Ele vs. Ela (XII)

Ele: Admita que você está apaixonada por mim! risos

Ela: Como posso admitir tal injúria que apontas para amim, caro amigo? Admito sim, te amar e estar de sentinela quando me pedires um zelo, abraço, afago ou outrem. Mas paixão não habita mais este corpo que a Deus tento entregar todos os dias, apenas encantamento. Encanto pela vida e o que há de mais valioso nela, encanto por minha família e amigos. Se chamas isso de paixão, é o seu conceito e a sua verdade, mas saiba que de mim o sentimento é bem mais singelo.

Ana Luiza Pereira

Cante, Musa! Cante!

Cante, ó Musa, os amores daquele que cria.
Os amores da carne flagelada pela Pandemônia e seu eros.
Cante, Erato amada, ao som da lira límpida
à luz prateada da noite, o som dos amantes desgraçados,
dos corpos entrelaçados pelo amor mágico de Afrodite.

Cante, ó Musa, as tragédias de eros.
Cante aos ouvidos de quem ouve
os malefícios de amar demais, matando sua criação por um amor.
Cante, Melpoméne divina, histórias de amores que não eram para acontecer
e seus fins, trágicos ou alegres, com toda sua tensão e catarse.

Cante, ó Musa, as comédias dos antros,
O escárnios de demos, os movimentos dos hipócritas.
Cante, Thalía querida! Inspire os hipócritas dionisíacos
em seus escárnios a pólis e a diké
e a brincadeira do riso e movimentos.

Cante, ó Musa, ao deleite dos sons límpidos,
cante ao som da lira prateada ao ouvidos de quem faça ouvir.
Cante, Eutérpe, filha do Crônida, e faça esses homens,
em vorazes banquetes em honra a Zeus pai,
se deleitarem ao som da mais divina música que cantares.

Cante, ó Musa, as danças festivas,
inspires os mortais a não esquecerem as danças dionisíacas,
inspires os gineceus a dançarem como ninfas em densos bosques.
Cante, ó Terpsicóre, as alegrias e os sorrisos
entre ritos e movimentos de cultos aos deuses mais viris.

Cante, ó Musa, os acontecimentos com epopeias e liras.
Cante as forças dos deuses nas guerras
e sua bondade com os antros ferozes sedentos de sangue.
Cante, Kallíope grandiosa, com sua bela voz as épicas batalhas que os Dânaos,
com a ajuda magnânima divina, enfrentaram durante sua  existência.

Cante, ó Musa, os heróis que por aqui passaram,
cante seus corpos resplandescentes ao sol e sua virilidade,
cante, Klío, filha de Zeus, os feitos desses heróis que hoje
batem à porta do Hades à espera de um funeral honroso, pranteado,
enquanto na terra vilipendiam seus cadáveres.

Cante, ó Musa, os hinos desta terra que dá cereal para nossos estômagos
e vinho para nossas gargantas secas,
cante, Polimnía, os hinos dos homens aos deus,
que abençoam a terra e nos dão o que comer,
que nos aconselham e nos dão o que festejar.

Cante, por fim, ó Musa, as estrelas que por esses céus
nos cercam e nos presenteiam. Presentes de Zeus para iluminar
a noite mais sangrenta e escura que possa existir.
Cante, Ouranía celeste, as constelações que guiaram os argonautas
e que guiam os pastores em seus lavores terrestres.

Cante, Musas! Cantem todas!
Sem suas divinas vozes, de nada seremos, de nada criaremos.
Cante a nós, meros mortais, merecedores de pelas músicas e danças,
merecedores de belas histórias e amores,
merecedores de poesias líricas e bons hinos,
merecedores do bom teatro.
Cante aos antros seus feitos, filhas de Zeus pais, o Crônida.
Cante nossas histórias para o nosso bom deleite.
Inspire-nos, filhas da divina Memória! Fale aos nossos ouvidos,
para podermos ser heróis criadores e contarmos aedos no deleite de nosso banquete.

Ana Luiza Pereira

Aedo do criador



Canta, ó Musa, os lavores do criador;
filho jônico de sua descendência que por séculos canta aedos heroicos.
Lembra-nos, filhas de Mnemosíne, 
os grandes feitos de seus lavores
que por séculos deixou-nos as histórias que contastes.

Cante, ó Erato amada, aos ouvidos desses tolos
os lavores dos criadores que eternizam as histórias.
Faça reconhecer, filha do magnânimo Zeus, o Crônida,
nesse tolo povo o verdadeiro reconhecimento dos poetas que hoje
habitam o palácio Olímpico junto aos deuses, enfeitando os céus de estrelas menores.

E a mim, poietés, o aedo pelos deuses desgraçado e por vós lembrado,
peço-vos que cante aos mortais, filhas da divina Memória, os lavores e penares
que este mortal passa ao cantar aedos esquecidos 
e por insolentes mortais rejeitado.
Zeus regozije em sua fúria àquele que não ouvir suas divinas filhas!

Ana Luiza Pereira

Vamos fazer uma dicotomia (não-sausseriana)?


O homem é produto do meio.
(Entenda como "meio", em estágio inicial, a família que deu criação para o futuro homem ou a futura mulher)
Em uma certa idade, deixamos de ter anomia, passamos a criar consciência e regras do meio que nos impões e assim crescemos. 
Então, começamos a ter contatos com outros indivíduos de diversos meios.
A anomia vira heteronomia e, inconscientemente, imitamos o(s) meio(s) que convivemos.
Contudo, a experiência gera indivíduos autônomos no meio de indivíduos papagaios - que fala, pensa e age de acordo com o meio que convive -, tal experiência é capaz de gerar indivíduos novos, com a plena ciência que o homem não se deve influenciar pelo meio.
Pessoas que tem a ciência que o meio é apenas o meio, fazemos parte dele, mas, somos dele? Pertencemos ao meio?
Se sim, seremos todos iguais em pensamentos e modos de agir. Somos iguais?
Bem, não me aprofundarei.
São questões como essa que deixarei ao futuro, para que uma pessoa autônoma de pensamento a responda e referencie esta linha de pensamento tão complexa apesar de terem uma ligação, no princípio.
E, assim como foi com a famosa arbitrariedade de Saussure, que este pensamento seja lembrado por décadas, séculos e repensado sempre:
Somos produto do meio ou do que queremos ser?

Ana Luiza Pereira

Experiência


É engraçado seguir em frente e não olhar para trás por um bom tempo.
Se libertar das amarras do passado, aprender a sorrir com o coração e não só com os lábios.
É engraçado mudar sem perceber e, ao olhar para trás, ver seus erros e perguntar:
"Sério que já fui assim?".
É legal ver que o seu passado e seus erros se tornaram uma escada para o que você é hoje,
assim, você vê o quanto subiu e o quanto precisa subir.
É legal se tornar sábio da sua vida e fazer dos seus erros, suas vitórias íntimas.
É legal compartilhar suas experiências e dizer: "Eu vivi...".
Bem, eu sou jovem, então, tudo isso para mim é legal.
Assim, como, está sendo imensamente satisfatório envelhecer saboreando a vida.
Assim, poderei compartilhar aos meus futuros netos o valor dos degraus que a vida tem.

Ana Luiza Pereira