Submissão

Com certeza, não sou a mesma pessoa que há anos atrás. Mesmo assim, hoje percebo minha relação de submissão para com as pessoas que me importei: faço de tudo para ser a pessoa perfeita para elas. Eu tento ser ao máximo aquilo que quero ser, mas minhas prioridades são sempre ser a pessoa mais confortável aos que amo. Dizem que isso é tem um bom coração, me aconselham até o velho jargão de "seja você mesmo", mas não consigo. Sou aquilo que querem e precisam, mas um dia serei aquilo o que quero ser.

Ana Luiza Pereira

Aprendi com a vida

Aprendi as duras custas que palavras não resolvem tudo, mas podem acalmar as coisas por algum tempo.
Aprendi as duras custas que quem tem o dom da palavra pode convencer qualquer um de fazer qualquer coisa, mas você não pode programar todos a sua maneira e a seu gosto, temos o livre arbítrio para sermos o que quisermos.
Aprendi as duras custas que palavras nem sempre encorajam alguém, é necessário confiança em si e nas palavras que você diz a si mesmo para acontecer.
Aprendi as duras custas que tudo é uma questão de crença, você só se torna aquilo que você acredita ser que é.
Aprendi as duras custas que viver é aprender, por mais que você se machuque muitas vezes.
Aprendi as duras custas que tudo muda, por mais que o "hoje" pareça igual.
Aprendi as duras custas que ser racional nem sempre é melhor alternativa para as pessoas que querem aprender a amar.
Aprendi as duras custas que não é usando pessoas como escada que você tem sucesso na vida.
Aprendi as duras custas que cair é consequência inevitável de qualquer dor de coração partido.
Aprendi as duras custas que tudo é relativo e tem seus milhares diferentes pontos de vista, basta escolhermos qual que nos convém.
Aprendi as duras custas que, às vezes, expor opiniões divergentes gera briga e discórdia, quando devíamos saber aceitar.
Aprendi que no fundo somos todos egoístas tentando ser altruístas (ou socialistas), mas nem sempre a sociedade que vivemos nos deixa sermos assim...

Ana Luiza Pereira

Noite inesquecível (parte 1)

Não lembro de nada. Apenas goles do café da manhã estavam em minha mente. A quentura do café tentava me recordar de algo, mas eu não lembro de nada...

Vou para a aula, mas a ressaca me prendia na cama. O que aconteceu? Procuro roupas na bagunça e vejo meus sapatos de salto sujos, pedaços de vestido e um cordão, onde estive e quem esteve comigo? Visto-me algo bem básico, pego o cordão e vou...

A cabeça dói, a tontura aparece. Quantas eu bebi ontem? Continuei meu caminho até a aula. Bebo água, como um doce, tomo remédio. Acho que eu bebi muitas para a ressaca não passar fácil...

Sento no meu lugar, o professor entra na sala com cara de mal encarado, abro o caderno e deixo a aula para lá. O que aconteceu ontem a noite? Bato a caneta no caderno num ritmo musical, pisco os olhos e uma imagem vem. O que foi aquilo?

A música do lápis muda para uma música festiva. Que balada que eu poderia ter ido? Risos vem ao meu ouvido. Olho ao meu redor, ninguém ri, todos prestam atenção na aula, exceto eu...

- Algo errado? - pergunta o professor de física cortando o meu devaneio.

- Não. - respondo. - Pensei ter ouvido meu nome...

Alguns da sala riem da minha resposta.

- Tudo bem... Preste atenção ou pedirei para que se retire! - disse o professor com raiva pelo meu devaneio.

- Ok... - disse de cabisbaixo.

Assim que começo a copiar a matéria do quadro, algo me acerta. Uma bola de papel... "Vejo que a ressaca está braba hoje..." - é o que estava escrito. A caligrafia era de Kami, minha melhor amiga, com certeza ela saberia as minhas respostas. "O que aconteceu ontem, Kamila?" - escrevi, pedi para que passassem para ela, mas ela não me passou de volta desde então.

A aula de física acaba e a de história começa. Hora da soneca - é o que a maioria da sala pensa e faz. Fiz também.

Meu sonho foi real e incomum. Eu me via saindo bêbada de uma balada com Kami, Thomas (meu melhor amigo) e Lucas (o primo gato do Thomas, o qual sou apaixonada). Risadas sem fim, andávamos como se fôssemos palhaços de circo de tantas cambalhotas.

Chego no meu apê com eles, o apê mais próximo por sinal, e entro com todos eles. Não sei como ou porque mas a cena muda; estou no meu banheiro minúsculo vomitando o coquetel de bebidas e um deles aparece com água gelada com sal e açúcar e sem camisa, por a camisa dele estava servindo de bolsa para o gelo que ele pôs em minha cabeça.

- Obrigada. - disse com voz de bêbada doente.

- De nada. - responde ele com voz máscula.

Quem era? Será que é o Lucas? O Thomas não tem voz máscula e corpo definido. Ele é apenas um bom garoto e amigo, além de ser um bom aluno. Não faz nem sentido ele estar vindo de uma balada comigo!

Ele tira meus sapatos, preocupado com meu bem-estar...

- Acho que você quer meu corpo nu... - ele faz cara de mau, mas isso só me excita. (Por que eu fui falar isso?)

Ele sai e volta com remédios para mim.

- Toma. Vai ajudar a evitar a ressaca.

- Eu não quero. - disse empurrando os remédios.

- Mas você vai tomar...

- Me obrigue.

Ele me pega forte pelos braços de forma que eu não me movia. Nossos corpos estavam juntos, eu podia ver minha cara de assustada em seus olhos, mas não sei quem é o seu rosto. Ele põe os remédios na minha boca e eu engulo. Mas, depois disso, nenhum músculo se mexeu. Nos fitamos por segundos, ofegantes, esperando a ação do outro. Até que nos beijamos. Nossos corpos se entrelaçam e ele me levanta, ele vai me levando para parede enquanto eu arranho sua nuca. Ele beija ferozmente meu pescoço enquanto eu ficava mais e mais ofegante e com tesão.

Eu o empurro e desço, só para ele vir atrás de mim, na cama. Ele se aproxima, eu já deitada, olho no olho. Tira minha liga da perna direita, que só uso quando é para conquistar alguém. Ele volta e a distância de nossos rostos diminui, ele tira, então, minha calcinha. Ele volta, me beija e fica em cima de mim, segurando meus braços e unhas. Nos olhamos de novo. Meu desejo de "me coma" estava estampado na minha testa. Ele o fez. Rasgou meu vestido em pedaços e eu tirei meu sutiã. Ele foi descendo, beijando e chupando cada parte do meu corpo, principalmente meus seios, até fazer uma oral em mim. Ele me fez morder meus lábios de prazer, mas eu não queria isso.

Ao perceber nenhum gemido, ele tirou as calças e encaixou em mim. Gemo alto com o tranco mas logo entrelaço minhas pernas nele para deixarmos próximos, peço para ele ir mais forte e ele obedece. Gemo mais, baixo dessa vez. Para me conter, preferi ferir suas costas e morder sua orelhas ao revirar os olhos. Gozei primeiro. Pedi mais algo a ele que não lembro. Só sei que mudamos de posição e de cena...

Continua...

Ana Luiza Pereira

Lei da gravidade

Descobri muitas coisas na vida. Uma delas é que a gravidade vai bem além dos limites da física. Sempre haverá algo para te puxar e levar o seu emocional para além dos limites do chão; "o fundo do poço". Descobrimos o gostinho da depressão, usamos remédios para tentar animar, mas os remédios não curam dores de coração partido. Desvendamos o mistério do poder das palavras que reconfortam e machucam, iludem e te fazem rir. Enfim, a gravidade da depressão leva mais ao centro da terra, onde não há vida, do que a gravidade física.

Ana Luiza Pereira

Duo (escrito por Jonathan André)


Dois olhares que não se encontravam
Duas bocas que não conversavam
Dois corações que pareciam imãs com os mesmos pólos, se repelindo
Duas vidas tão próximas e tão distantes, ao mesmo tempo.

O mundo gira
Sopram-se ventos fortes
Os caminhos tomam outras direções
E tudo se torna diferente.

Os olhares que não se encontravam, agora se mantêm fixos
As bocas que não conversavam, agora trocam promessas
Os corações que se repeliam, agora bate um pelo outro
E as duas vidas que estavam próximas, se uniram
Com uma única afirmação e certeza:
Estaremos juntos eu, você e a felicidade !
TE AMO!

Jonathan André da Silva Xavier
Dedicado à Carol Cantilho pelos os 7 meses de namoro.