Acenda a luz (música do Rosa de Saron)


Já se sentiu tão fraco, sozinho flutuando pelo ar?
Sem nenhum lugar em vista pra pousar?
Já se sentiu vazio, perdido e procurando um cais seguro?
Um mundo em que pudesse se encaixar?

Pra acalmar sua alma, seus sonhos libertar
Mude as vozes que soam em você,
Há mais caminhos para percorrer
Conquiste tudo que é seu, sem medo de sofrer

Acenda a luz e deixe brilhar
Agora é sua vez de se encontrar
Acenda a luz e deixe brilhar
Se ame pra que eu possa te amar

Já se sentiu estranho, gritando sem ninguém pra escutar?
Como se o mundo inteiro fosse te julgar?
Já se sentiu pequeno, sem forças pra lutar, fingir?
Abra a porta se ela não se abrir

Não deixe ninguém insistir que você não sabe e pode conseguir
Não desista de nunca desistir

Rosa de Saron

Promessa do Ano Novo

Penso como foi minha vida esse ano,
Comparei com anos anteriores
E vejo que muito mudei 
Pra melhor? Não sei.

Me fechei pras pessoas,
Me calei perante as coisas,
Abaixei minha cabeça quando me apedrejaram.

Em compensação,
Descobri quais são amizades verdadeiras,
Não usei mais pessoas para meu próprio ego,
Aprendi a ouvir mais, mesmo que eu não concorde com o que dizem.

Mas ainda sou humana,
Muito errei sendo assim ou assado.
Então, nessa reflexão do melhor de mim, eu digo;
Deixarei para trás tudo de mal que fui e resgatarei tudo de bom.

Me socializarei mais,
Assumirei mais compromissos,
Serei mais responsável pelos meus atos e palavras,
Seguirei em frente apesar dos pesares de cabeça erguida.

Afinal, é pra isso que serve Anos Novos,
Deixar para trás o que foi ruim e sempre tentar ser o melhor de você.

Ana Luiza Pereira

Natalidade


Todos esperam essa época do ano. Para a maioria das pessoas; é a época mais feliz que tem, pois é a época de dar e receber presentes. Para alguns; não é tão feliz assim, pois é a época que a TV mais mexe com nossa cabeça, nos deixando cada vez mais supérfluos. Para outros; é um dia comum.

Mas não é só isso... Vejo nos filmes e maratonas de seriados, Hollywood tentando exprimir o verdadeiro significado do Natal, mas eles sempre deturpam com a imagem comercial dessa época: o Papai Noel. Sendo que, na verdade, o verdadeiro Papai Noel, São Nicolau, foi uma figura que representou a caridade cristã perante homens pagãos na Idade Média.

O fato que venho exprimir é uma coisa que todos sabem: Natal é tempo de família. Tempo das pazes, tempo de sorrir e abraçar, tempo de cuidar da família que tens. Tempo de ver todos como uma família só e ser humilde e dar ao seu irmão que não tem luxo algum, e não a quem já tem ou é da sua família de sangue. 

Esqueçam o presépio e a árvore. Olhe em você: é você que espera pelo Natal e, provavelmente, por Cristo que vem. Quais seus defeitos? Você quer mudá-los? Então, lhe darei a primeira dica: prepare seu coração. Cristo habita em nossos corações para sempre, mas renasce em nós em cada Natal, Páscoa e afins. Seu coração é uma manjedoura de Cristo? Deus gosta dos servos mais obedientes e humildes, se nosso coração é soberbo, egoísta e mesquinho, com certeza, nesse Natal, Cristo não nascerá em nós.

Eis o maior segredo de Deus: NÓS somos o presépio vivo. Mas não transbordamos essa alegria sendo estrelas guias a outras pessoas. Até mesmo em nossa família, quantas e quantas vezes nesse ano ela precisou de Cristo e você não mencionou seu nome? Se Deus não preza a família, o Filho do Homem apenas teria descido dos céus.

Então, amigos, zele pela sua família e pela natalidade de Cristo que habitará em você. Seja Maria, José, Rei mago e estrela guia desse Cristo. E tenha um Feliz Natal!

Ana Luiza Pereira

Uma esperança (escrito por Clarice Lispector)



Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

Clarice Lispector