Pena dos estrangeiros nas minhas terras...

Tenho muita pena do Victor por ter escolhido uma namorada que mora tão longe como eu.

Primeiro: as lindas condições de vinda da Super Via.
- Maquinista que não sabe o caminho.
- Pessoas estranhas em trens.
- Vagões sem ar/mapas.
etc.
Segundo: A vista da Rua Campo Grande não melhora nada para quem vem para cá pela primeira vez, principalmente acompanhado de 25 pessoas que não conhecem Campo Grande e não sabem que rua é essa! 
Terceiro: Calor dos infernos com sol escaldante e a sensação térmica acima de 40º desafiando toda e qualquer lei da física.
Quarto: Meus pais reagiram super bem, até se preocuparam com ele, mas querido irmão fazendo cara de mau para tentar assustá-lo... sem comentários.
Quinto: West Shopping, sem mais. (Ao menos o milagre do ar do West Shopping estar funcionando aconteceu!!!!! \o/)
Sexto: O filme que o meu querido namorado me obrigou a ver... Por ser do gênero de terror, saiu do cinema todo marcado de unhas por causa dos meus sustos.
Sétimo: Pessoas estranhas de Campo Grande que metem o cacete no coleguinha que assusta ela no meio do filme de terror! (sério! essa cena foi hilária!!!)
Oitavo: A volta para casa... Sem trem e não sei como ele conseguiu achar o ônibus de volta, mas ok...

Porém, a verdade seja dita: vir à Campo Grande é sempre uma grande aventura! Histórias (algumas hilárias, outras bizarras e outras tristes) sempre hão de acontecer em qualquer viagem de vinda para cá. É a terra mais bizarra que eu conheço (por enquanto)! De qualquer maneira, espero que Deus te guarde na viagem de volta para casa, amor!

Ana Luiza Pereira

Carta ao meu player 1

                        Victor,

            Não sei por que escrevo uma carta, afinal, está tudo muito rápido (como a batida do meu coração). Desculpe os garranchos, está de noite e eu sei que a minha letra não é lá essas coisas. Eu sei que você gosta da minha letra (assim como eu inteira), por isso recomendo procurar a ajuda de um psicólogo, pois seus problemas mentais estão indo para o estágio avançado.
            Na verdade, esta é uma carta de desculpas. Sei que sou chata (e com o tempo piora), mas essa sou eu, “a reclamona” – como você diz. Eu me sinto péssima quando você “me põe de castigo”, fico pensando: Meu Deus! O que eu fiz de errado? Não quero que ele fique mal comigo... =( Embora eu saiba que, ao final do dia, estará tudo bem.
            Sério, eu tento dar o melhor de mim e ser o melhor de mim. Porém, eu simplesmente não consigo. Nunca acho que é bom o suficiente (seja para você, meus amigos, minha família e o resto).
            Então, peço, por favor; me contagie! Me contagie com tudo de bom que você é e tem: sua força, sua tranquilidade, seu carisma... Apenas me transforme no melhor que sei que posso ser do seu lado.
            E, por mais que você não me entenda as vezes, saiba que é só necessário para você saber que eu te amo e prometo estar do seu lado, afinal, é o mínimo que eu poderia fazer por alguém que me faz sentir completa.

Obrigada por me fazer tão feliz!

Ana Luiza Pereira

(sua player 2)

Minha infelicidade de não ser

Não sou poeta.
Nunca fui e nunca serei.
O poeta de verdade é boêmio,
se entrega verdadeiramente aos amores que sente
sem olhar para as consequências de seus atos.
Infelizmente, não tenho coragem para isso.
É instintivo a fuga de uma coisa 
que já sabemos previamente 
que não dará muito certo
(ao menos antes do fim).
A única pessoa em nossas terras e campos
que viveu e morreu como um verdadeiro poeta que era
foi Vinícius de Morais.
Fora ele, todo o resto, incluindo eu, é apenas um protótipo de poeta.
Um poeta de gabinete
que senta sua bunda numa cadeira e escreve
seja lá qual for a verdadeira razão de suas palavras.
Ou, como pode ser melhor definido;
um poeta intrínseco sendo excluso em vocábulos no papel.
Não sou poeta.
Não crio algo novo, muito menos sinto algo novo.
Apenas recrio, reciclo, modifico, ressinto...
Portanto, poeta é algo que eu nunca serei.

Ana Luiza Pereira

A desgraça de Erato

Não ouço mais aedos da Filha do Crônida.
Erato de seus belos lavores calou-se
aos ouvidos dos grandes e célebres rapsodos.
"Donde vem belos cantos seus que silêncio se ouve
agora na sua boca fechada?", perguntas ao poeta desgraçado.
Há mais tristeza nesses tempos em que
Erato aprisionada em apaixonadas redes dos pretendentes da Cípria amante.
Bravo guerreiro este, que desafiara os mais nobres deuses
ao aprisionar o aedo da Filha da Memória para si. Feras e pestes,
dos deuses a raiva pairá sobre o corajoso aqueu sem falta.
Alvitre ouça, querido aqueu, para descansares seus
músculos no leito da deusa Afrodite; sede ardil
entre homens e deuses e conquiste a confiança do Senhor do Olimpo,
Zeus, o senhor dos raios. Porém, não permitas tu que se cale o aedo
na boca do poeta que da Musa espera o canto. Com Erato,
o aedo é mais belo e áureo como o amor mais puro da Pandemônia.
Vá, bravo aqueu, aprisione eros em suas corajosas mãos
e inspire a filha de Mnemosine a cantar os mais belos sussurros
aos rapsodos do mundo sem demora ou hesitação.

Ana Luiza Pereira

Brasileiro

Ei você. Você está feliz com a vida que leva?

Vamos dizer que hoje você receba apenas um salário mínimo. Você é aquele trabalhador assalariado que sai de casa as cinco da manhã, é usuário de transporte coletivo. Assim como você, há centenas de milhares nesta situação. Você passou sua vida toda estudando e crendo na premissa de que os estudos darão a você um futuro melhor, pois bem, seu futuro chegou. Seu futuro está aí. Está feliz? Você se matou de estudar, não conseguiu emprego que queria e agora precisa sustentar sua família. É engraçado como vemos políticos dizendo que querem mudar o país mas eles não conseguem mudar o próprio caráter. Este país está apodrecendo aos poucos. Somos roubados, humilhados, maltratados, eles conseguem até tirar nossa dignidade, nosso orgulho...

200 milhões de brasileiros. Um país grande. 

Enquanto você está acabando de chegar em casa as oito horas da noite, sim, é esse o horário que um trabalhador chega em casa. Ele tem que estar no trabalho as sete horas da manhã. Ele é pai, tem esposa e dois filhos para cuidar. Sabe quando foi a última vez que ele parou para conversar com o filho? Saber se o filho está indo bem na escola? Talvez nunca. A escravidão a qual ele é exercido diariamente traga todas as suas forças. Sabe de quem é a culpa? Nossa.

Um policial sai as 4 horas da manhã de casa para ir ao quartel, no meio do caminho ele vê um assaltante assassinando um cidadão, ele saca sua arma e atira contra o assassino, matando-o. Há algo chamado "direitos humanos" que fará de tudo para que este mesmo policial seja taxado de criminoso. Esses "direitos humanos" farão desse policial um criminoso. E mais uma vez, de quem é a culpa? É nossa. 

Somos culpados por não exigir leis mais rigorosas contra corrupção, assassinato, roubo. Somos culpados. Mas você sabia que temos o maior poder de todos? Um poder que pode mudar eras, um poder que pode destronar poderosos. Nós temos uma ideia, nós somos um ideal. Uma convicção.

Uma convicção não tem pele, uma convicção não tem sangue. Ela não pode ser morta, não pode ser destruída. Somos capazes de criar um mundo inimaginável, de fazer nosso país crescer além dos céus. 

Você acha mesmo que apenas alguns políticos são capazes de deter um ideal? Acha mesmo que eles teriam coragem de ir contra o seu país? Um país é feito do seu povo. Não é o povo que tem que ter medo do Governo. É Governo que tem que temer o povo. Pois o suor derramado do trabalhador lavará o Espírito deste país. 

O destino está aí. Cabe a você moldá-lo. Cabe a você decidir se você vai lutar ou se você vai ser apenas mais um a sorrir enquanto seu coração chora por um futuro melhor.

Autor Desconhecido