Abençoados

Todos de uma maneira geral nascemos com um dom diferente. Alguns passam a sua vida inteira tentando descobrir no que é melhor, outros desenvolvem naturalmente. A verdade é que fomos igualmente abençoados, mas desenvolvemos nosso espírito para coisas diferentes ao decorrer de nossas vidas.

A vida, de uma visão generalizada, toma-se rumos desconhecidos e, portanto, diferentes se compararmos com a vida do nosso próximo. Por isso, nos são dados dons diferentes, para que possamos conduzir nossa vida e até tocar os outros com ele, servindo até como ferramenta de evangelização.

Tenho meu dom, e este é estar aqui e escrever sobre coisas que sei, acho e penso, até sobre as coisas que imagino. Vivo para tocar com palavras e sou muito grata por ter esse dom comigo. E você, já descobriu qual é o seu dom?

Ana Luiza Pereira

Meia hora de entretenimento

Finalmente chegou a época de eleições. Época dos comícios nas praças, jingles altos em horários infortúnios, papéis, placas em casas e outdoors poluindo nossa cidade e confundido nosso cérebro ao dirigir  e, o melhor de tudo, o horário eleitoral gratuito em nossa televisão aberta brasileira no horário da cesta de uns e do jornal de outros.

Sinceramente, o horário eleitoral é o horário do circo. Tem cada jingle idiota ou até mesmo pessoas sem instruções de política que tentam se eleger prometendo mil e uma coisa, mas, no final, não fazem nada só se tentam a releição para continuar no status que estão (quando não viram corruptos...). E eles fazem de tudo para chamar nossa atenção em poucos segundos, se fazendo de bobos, quase se vestem de palhaços para nós acabarmos sendo os palhaços nos quatro anos de mandato.

A verdade é que o número de votos brancos e nulos está aumentando por uma única razão: o brasileiro não vê interesse na política dos políticos. Muitos dos brasileiros estão desmotivados com o andar do país que, por mais que saiba que o voto seja para mudar esse futuro, não confia mais em ninguém para assumir as rédias desta situação de calamidades públicas. O fato é que o brasileiro só luta por aquilo que convém quando convém; só luta quando está em estado de alerta, para aí ele levanta a voz e ser ouvido, fora isso, ele se acomoda no sofá.

Mais do que instrução em nossas escolas e universidades, necessitamos é de uma motivação além das lenga-lengas de promessas eleitorais para melhorar esta situação. A verdade é que realmente precisamos de alguém que se interesse por essa política e faça pela gente o que nós não temos coragem e/ou motivação de fazermos por nós mesmos. Enquanto isso, sentemo-nos em nossos sofás para rir dos palhaços que chamam nossas atenções nessa meia hora de entretenimento televisivo, afinal, como dizia uma música do Engenheiros do Hawaii nos anos 80: "Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada".

Ana Luiza Pereira

Madness (Escrito por Antonio Machado Neto)


Minha dor de cabeça se foi
e com ela
minha lucidez
Minha criatividade era dependente de minha loucura. 
Minha loucura se foi há muito... 
Dentro de mim reside apenas um ser inanimado, 
carente por momentos de adrenalina, 
sedento por vida...
Não há nada que me motive... 
Sou fruto de um passado melancólico e pertenço a um futuro decadente... 
Simplesmente sou inerte a quaisquer que sejam as pessoas que me cercam... 
pois elas nada significam a mim...

"Não necessito de sua piedade... De ti quero somente nada, sou sozinho por escolha e escolhi ficar longe de ti.."

Antonio Machado Neto

Conhecendo Jesus

Toda a vez que perguntam "Quem é Jesus Cristo?", as pessoas automaticamente respondem: "Aquele que deu a sua vida por nós no alto da cruz, o nosso Salvador.". Não estão erradas, porque nós, como cristãos, somos ensinados a sempre ver e reconhecer o lado divino do Cristo, afinal, é dogma. Porém, eu, como pensante, reconheço acima do divino o lado humano de Cristo; o lado que ficou quarenta dias no deserto resistindo às tentações do diabo, O Filho do Homem que se fez humano e soube fazer as escolhas certas, com a ajuda de Deus Pai, e entregar a sua vida a Ele em redenção por nós. Vaticano que me perdoe, mas, para mim Jesus é homem antes de ser Deus Trino.

Quando queremos conhecê-lo, a forma mais clássica é orando, pedindo proteção a Deus e rezando suas orações. Não é assim desde criança? Na catequese, aprendemos que outra forma de conhecer a Cristo é ler a bíblia, pois lá estão seus feitos, sua vida, sua história, seus ensinamentos e seu amor. Mas, e quando nada disso faz com que sintamos que conhecemos esse amigo verdadeiro que é Jesus Cristo? O que devemos fazer? Ir à missa. Uma igreja é um santuário; entrando nela, você entra na casa daquele que é Santo e que quer nos redimir. Não é necessário se ajoelhar perante o sacrário, cantar, participar da missa de alguma forma, apenas pedir perdão e comungar. Pedindo perdão, você  abre seu coração e tem de novo a chance de ser santo(a) como Cristo e, quando comungar, você se torna lar do mesmo e não é mais necessário ajoelhar no sacrário, pois você já é o sacrário de Deus, só basta anunciar o mesmo Cristo que vive em você (e que você nem sempre percebe) à todas as nações da terra.

Ana Luiza Pereira

Canção dos homens (Escrito por Lya Luft)

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar, ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos. E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor, ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

Lya Luft