Paranoia, medo e ciúmes


          Às vezes, esquento a cabeça muito fácil. Normal para uma mulher, principalmente quando se está no ciclo menstrual. Porém, não é o ciclo que me vem esquentado a cabeça, mas o medo.
                Eu já passei por poucas e boas, já presenciei muitas coisas e senti outras que pessoas da minha idade nunca ouviram dizer. Já estive a beira da linha tênue da vida e morte, sanidade e loucura. Muitos não aguentariam e eu mesma me pergunto como aguentei.
                Uma coisa eu garanto; nada, mas NADA supera minha paranoia, meu ciúme e meu medo mascarado de perder quem eu amo. Vivi numa família protecionista, fui e sou protegida como um tesouro raro, isso ajuda nessa paranoia, em não deixar ir e querer proteger sempre. Mas, não se pode ser assim... A vida não é como se quer, mas como se pode ter.  
Amor é ser livre... Mas também é lutar pelo o que se sente. Como lutar com medo e paranoia vencendo? Perdi muitas pessoas por deixar esse medo vencer. Às vezes dá saudade do que eu vivi com elas e me arrependo por não ter lutado mais.
É por isso que eu falo para você, leitor; não sejais como eu. Lute, persista! Não deixe de modo algum este medo, paranoia ou os ciúmes vencer esta luta! Não se arrependa mais tarde por isso...

Ana Luiza Pereira

O primeiro pôr-do-sol


                Uma tarde de sol, a praia estava com cheiro de maresia, mas isso não importava para o novo casal que estava na rede, abraçados. Ela, ouvindo o coração dele, sentindo seu cheiro, abraçando-o bem forte para que nenhum pesadelo a atormentasse em seus sonhos. Ele era seu protetor e, acima de tudo, seu amigo. Ele sorria pelo simples fato dela existir e de poder estar do lado dela.
                Os dois eram assim: eternas crianças. Amigos e companheiros um do outro, não importava a situação, antes de tudo eles eram “irmãos”.
                Ele podia não gostar de praia, mas estava ali por ela. E ela estava extremamente feliz por isso. Ela viu que não estava só, ele estaria sempre ao seu lado, quando mais precisasse ou menos...
                 Uma luz o cegou quando bateu em seus óculos de grau quando tentava procurar seu relógio na mesinha perto. Era a luz do sol... Ele vê rapidamente que horas eram; cinco e meia da tarde, hora do crepúsculo.
                - Acorda! Por favor, acorda linda! – dizia ele balançando lentamente o braço dela.
                - Oi... – dizia ela  grogue, mas com um sorriso no rosto, ela adorava quando ele a chamava de linda, por mais que reclamasse.
                Ele a levanta e os dois sentam na rede.
                - Olha! – ele diz apontando o horizonte.
                - Eu não vejo um pôr-do-sol assim desde criança... – diz ela maravilhada.
                Ele a olha e sorri, ela procura seus olhos e também sorri. Ele dá um beijo na testa dela e ela o abraça e pergunta:
                - Bebê,  promete que todo o pôr-do-sol que vermos será assim?
                - Não. – diz ele sério.
                Ela o olha fazendo bico e ele sussurra em seu ouvido:
                - Prometo que veremos todos os dias o pôr-do-sol e a cada dia, será sempre melhor que o outro...
                 Ela esconde a cara envergonhada num abraço forte sussurrando um “eu te amo” para ele e ele fazia o mesmo com um sorriso nos lábios. Os pombinhos ficaram lá, admirando o pôr-do-sol, o primeiro de muitos que viram, e quando o sol se escondia, os dois cantavam, pois sabiam que amanhã tinha um novo sol para nascer e aquecer o amor deles dois.

Ana Luiza Pereira

Amor e medo


Confesso que já me perguntei mais de mil vezes se o que eu sinto é amor de fato, mas, se não fosse, talvez não haveriam os planos, os ciúmes, a implicância e alegria de cada mensagem que recebo. O medo sempre vai existir, e eu sempre vou me abalar com ele, mas nos seus braços, nada importa, apenas eu e você, nosso amor vence esse medo que só a saudade e um pouco dessa 'distância' nos impõe...

Ana Luiza Pereira e Caroline dos Santos Cantilho

Palavras e o coração

Hoje eu acordei um pouco mais esperançosa. Não sei porque, mas meu coração esteve inquieto, ao mesmo tempo vazio. Palavras precisam ser ditas, mas quais delas? Perguntas precisam ser feitas, mas sei que muitas delas não teriam uma resposta simples.

Sem as palavras, não teríamos nomes. Mas ainda assim, teríamos sentimentos. Temos dado os nomes certos àquilo que sentimos? Muitas perguntas, poucas respostas. Mas uma se sobressai: indecisão. A culpa é dessa indecisão maldita? 

Não compreendemos o coração porque não há palavras exatas a ele. É sempre um misto. Misto de angústia, dor, amor, culpa, agonia... As pessoas se esquecem que para ouvir seu coração não é necessário palavras para descrever, apenas o silêncio para compreender. Ou ele bate, ou não bate. E, quando bater forte e alto, tenha certeza, para os outros aquilo não é certo, mas para você é o que te fará feliz.

É tão simples seguir o coração! Mas a racionalidade as vezes manda esquecer para não doer e sofrer mais. Portanto, fica a pergunta: entre cicatrizes, dores e histórias para contar ou medo, arrependimento e tristeza, qual que você prefere?

Ana Luiza Pereira

Ciclo


Sabe aqueles dias felizes que do nada dão errado? Então. Hoje é um daqueles. Não espero mais nada de ninguém, muito menos de mim. Não espero ser feliz, ficar com alguém, não espero o amor, confiança. Mas ainda assim, eu sou eu mesma, ainda assim, algo me faz seguir em frente.

Sabe o que eu mais odeio em mim? TUDO. Meu coração bondoso, a parte provocante, quando eu consigo inexplicavelmente compreender e aceitar (quase) tudo, como eu sou amiga, companheira, a minha parte louca, inconsequente, a parte que sabe o que quer mas se cala por algum motivo... Não importa quais das minhas "eu"; odeio todas elas.

"Você é incrível, especial... Diferente das outras." Não vejo essa diferença no meu dia-a-dia. Na verdade, só comprova o quanto SOU BURRA e caio de amores. "Ele não te merece. Se fez sofrer é porque não é o melhor para você." Não sou de esperar o melhor para mim, sou de lutar pelo o que eu sinto. Mas a consequência é sempre o sofrimento.

Querem uma verdade? Cansei. Cansei da vida, da minha loucura, cansei de ser eu mesma... Simplesmente cansei de TUDO. Quero ser independente, me libertar dessas amarras de sofrimento. Não quero mais arrancar palavras exatas que não conseguem ser ditas pelas pessoas que amo. É HORRÍVEL. Simples pesadelos sendo minha realidade... Até quando? Minhas lágrimas rolam, sei que vou seguir em frente, até me apaixonar e cair novamente.
Ana Luiza Pereira