Carta à vida


Querida vida,


Responda-me: desperdicei minha vida? Fiz tudo em vão?

Ao tentar pensar numa resposta sensata para essa pergunta, não faço nada além de comparar a vida que passei com a vida das pessoas ao meu redor. Pessoas que sabem como é o mundo lá fora, enquanto eu desperdiçava o meu tempo desvendando os mistérios do meu mundo intrínseco. Hoje, vendo tudo o que passou, pensando em tudo que eu perdi, penso se realmente valeu a pena...

Não há uma resposta concreta senão aquela que carregas, mas não sei por que penso nisso e, pensar nisso, a pergunta me consome e me chateia. Por que perdi tanto tempo assim? Posso culpar meu jeito em várias coisas, até mesmo em meus pais e sua superproteção, porém, a verdade é uma só: a verdadeira culpada sou eu. Fiz minhas escolhas e acabei me enclausurando com elas, hoje, só posso ver o que perdi.

Vida, esta é mais uma de suas armadilhas?

Estou tentando aprender a olhar para frente e seguir o conselho daqueles que amo, mas me obrigas a olhar para trás e me machucar com isso. É difícil mudar depois de todos esses anos sendo a mesma pessoa. Ainda assim, eu tento.

Quero me vendar. Não enxergar mais o que me mostras que perdi, mas as coisas boas que aprendi. Os sorrisos, os amigos, os conselhos e esquecer as lágrimas. Sei que parecerá que sou a mesma pessoa de sempre; aquela que foge dos seus problemas até eles virarem uma gigante bola de neve, mas não. Nesses anos todos Deus tem me mostrado a força que tenho, embora o mundo escracha minhas fraquezas e meus defeitos.

Então, decreto a você, minha amada vida, que se esta for apenas uma crise qualquer, como tantas outras que passei, irei enfrentá-la. Se necessário, irei chorar, irei me indagar (mesmo que eu não obtenha uma resposta ou me conforme com “alguma”) e irei superar como superei tristezas e indagações bem piores.

Atenciosamente,

Da pessoa que sempre soube que a vida não é nada fácil.

Ana Luiza Pereira

Matem o poeta


Quero morrer!
Sim, desejo a morte.
Mate-me na minha heresia
Antes que eu veja o crime com meus próprios olhos.
Mate-me, pois minha maldição me consome.
As palavras vêm como a angústia diante do precipício.
Mate-me! Mate-me já!
Desejos reencontrar a morte,
Amiga minha - querida e maldita.
Diga-me: onde estais?
Onde está a morte que quero encontrar?
Maldita, negra, fria...
Empregada dos ditadores de meu mundo.
Ó morte, negra e fria amiga vagante, onde estais?
Mate-me! Desejo vagar como alma errante e um corpo frio
Debaixo da terra, deitado e desintegrando-se
A estar de corpo presente, alma e ouvidos abertos vendo o maior crime do meu mundo.
Não... não... não! Não quero mais ver os crimes que matam minh'alma.
Ó morte, leve meu corpo!
Peço... Imploro... Suplico: Leve-me! Mate-me!
Mate-me antes que me interpretem,
Interpretem minha forma, meus gostos, gestos e palavras.
Mate-me, pois já matam o poeta,
Matam minh'alma...
Leve minha vida!

Ana Luiza Pereira

Filosofia de hoje


Hoje vejo o céu de outra forma,
mesma cor, só que mais claro,
mais brilhante.
Hoje eu sorrio de outra forma,
mesmo jeito, só que mais feliz,
mais radiante.
Se me perguntarem o porquê,
direi que aprendi a filosofia de me convencer
que nada pode me abater.
"Hoje será o dia mais feliz da minha vida"
disse meu reflexo do espelho para mim após o banho.
E se me perguntarem como estou,
direi que estou bem,
estou zen,
estou leve e com muita vontade de ser feliz!

Ana Luiza Pereira

Uma pedra no meu coração


Havia uma pedra amarga no meu coração,
Uma pedra no meu caminho.
Uma pedra pesada para os meus braços fracos carregar,
Dura para meus pés sensíveis chutar...
Quase uma rocha.
Uma pedra que faziam meus olhos secarem
De ódio e de lágrimas.
Uma pedra.
Uma pedra que me fazia querer gritar,
Mas ninguém poderia saber daquela pedra ali.
Não sabia como contornar a pedra e deixá-la para trás,
Então, sentei-me e escrevi este poema.
Um poema que seque as lágrimas que não posso chorar
E ouça os gritos que não posso dar.
Ninguém pode saber dessa pedra que pesa em meu coração.
Quando eu souber tirar essa pedra do meu caminho,
Poderei seguir em frente sem nada a temer.
Mas, preciso crescer um pouco mais para isso...
Então, sento na pedra e espero o tempo passar olhando para a mesma.
A solução vai vir... 
Tantas pedras no caminho não me abateram,
Por que seria tão especial para me abater?
Tempo, 
Mostre-me a solução para retirar a pedra no caminho do meu coração!

Ana Luiza Pereira

É preciso perdoar como se não houvesse amanhã


Hoje, ao pensar, me veio a vontade de dissertar sobre pecados. Toda vez que erramos, dizemos a célebre frase clichê: "errar é humano", por mais animalesco que o erro possa ser ou vir se apresentar. Bem, a ciência diz que o que nos define diferente dos animais é toda a complexidade química e patológica do ser humano. A psicologia diz que a diferença está na existência de uma consciência. Mas, em todas as ciências advertem a existência do lado animalesco em nós.

Contudo, isso não nos faz menos filhos de Deus. O que nos afasta do caminho de Deus é, sem dúvida, o pecado. O pecado não pode só apenas nos afastar do Pai, como nos fazer com que nos percamos no mundo sem escrúpulos. E, enquanto perdidos, não conseguimos ouvir o irmão que está do nosso lado que nos convida a ir à igreja, não conseguimos ouvir o padre ou a Palavra de Deus na missa. E, podem ter a certeza, todo Santo Domingo a Palavra de Deus irá se encaixar em nossas vidas, como um aviso para que aprendamos algo.

A verdade é que, por mais que os pecados sejam provenientes de algum tipo de desejo ou raiva, nossa maior arma é o perdão. Só perdoando a si mesmo e ao próximo que conseguiremos alcançar o perdão de Deus. Só sabendo perdoar é que conseguiremos ter uma vida santa. E, quando digo "santa", não digo no sentido mais puro da palavra que é "uma vida sem pecados", como Maria, mas uma vida digna que busca não pecar e que, às vezes, acaba conseguindo como foi com Santo Agostinho. Cada encontro com o Pai é um recomeço, porém, esse recomeço não serve de nada sem que perdoemos a todos, inclusive nós mesmos, como o Pai nos perdoa.

Ana Luiza Pereira