a hashtag "#MakeChesterProud" na luta contra a depressão. Acompanho a luta diária de Talinda e seus filhos na superação de sua morte e na ajuda e suporte às outras pessoas que sofrem de depressão. Quis por muitas vezes participar enviando fotos e vídeos, mas todas as vezes que tentei chorei por ti. Foi-se mais uma história que teve de morrer para ser ouvida atentamente.

Chaz, eu sei que dói o que sentimos, mas eu quero e muito seguir o caminho inverso. Sei que você teve uma família e amigos maravilhosos que sabiam de sua condição, uma companheira que te apoiava independente se o dia foi bom ou ruim e sei que por muitas vezes você pediu ajuda e, as vezes, parecia que nada adiantou. Começo a ter as condições que você teve em vida: minha família e amigos estão cientes e são maravilhosos, um companheiro magnífico que me apoia e estou procurando ajuda. Sei que uma hora voltarei a ater meus altos e baixos novamente, mas não quero que minha dor vença para que ela seja ouvida.

Em honra à memória à você escrevo essa carta para dizer-lhe, onde quer que você esteja, que eu não desistirei e viverei para tocar a vida das pessoas à minha maneira, tal como você um dia tocou a minha. A minha e a sua história serão para sempre ouvidas.

Atenciosamente de uma fã que te considera amiga,

Ana Luiza Pereira