Animais intrínsecos


Acabo de chegar à seguinte conclusão: que todos nós somos egoístas e hipócritas. Quando queremos algo, que ele seja só nosso, podemos não dizer mas nem sempre desejamos o bem da pessoa, não existe um coleguismo no trabalho, morremos de inveja dos ricos... Comportamentos iguais.
Como uma escritora realista, sinto informa-lhes que o que foi observado no século XIX é uma verdade que se perdura até hoje: o homem é um animal. Às vezes, até mais irracional do que os outros animais que o cercam.
Digamos que os homens, em sua maioria, não prezam a vida, mas o seu ego. Seja o que for para poder amaciá-lo, confortá-lo e até engrandecê-lo, o homem o fará. É nesta hora que surge a hipocrisia de apontar o erro dos outros enquanto não vê o de si próprio e, principalmente, é nessa hora que surge a inveja, preguiça, ganância, avareza, luxúria, vícios, vingança...
O homem é, de fato, o animal mais perigoso da face da Terra. Quando acuado ou, até mesmo, instigado ele poderá sair do seu controle. O olhar muda, a fofoca aumenta, evolui para o bate-boca que parte para agressão. Isso quando não é uma vingança muito bem planejada, feita nos seus mínimos detalhes, demorando o tempo que for.
Chego então, nesta abrupta violência que carregamos em nosso ser, a conclusão de que não é Deus que mata as pessoas, são pessoas que (em algumas situações) dizem estar com Deus que as mata. É a maldade falando mais alto, ou, melhor dizendo, nosso instinto primitivo de sobrevivência a custa de qualquer ser vivo existente neste planeta.
Como podemos ser mais civilizados? Há uma linha tênue entre nossa sanidade e nossa loucura, somos um Yin Yang desequilibrado constantemente, somos animais instintivos e egoístas.
O fato é que não conseguimos conciliar cada gesto que fazemos como sendo totalmente bom ou ruim. Se só há o preto e o branco, nós ocuparíamos os espaços inexistentes para uma cor cinza. O que nos torna sãos, é o que poderá nos tirar do controle quando em falta, excesso ou tédio.
Sinceramente, cansei de discursar sobre os nossos animas intrínsecos. Vai entender os humanos... Tão complexos que nem as palavras bastam!

Ana Luiza Pereira

As novas Capitus


Olhos de ressaca,
sorriso de criança,
maldade de uma parca
e, no peito, a esperança.

Vestia negro que só ela,
olhos negros também tinha,
tinha a pele amarela
 e uma percepção além da minha.

Corpo de mulher,
atitude de criança,
fazia algo porque quer
e no fundo desejava uma secreta matança.

Psicopata e audaz,
esperta e brincalhona,
perfeccionista e sagaz,
inteligente e mandona.

Menina-mulher,
mulher-menina,
tudo quer,
tudo fazia.

Vive por ela,
Sorri pelos outros,
Lamenta uma sociedade por viver nela,
Se importa com poucos.

Música a atrai,
Filmes e seriados.
Novidades a distrai
e não gosta de ser “pau-mandado”.

A passos firmes andava,
com o olhar mandava,
os outros supervisionava,
e, às vezes, também fofocava.  

Se apaixonava e caía,
como toda mulher-menina se machucava,
 muitas calças puía
 de tantas quedas levantadas.

Séria e misteriosa mulher,
madura pela vida,
não saía do salto um dia sequer,
sempre disposta a vencer nessa vida corrida.

Capitu?
Quem dera!
São Fernandas, Anas, Marias... e tu.
Lutando no dia-a-dia desta era.

Dualidade do bem e do mal dispõe,
mistérios no olhar propõem.
Mulheres-meninas, vencedoras;
vitoriosas e um pouco manipuladoras.

Ana Luiza Pereira

Carta de desabafo


"Pessoa (você sabe quem),


Sabe? Nesses últimos dias venho me pegando em certos devaneios, quase sempre relacionados a você. Sinceramente, não venho gostado muito... Com eles vem o tremor de um frio inexistente, a lágrima de uma tristeza escondida e a lembrança de um sorriso falso. Todavia, após essa dramatização toda de uma saudade infinita de alguém que nem sei se lembra mais de mim, percebo uma coisa: tornei-me um pouco mais fria. 
O mundo nos impõe a frieza de coração, estou aderindo a ela não porque está sendo imposta, mas porque estou cansada de ser sempre abandonada por aqueles que eu mais amei e prezei... Será que eles não sabem o que é amar? Ou será que isso tudo é culpa da vida cruel que nos mata a cada dia desde que nascemos? 
“Você sempre foi madura e muito forte, é capaz de superar tudo sem pestanejar.” Sou mesmo? Convenhamos que chorar noites e noites pelo meu maior medo se tornar realidade não é uma ótima forma de superar algo. Muito menos, quando finge que está bem ao amanhecer, sorrindo alegre a todos que passam. É cansativo não demonstrar o que se sente sempre... 
Contudo, admito sentir-me vazia desde que tudo acabou. Boa parte de mim está com você, tem ciúmes você, se preocupa com você, briga com você... Faz tudo por você. Essa boa parte é o que mais venho sentido falta... Está difícil respirar e conseguir que os raios de sol iluminem minha tristeza e a transformem em alegria, está difícil não ouvir cada batida de meu coração sem lembrar sobre “concordium”, palavra que você me ensinara nos tempos de outrora, está difícil encarar o mundo sem aquele que me deu esperanças para o amor. Ah... Meu Deus! Como está difícil! Ainda assim, não desisto. 
Penso que o amanhã dirá o nosso futuro... Mas o fato é que estou tão desgostosa com tudo, que não acredito mais nem no que escrevo. Ainda assim, eu arranjo intrigas com você, queria realmente testá-lo, ver se me amas, se és capaz de mover a montanha a Maomé sendo que Maomé está demasiado cansado por se mover à montanha. Mas nem sempre vejo isso... Apenas vejo um arrependimento falho de tudo o que fizera em seus olhos pedintes, mas já é tarde demais... Embora eu aceite o seu perdão, esteja com você sempre, você não pode secar cada lágrima que me fez derramar nesse último período. 
Às vezes parece que eu me acho em cada música românica, melosa, melancólica, até nas depressivas. Posto onde quer que for para que você saiba o que sinto, o que penso, o que quero. Às vezes, me dá um ódio mortal de você, queria te bater, torturar e matar, mas só posso palavras, status, subnicks, coisas que nem sempre consigo dizer na cara. Às vezes quero o troco, às vezes só te quero bem, às vezes só quero conversar, às vezes... Oscilo cada instante, você estando ou não. E, quando finalmente, meu peito se enche de esperança com o seu “oi”, lembramos sempre do descaso, do medo, dos ciúmes, brigamos, choramos... E ainda assim, eu não te ignoro. 
Cheguei até a conclusão: prefiro muito mais ser presa na gaiola do amor do que ser realmente livre para muitas paixões. Você diz que sou humano, mereço a liberdade. Mas eu me considero uma cachorra vira-lata: fiel, dócil, protetora e sempre, sempre, é mandada embora por alguns donos hostis. Eu realmente preferia estar com você a inventar minha liberdade e ser a inconsequente que se arrependerá de maior parte depois. 
Sei que não funciona nada, às vezes eu acho que nem desistindo de te conhecer funcionará, mas eu só queria não ser dependente de você. Não estar sempre prezando pelo seu bem-estar e sorriso, não te amar tanto a ponto de ter acessos de obsessão. Pois é... Às vezes eu só queria morrer e pedir que o meu coração fosse enviado via correio aquele que o pertence realmente: você. Mas como não posso, tenho a coragem de todo dia dormir desejando morrer e acordar tendo que lutar, ainda não desisti, lembra? Talvez, nunca irei. 
P.S.: Não acredite em tudo o que digo, às vezes, eu só quero é te testar.



Aquela que ainda se culpa por te amar demais."




Ana Luiza Pereira

Frases


Como dizia o poeta: "O amor é fogo que arde sem se ver"...

Ana Luiza Pereira

Obrigado Senhor pelo "FODA-SE", por que é a palavra que mais me relaxa, coloca-me no eixo e me revela, quando digo: "FODA-SE SOCIEDADE HIPÓCRITA".

Ana Luiza Pereira

A vida é uma montanha russa, tem seus altos e baixos... Mas meu mundo é pior, sabe? Ele é acrobata, sempre fica de cabeça para baixo quando você não está.

Ana Luiza Pereira

Não vale a pena chorar por aquilo que você já perdeu, muito menos por aquilo que nunca te pertenceu de verdade.

Ana Luiza Pereira

O que é aquilo? É um pássaro? Um avião? Um cometa? Não. É a minha dignidade pegando um foguete expresso para o espaço.

Ana Luiza Pereira

Todos sofremos pressão, nossa humanidade nos faz cair as vezes, mas cabe a nossa maturidade tentar sempre resistir e seguir em frente.

Ana Luiza Pereira

A "Terra do Nunca" existe, mas ela é apenas nossa imaginação, infelizmente. Sim, você pode ser criança sempre, mas na sua imaginação. Porém há realidade que é este mundo que vivemos e que devemos enfrentar todos os dias de nossas vidas.

Ana Luiza Pereira

"Um dia tudo isso fará sentido." O pior que não fará, mesmo se você procurá um. O sentido é “viver” e a ordem é “ser você mesmo”, apesar das pressões que o “viver” faz quando se é “você mesmo”.

Ana Luiza Pereira

Dias nublados é como um coração apertado, triste, angustiado, aflito com a perda de algo ou alguém.

Ana Luiza Pereira

Amigos = pessoas idiotas, imbecis, estranhas, anormais que você não consegue viver sem amá-los.

Ana Luiza Pereira

Cala a boca! Prefiro o silêncio me machucar do que ouvir besteiras, fofocas, intrigas da oposição.

Ana Luiza Pereira

Eu vejo a morte como uma flor; uma flor de um negro vívido a desabrochar com o passar da vida. Afinal, como já disseram outros antes de mim: "Tudo começa a morrer no momento em que se nasce."

Ana Luiza Pereira

Sentir medo é da natureza do ser humano, não enfrentá-lo e ser levado por esse medo é que te faz um medroso e dependente.

Ana Luiza Pereira

Num relacionamento, alguém tem que sempre ser forte. E nós, mulheres, sempre esperamos que sejam vocês, homens, mesmo que no fundo não sejam. 

Ana Luiza Pereira

Eu sou daquele tipo de garota que usa o cérebro para sobreviver no mundo e encantar quem quero, e não a minha vagina.

Ana Luiza Pereira

Cheguei a conclusão que envelheci, hoje, quando me olhei no espelho. Mas uma coisa é fato: a criança que há em mim e que acredita na magia das coisas sempre viverá em meu coração.

Ana Luiza Pereira

Eu moveria céus e terra para te ver sorrir neste momento.

Ana Luiza Pereira

Se fosse possível, estaria agora te beijando. Mas só por que hoje parece ser impossível que algum dia isso não se torne real.

Ana Luiza Pereira

O que você chama de máscara, eu cham de refúgio. Sim, eu posso ser uma pessoa boa, sincera, verdadeira, mas por trás desse sorriso, você não sabe quantas cicatrizes existem para serem aquilo que sou.

Ana Luiza Pereira

A última carta


"Amor,

            Há quanto tempo não te escrevo! Sei que estamos passando por maus bocados, mas a questão é: eu te amo e sinto sua falta.
            Antes de qualquer coisa, darei meus parabéns:
12/06 – Feliz dia dos namorados amor! Sei que já passou, mas não custa nada relembrar.
21/06 – Feliz 9 meses de namoro! Quem diria que chegaríamos aqui?
09/07 – Faz 1 ano que nos conhecemos... E me lembro como se fosse hoje.
20/07 – Feliz aniversário bebê! Eu te amo! Muitas felicidades e muitos anos de vida! (Queria tanto estar aí...)
21/07 – Feliz 10 meses! (Finalmente dois dígitos!)
            Estou me esquecendo de alguma data?
            Enfim, mando-te presentes (que você já sabe quais). Sei que são poucos para tantas datas especiais em nossas vidas, mas são de coração.
            Ah! Não quero nenhum presente de volta, nem cartas (por enquanto). Principalmente agora com a situação tensa com a minha mãe. Ela pensa que não conversamos mais, nem por e-mail. Além do mais, por mais que chegue algo teu aqui, o problema não será minha mãe ou meu pai, mas minha irmã ou o resto da família. As olhadelas que cada um faz quando ouvem “namoro virtual”... Você não tem ideia do quanto sofro! Meu irmão já vem me chamando de 171... Ele quer porque quer que seu antigo título passe para mim.
Portanto, acho melhor evitar certas coisas por um bom tempo. Assim como tenho evitado computador e sair. Sabia que minha mãe não me põe de castigo? Ela só dá uma “sugestão de castigo”, quem me pune sou eu e de acordo com a minha consciência. Como ela pesou muito com a última burrice, estou me castigando muito, embora isso nos afete um pouco. Desculpe-me.
            Há outra coisa que eu queria lhe dizer há tempos. Boa parte eu a li e vi num filme e me fez parar e pensar muito no que queremos neste relacionamento, eu espero que aconteça o mesmo com você. Porém, esta coisa é boa para nos fazer pensar quando estivermos mal e pensando no fim do nosso namoro.
É esta:
“Lembra quando dissemos que deveríamos viver juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes?
Considerei isso um depoimento que te amo tanto e passo muito tempo dando o melhor de mim para isso, tentando fazer dar certo.
Mas, e se nós admitirmos ter uma relação desgastada e continuarmos mesmo assim? Nós aceitamos as cláusulas desse namoro, nós brigamos muito para isso! Mas não temos que viver um sem o outro e, assim, podemos passar nossas vidas juntos; infelizes, mas felizes por não termos nos separado.
Eu venho passando uma vida um pouco solitária e silenciosa e, sinceramente, sinto-me um pouco mais segura apesar de fria. Vivo com o coração um pouco “partido” pelo desgaste (pelo fato de, talvez, nunca te conhecer), mas eu não o largo por doer demais.
Todos nós queremos que as coisas continuem iguais, mas a vida é diferente! Ela nos torna diferente. Queremos aceitar viver no sofrimento porque temos medo da mudança, que as coisas sumam totalmente.
Depois que refleti sobre mim, sobre nós; o caos que vivemos, como nos adaptamos as coisas, como nós fomos machucados, abandonados e aí encontramos um jeito de nos reerguer e viver novamente, eu me senti tranquila. Talvez nossa vida não seja tão caótica, o mundo é que é. E a única armadilha de verdade é ficar ligado a ele.
A ruína é um presente, ela é a estrada para a transformação. E devemos estar preparados para as ruínas infinitas da vida.
Nós dois merecemos mais que ficar juntos por medo de sermos destruídos se não ficarmos.”
Eu não quero dizer que não te amo. Errado. Eu te amo ainda mais! Mas meu amor mudou, eu mudei! Até você mudou... Então eu, nesta singela carta, proponho: aceitas minha mudança para sermos felizes para sempre? Porque eu, por mais que me assuste com suas mudanças, aceito-as e, com o tempo, irei amá-las como amo cada seu defeito e qualidade.
Sabe; eu vi num trailer que quando o amor se desgasta, a solução é bater na porta da paixão. Estamos batendo na porta da saudade, não porque queremos, mas porque somos obrigados a isso (por enquanto). Porém, a saudade também vem funcionado...
Uma coisa é certa; se depender de mim, nós seremos namorados para sempre. Porém, como toda mulher sou insegura, eu tenho meus medos: o medo do desgaste, o medo do alguém melhor, o medo da chama da paixão não mais se acender... E, por mais que eu venha pensado nisso em algumas inevitáveis vezes, ainda não encontrei a solução disso nunca acontecer, ou do que eu farei para te reconquistar se acontecer, ou simplesmente do que eu farei se acontecer... Esse tipo de coisa não está em minhas mãos, nem nas suas. Mas eu ainda sinto medo devastador de te perder!
Por quantas vezes eu não imaginei seu abraço a me reconfortar quando estava aos prantos, escondida e encolhida debaixo do cobertor? Por quantas vezes eu não fiz do Keroppi uma imitação de você para que eu pudesse te dar um beijo de boa noite e dormir agarrada com você como nos meus sonhos? Por quantas vezes eu não vi as horas iguais e agarrava o seu pentagrama desejando que você tivesse ali do meu lado? Por quantas vezes eu não sonhei com o nosso encontro? Por quantas vezes...? Por muitas vezes! Nem eu sei quantas!
Amor, eu não sei como, mas você em pouco tempo se tornou mais que um amigo ou um namorado, se tornou meu melhor amigo, meu confidente, minha droga. E eu desenvolvi uma incrível necessidade de te ver bem e feliz, de te ouvir e falar das coisas mais corriqueiras da minha vida apenas por falar. Desenvolvi a necessidade de divergir em alguns gostos e atos e passar a gostar de algumas músicas que você ouve só para depois eu associá-las a você quando morta de saudades.
E uma coisa é fato: eu me remoo quando não posso falar com você. Viro e reviro na cama pensando se está bem, como foi seu dia, se está se cuidando, se tirou nota boa, ou qualquer outra coisa que é relacionada a você. Eu estou com uma necessidade imensa de cuidar de você... Mas de que adianta? Mais de trezentos quilômetros nos separam. Penso que quando nos casarmos (se casarmos), eu poderei cuidar o quanto quiser de você. Mas isso não me acalma, nem me faz retomar meu sono.
Fico ansiosa em falar com você e preocupada por não ter muitas notícias. E, quando finalmente ouço o seu “eu te amo”, é como se eu estivesse no mais alto do pódio recebendo medalhas e medalhas de ouro para nossa pátria (comparação tosca, mas espero que você tenha entendido).
Não irei mais me prolongar... Afinal, muitas das coisas de que eu disse você já tem conhecimento. Eu só queria ser sincera com você, meu amor e meu amigo, e lhe contar (sempre) o que me aflige.
Sei que não sou tão bonita, tão inteligente, tão engraçada... Mas sempre tento ser aquele alguém que te fará feliz para sempre. Ver-te bem e feliz é o meu maior presente!
P.S.: Desculpe digitar a carta, muita coisa e sem disposição para passar para o papel.
Amo-te para sempre!

Beijos carinhosos de sua eterna namorada."

Ana Luiza Pereira