Como fui parar assim?
Virei-me mariposa a ser atraída pela luz do fogo.
Virei-me Ícaro a ser atraído pelos céus e pelo sol.
Virei-me borboleta a ser atraída para o mais longe de seu casulo.
Virei-me Narciso a ser atraído pelo seu próprio reflexo.
Virei-me...
Tornei-me um desconhecido para mim, pois não sou mais uma pessoa,
Tornei-me sentimentos.
Estou fadado a viver com isso por muito tempo, e assim será.
Viverei o desconhecido efêmero da vida sendo quem tornei-me.
Afinal, não é esse o prazer e o mistério da vida?
Conhecer o desconhecido, até mesmo, quando ele se torna si próprio.
Desejo-me sorte,
Porque viver sentindo é ser mártir de mim mesmo.
Contudo, até os confins sentiremos...
Esta é a pele e o coração que habitamos;
Sentir é ser humano...
Ana Luiza Pereira


