Sabe, eu tenho um coração...


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração quebrado,
usado, cansado
e muito desgastado.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração que nem cola conserta,
fio aperta,
ou que o tempo leva.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração que já foi apaixonado,
já foi amado
e agora está cansado.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração triste e depressivo,
com um ódio massivo
de um alguém maldito.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Que não é mais meu,
E aquele que eu dei, já deu
o meu coração para um invisível Romeu.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Que dói todas as noites
por não te ter nas pernoites
e dizer adeus aos açoites.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração velho que precisa ser arrancado
para um outro alguém posso um novo pintá-lo.

Ana Luiza Pereira





Suicida


Cheguei a conclusão que suicidas só querem chamar a atenção de quem amam. Quando isso acontece eles vão levando uma vida meio deprimida, com sorrisos enclausurados, tristezas afagadas... Porém, quando não, duas coisas poderão acontecer: ou seu plano de suicídio acaba em morte por não chamar atenção, ou vivem dando mais valor à si e aqueles que realmente amam. Pena que na maioria das vezes, por mais que vivam, os suicidas não aprendem a lição...

Ana Luiza Pereira

Dizer adeus


Nunca imaginei dizer adeus a ninguém. Eu sei que um dia todos morrem, mas eu nunca disse adeus a ninguém porque uma parte delas sempre viverá comigo. Por que eu teria que dizer logo a você?

Não entendo; amizade é baseada na sinceridade, sinceridade é baseada na verdade, verdade é baseada na coragem de dizer fatos por mais que doam. Você diz querer ser meu amigo, mas por que não diz logo o que acontece com você? Me deixa preocupada, mal diz que está bem, não me manda nada... Por quê? Por que eu sempre tenho que adivinhar as coisas? Nem sempre eu consigo acertar...

Te odeio! Deixa-me em paz! Vá ser feliz e deixe-me aqui; triste e abandonada, sozinha com o meu coração em pedaços. Quero morrer, me matar e desistir, não sou tão forte assim... Sim, sofro, ando, persisto, por pessoas com quem me importo... Mas como vou confiar nas pessoas, se as pessoas que mais confio me traem?

Em momento algum disse a você que não te quero, apenas estou com raiva de você e, principalmente, de mim por amá-lo e ainda dar minha vida por você sendo que você não faria o mesmo por mim. Quero pensar, me distanciar por mais difícil que seja, mas não disse que não quero mais ser sua amiga.

Por quê? Por que me faz chorar tanto por mais que não queira? (Ao menos é o que você diz...) Seria muito mais fácil evitar a dor com a verdade do que prolongá-la com isto! Te odeio! Não, ME ODEIO, eu te amo demais para não parar de chorar e me preocupar com alguém que está se tornando como os outros! E o ciclo começa...

E, mais uma vez, o que me magoa é a sua imaturidade; não de omitir, mas de dizer na minha cara um ‘FODA-SE’ para tudo o que eu fiz, faço e farei; a mim, ao que eu sinto e a nossa amizade. É na base do foda-se que queres viver? Se sim, não me procures mais. Não quero nem ser amiga de um alguém que nem liga para o que os outros fizeram por você... Se não, aguardo resposta, por mais que eu ainda me distancie de você.

Ana Luiza Pereira

O novo Brás Cubas


Como qualquer ser humano zumbi, desenterrei-me de dentro para fora, de alguma causa morri e acabei de acordar no meu caixão com uma pena na mão e palavras na boca.
É difícil escrever memórias póstumas quando mal se tem. É mais difícil ainda escrever com vermes roendo cada parte pútrida de seu corpo frívolo até o osso. É difícil viver quando não se tem vida...
Contudo, por mais que eu seja um banquete de vermes, uma coisa eles não podem comer: tal esta é a minha mente, gaveta de minhas lembranças.
Tudo o que fui quando criança foi base para minha personalidade quando adulto. Na minha vida, sempre fui boêmio. Caía de paixões e até posso dizer que morri de amores. Está aí o meu verdadeiro motivo de morrer: de amor, pena que não consta no óbito.
Tive uma adolescência conturbada. Calei-me diante de certas injustiças, era confuso por natureza, romântico e malévolo. Minha felicidade estava dividida entre duas mulheres e deixei uma delas (talvez, uma das mais importantes para mim) ir por ser imaturo. Chorei, quis matar, quis morrer, quase fugi. Não prestava atenção nos detalhes que me cercam, apenas via o que estava à frente e o que era palpável. Fiz sofrer, fiz chorar. Pequei e fui humano. Demorou, mas desenvolvi e amadureci. De patinho feio a cisne (negro)...
Infância difícil; criado por mãe postiça, pai emprestado, irmão que não é de sangue. Tive tudo por mãe, nem tudo por pai, implicância de irmãos. Garoto de quatro famílias próximas e distintas, mas com pouca gente me simpatizava. Comecei a oscilar ali. Uma revolta por ter um “pai” que mal me via desenvolver também começa ali. Meus gostos mudaram um pouco... Muitas coisas são desnecessárias para ser descritas aqui.
Com certeza, tudo o que passei, as cicatrizes que tive formaram tudo aquilo que fui; meu jeito e minha personalidade são únicos. Conquistei uns, desprezei outros. Fui psicopata interno e matei a mim mesmo com certos erros. Fui psicopata de amores e matei quem amei afogada em lágrimas. Arrependo-me de pecados e erros que eu não puderam mudar ou serem consertados.
O irônico da vida póstuma, mesmo não sendo eterna, é que me tornei algo que não me simpatizava: um escritor defunto. E como Brás Cubas, de Machado de Assis, acordo após a morte para marcar e descrever a vida de alguém e não ressaltar algo que me tornei.
Vida após a morte não se há certeza, então amigo, se não acreditas, também não acreditará nessas memórias póstumas. Não tenho nem certeza se o que escrevo é real! Digamos que os vermes já perfuraram o meu crânio de não satisfeitos com a minha carne.
Não é crime errar, muito menos acordar de um descanso eterno para recordar seus erros. Sou autor, escritor desconhecido de todos, portanto, podes me chamar de “o novo Brás Cubas”.


Ana Luiza Pereira
Texto inspirado na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

Minha reflexão de "Se eu fosse eu"


Um dia, enquanto lia Aprendendo a viver de Clarice Lispector, encontrei um texto que refletia as mentiras internas de “Se eu fosse eu”. Achei interessante e intrigante o ponto de vista dela, até me achei naquelas palavras. Acho que quando alguém escreve para si; sendo totalmente introspectivo e sempre explorando os mistérios psicológicos de ser humano, os nossos futuros leitores se acharão em nossas confusões, intrigas, mentiras, mistérios... É como uma empatia, eu imaginei estar na pele da escritora que julgo ser a perfeição na escrita e me perguntei: “Será que ela fez o mesmo?”.

Nas confusões e no emaranhado de intrigas do “Se eu fosse eu” é que vejo o quanto somos presos a mentiras e nem sempre percebemos. Com certeza, “se eu fosse eu” não seria a santa nem a diva aos olhos de alguns. Felizes são aqueles que me veem como psicopata, estranha, sanguinária e maluca, pois veem a verdade.

Cá entre nós, caro leitor, você também já odiou alguém, quis matá-lo em momentos revoltos, já mentiu dizendo estar bem quando não estava, já omitiu ao dizer onde estava no telefone... Todos nós já fizemos, talvez, porque somos mentirosos por natureza e, por mais que “se eu fosse eu”, não seríamos completos o suficiente. Nos agarramos a mentiras por pensarmos sermos melhores que ela ou, até mesmo, do que a verdade. Parece que, por mais que um vazio nos falte pela mentira, não conseguimos viver sem sermos ocos.

Completos mesmo? Convenhamos; começaríamos ser mais completos se não mentíssemos a nós mesmos, se não nos acomodássemos e se lutássemos mais no “se eu fosse eu”. Caros leitores, sinceramente? “Se eu fosse eu”, por mais maldosa, animalesca, psicopata, seria muito mais verdadeira e feliz. Seria completa por não mentir, muito menos me importar com o que vão dizer quando eu disser que não estou bem quando realmente não estiver.

Chegamos, então, na conclusão que basta ter coragem para o “Se eu fosse eu” ser real. Mas e a preguiça? E o comodismo? A vida é tão boa em nos dar pão e água fresca que é melhor não mudá-la, deixe o nosso verdadeiro ser intrínseco, sejamos falsos até no nosso sorrir, olhar, “bom dia”... Às vezes, nos importamos demais com uma sociedade que não se importa com seus membros.

Então, “Se eu fosse eu” estaria bem por ser eu, apenas eu, e mais ninguém. Mesmo que, para “eu ser eu”, eu precisa lutar com todos. Não me importo de pagar tal preço se for para ser feliz... Portanto, amigo leitor, “se eu fosse eu” é a minha inspiração e coragem para acordar de manhã e dizer a todos se estou ou não bem, se gosto ou não daquilo... “Se eu fosse eu” enfrentaria mais a sociedade e me importaria menos com quem não se importa comigo.

Ana Luiza Pereira