Em excesso


Não dá. Eu não sou uma escritora de equilíbrio, mas de excessos. Só escrevo em excesso de mim mesma em alguma situação qualquer. Se penso demais sobre algo, escrevo. Se sinto demais algo, escrevo. Depende muito, mas posso virar escritora de foça ou de livro de auto-ajuda. É o meu estado de espírito que define o quanto escrevo e o que escrevo e é sempre em excesso de mim mesma. Até quando eu canso de mim, escrevo! Afinal, foi assim... Num excesso de mim que eu aprendi a escrever, estar sempre em contato com o papel e a caneta e o meu íntimo que, até hoje, não conheço direito. Vivo em excesso,sinto em excesso, até escrevo em excesso! Não sei escrever sem ser assim, é o que me define, é quem eu sou.

Ana Luiza Pereira

Somos cristãos?

Cristão.
Uma palavra que é difícil ser sua fiel definição nos dias de hoje.
"Vivemos no mundo, somos do mundo, mas pertencemos à Cristo" - o verdadeiro lema cristão.
Contudo, muitos andam e olham a realidade como se não fosse sua.
Cristo salvou à todos.
Estamos vendados para o mundo e vivemos exclusos no nosso mundo de luxos.
Luxos mundanos que o próprio Cristo manda-nos largar tudo e segui-lo.
Não somos capazes de realmente segui-lo enquanto não pudermos acolher e abraçar o irmão sem o preconceito.
Sem a venda daqueles que pensam que todos que pedem dinheiro é por drogas.
Quem somos nós para julgar?
Somos apenas filhos do Juiz Supremo.
Nossa realidade não está distante da realidade do nosso irmão, pois em apenas num segundo, tudo que é do mundo pode se perder, enquanto tudo o que for de Deus perdura para sempre.
Somos capazes de fazer sempre o bem sem olhar a quem?
Sem termos uma "cota"de bem por hoje?
Somos capazes de sermos cristãos mais do que simples palavras de profissão de fé?

Ana Luiza Pereira

Reencontro

Nunca pensei que fosse assim; um reencontro entre amigas queridas que há muito não se viam. Não sei muito o que falar, mas tentarei descrever aqui:

Vi o passado sob meus olhos e pude perceber a diferença do que éramos e do que nos tornamos. Muita coisa mudou: nossa convivência e pensamentos não são mais os mesmos.

Pude ver os antigos risos de coisas banais, quedas, escorregões, brincadeiras infantis. E agora, a seriedade domina, mas ainda não desaprendemos a rir.

Pude ver lágrimas de dor, saudade e afins. Pude ver o ombro que, por culpa do futuro, desapareceu, mas agora recobrei.

Pude ver... Reviver, sentir. Foi mágico e verdadeiro. Mas não foi comum. Culpei, e muito, o futuro sempre desesperado e nefasto que, de má fé, separou grandes amigas. Até perceber que não foi culpa do futuro.

Sim, muitas coisas aconteceram e passei muito tempo afastada de grandes amigas minhas, mas, se pensar melhor, digo que foi necessário. O tempo levou muito da inocência e da bobeira de criança que era, mas se ele nos trouxe de volta, nem que seja numa conversa qualquer numa tarde, é porque ele queria saber o quão verdadeira era a amizade e por quanto tempo ela suportaria.

Não foi culpa do nefasto futuro levar amigas preciosas para longe, nem de seus pais ou por opção de estudo. Não foi culpa de ninguém. Posso sentir saudades do que éramos e do que fizemos  (e senti, como sinto até hoje), mas o amadurecimento de uma amizade não se prende a passados, apenas vive o presente sem o medo da grande surpresa do futuro.

Ana Luiza Pereira
Dedico as minhas amigas que o tempo afastou: Bruna Gomes, Elza Caroline e Diulia Tex.

Retorne...

Dias passam, horas, minutos e segundos. E a cada instante, a cada respirar, meu coração aperta mais e mais. Vivo a pensar no retorno de quem amo e do meu sorriso, da minha maior inspiração. Porém, enquanto não volta, meu coração aperta e meus olhos se enchem d'água. Não sei bem o que fazer, me sinto presa num tempo remoto, no qual, nunca aprendi a viver. Vejo cinza e embaçado, pois minhas lágrimas a todo instante estão comigo. Minha esperança se esvai com a minha fome e a minha sede. A tristeza aparece súbita como num sono da Bela Adormecida. Quero você... Volte! Não quero ter que adormecer para conseguir suportar a espera do retorno do seu beijo.

Ana Luiza Pereira

Desabafo de um coração apertado


Sinceramente, pensei que nunca mais escreveria sobre esse assunto em relação a vivos. Não digo que a melancolia me pegou de jeito, porque não foi. É apenas uma tristeza gerada pela saudade. De saudade gerada pela distância. De uma distância temporária gerada pelo bem.

Não reclamo pela partida, mas o que a partida gerou. Eu simplesmente me sinto num eterno final de semana, no qual, um de nós precisa estudar para uma prova incrivelmente difícil, quando nossos contatos são resumidos a simples mensagens periódicas no celular. Ainda assim, sinto saudade de sua presença.

Já me perguntaram, muito mais de uma vez, se não enjoo de estar em constante contato contigo. Eu simplesmente respondo não, às vezes, deixo perguntarem, pois sei que não ouviriam a minha justificativa. Eu amo estar em constante contato com você, porque assim, não ficaria com a cabeça vazia propensa a pensar besteiras. Besteiras do tipo: "Por que ele não me responde? Será que ele está com outra?" Não gosto de pensar isso, me gera mal estar.

Está perfeito como está: confio piamente em você e te amo a cada instante. Sinto falta de quando sorri e eu o observo sorrindo ao meu lado. Sinto saudade do calor da sua mão segurando a minha e dos seus lábios próximos aos meus. Sinto falta do seu olhar compreensivo quando sabe que estou prestes a explodir. Enfim, sinto saudade de você. Coisas que tenho medo de um dia não mais existirem, mas as aproveito enquanto há tempo. Afinal, quero que você seja meu companheiro para vida toda. Então, é necessário que eu acredite que, por mais que você viaje sem mim, você sempre irá voltar para que eu abra outra vez meu sorriso. Te amo.

Ana Luiza Pereira