Comunhão

Toda vez que ouço a palavra "comunidade", me lembro da ideologia de Marx e Engels de uma sociedade comunista, onde tudo é partilhado igualmente. É uma sociedade utópica, já que o ego do ser humano, uma hora, vai superar seus preceitos e conceitos de igualdade social.

Uma união numa comunidade é feita por ideologia, local, regras, patrimônio socio-cultural iguais em algum lugar (segundo a sociologia). Porém, nada disso é capaz se não houver respeito. Uma visão igualitária não é só a partilha de bens, mas também partilha e respeito de ideologias e conceitos diferentes.

Contudo, o ego humano é tão grandioso e se torna tão magnânimo em certo momentos que nos falta humildade de assumir que não somos capazes de tudo sozinhos, que necessitamos do próximo como ele é. Isso acontece em todas a comunidades, inclusive a cristã, fazendo com que o sonho do comum e da unidade seja uma utopia realizada as avessas, pois somos humanos e temos o direito (do livre arbítrio) de errar para conseguir acertar, progredir e fazer crescer algo que nos convém.

Ana Luiza Pereira

Quando algo sufoca...


                Sinto-me cansada. Hoje, só ouvi reclamação dos meus pais e, ultimamente, por mais que coisas boas também tenham acontecido, as más têm se sobressaído...
                É tanto problema que o superprotecionismo só tem me afetado. Ontem, admito que chorei e hoje estou chorando mais ainda...
                Não é porque eu sou (bastante) preguiçosa que ainda posso ser considerada criança. Não é porque eu não anuncio minhas decisões que ainda posso ser chamada de criança. Não é porque, às vezes, insisto em algo (até brigo por causa dele) que sou ainda uma criança. Sim, tenho corpo de mulher, mas minha mentalidade ainda é de adolescente. Eu fico presa em casa, saio sempre com as mesmas pessoas, é por isso que meus gostos são “anormais”. Como terei experiência de vida se mal me deixam voar para fora do ninho?
                Sinto uma vontade desesperadora de fugir desse ninho e dessa superproteção. Pode ser para o meu bem, mas me sufocar não é mais uma opção. Cada um tem seu jeito e seu tempo para crescer e amadurecer, andar pelas minhas pernas bambas é o meu, mas como faço se autorização não tenho?
                Estou cansada de estar presa nessa redoma, de ser uma boneca de porcelana e não fazer nada. “Deixe o passarinho avoar que uma hora ele volta para casa...”

Ana Luiza Pereira

Era uma vez amizades...


Era uma vez
em que a tela do computador 
não separava amizades sinceras

Em que os risos e gargalhadas
davam cor 
e alegria aos que participavam

Era uma vez
em que confiança era algo simples,
bonito e compartilhável

E, contar com aquele amigo
que mora longe, 
era algo reconfortante

Era uma vez
em que encontros 
nas redes sociais eram rituais

E que, muitas vezes,
não falar "oi" as pessoas que você gostava 
lhe fazia perder o sono

Era uma vez
um quarteto inseparável
que foi separado com o tempo
e que agora só resta amor e saudade...

Ana Luiza Pereira
Dedico a Júlia Santos, Edmilson Jerônimo e Kérisson Wemerson.

Aqueles olhos

Um dia ao andar na rua, sentei-me para descansar. Estava um sol escaldante do meio-dia e resolvi pegar um ônibus para encurtar o longo caminho para o meu destino. Espertamente, pus os fones de ouvido e comecei a ouvir música.

O meu ônibus passa, eu entro e, por um milagre, sento no último lugar vazio atrás. Mas logo o ônibus enche, o empurra-empurra começa e o falatório também. Deus abençoe os fones de ouvido!

Começo a ler um bom livro... E num mera reflexão, após ler sobre a aparência e o jeito de uma das personagens, ela se prostrou a minha frente em pé. Ela era igual a personagem descrita no livro... Olhos cor de ébano, cabelo longo e um pouco repicado cor de madeira molhada, perfumada em rosas e pele doce num tom de seda. Era perfeita como a personagem. Seus olhos sérios fitavam ao longe da paisagem da janela e eu a fitá-la descaradamente...

Vez em quando, ela olhava a mim e eu voltava meus olhos ao livro, fingindo voltar a ler enquanto minhas bochechas queimavam por baixo da minha pele. Por um instante, tentei ver a nacionalidade do autor, para ver se ele havia se inspirado naquela garota de colegial perfeita de olhos penetrantes, mas não. Ele não era do meu país e nem havia, porventura, visitado. Era uma mera coincidência vê-la no ônibus em pleno dia de sol rachante enquanto lia tal livro que a descrevia.

Mas meus olhos a ela pertenciam e seus olhos pensantes penetravam a quem via, por mais que ela não nos olhasse diretamente. Meu devaneio foi cortando quando, por seu descuido, seu celular cai perto do meu pé. Eu pego e a entrego. Ela me agradece sorrindo, um sorriso lindo, branco e puro enquanto eu fiquei sem graça.

Porém, tudo o que é bom acaba. Ela desce e logo eu também. Mas aqueles olhos... Aqueles olhos penetraram em minha mente e eu nunca mais esqueci da personagem do livro que li.

Ana Luiza Pereira

Tipos de amigos

Digo que você pode usar seus amigos para três coisas: serem degraus, apoios ou pilares. Nos degraus pisamos para subir e tentar conseguir algo, nos apoios descansamos as pernas por estarmos demasiados cansados e nos pilares construímos algo tão forte e tão sustentável capaz de durar uma vida inteira. Já fui degrau, sou apoio e um pouco de pilar para algumas pessoas. Ser degrau é doído, ser apoio é cansativo, mas ser pilar... Por mais que você possa se estressar, no final é maravilhoso. Então, usa-me para o que achares melhor, só desejo boa sorte para conseguires o que realmente desejas no final.

Ana Luiza Pereira