Meu jeito


Sou apenas uma garota que usa o cérebro e se recusa ser mais aquela a ser marionete desta sociedade hipócrita. Não faço questão de ser popular, sou apenas eu; estranha ser eu. Tenho meus pensamentos formados, meus gostos diferentes, minha opinião polêmica, meu jeito louco... Tenho pena e alergia aos que seguem as regras da sociedade, que pensam que será ela que dará a felicidade, sendo que é VOCÊ que tem que lutar para conseguir e não esperar para alguém lhe dar. Eu não espero, dou o melhor de mim para tudo se mover ao meu redor, nem sempre consigo, muitas vezes caio sim, mas sou feliz por que tenho sonhos e esperanças. E só porque sou assim, diferente de todos, não significa que eu seja uma aberração. Aberração é esta sociedade, essas regras que impedem quem as seguem de serem eles mesmos.

Ana Luiza Pereira

Continue aguentando firme


Vou contar-lhes a verdade, meus caros amigos leitores: nunca gostei de contos de fadas. Não gostei das princesas, muito menos, das histórias da Disney. Sempre preferi fábulas e suas morais. Se houve uma princesa que, depois de muitos anos, me simpatizei? Houve, esta era Mulan. Por quê? Porque Mulan lutou pelo o que é certo, mostrou que, às vezes, nos sacrificamos por quem mais amamos para que eles fiquem bem e seguros.
A verdade é que sempre fui descrente no amor, sempre acreditei que ele era uma dor disfarçada e sorrateira que nos pegava de supetão e nos fazia sofrer. Tive a comprovação dessa tese de “amor” quando ainda muito pequena, então nunca acreditei que o “amor verdadeiro” pudesse realmente existir.
Não sei como, a criança que há em mim nunca morreu por causa disso. Acho que ela realmente esperava a comprovação que estivesse errada ou algo do tipo.
Até que esse dia chegou... Eu o conheci, tudo mudou e eu me apaixonei. Meu príncipe encantando não era tão encantado assim, tinha lá seus defeitos, mas suas qualidades me fascinavam.
Mesmo com todo o brilho e o encanto de estar vivendo um conto de fadas, sempre a maldita da distância nos botava à prova. Às vezes, era até mais de uma vez por semana.
Agora; a distância ainda nos põe à prova; a criança não morreu mas age como adulta para resolver os problemas sem que ele se machuque, embora seja difícil... A criança virou adulta, porque ouviu uma vez que para serem felizes para sempre, às vezes, necessita-se fazer o necessário e se tornar um pouco miserável e infeliz. Embora, a criança faça mais que o necessário, ela se sacrifica para serem felizes, mesmo que ele não saiba, ela fará sempre de tudo (o possível e o impossível, até mais um pouco) para que ao menos ele seja feliz.
Ela sempre diz a si mesma, todas as noites, enquanto reza:
“Você não está sozinho. Unidos, venceremos mais uma vez a distância, eu sempre estarei aqui do seu lado, você sabe que eu estarei a segurar a sua mão.
Quando fizer frio e parecer que é o fim, quando não tivermos para onde ir, você sabe que eu não desistirei. Não está acabado.
Continue aguentando! Porque você sabe que conseguiremos. Continue sendo forte! Porque você sabe que eu estou aqui por você.
Não há nada que possamos dizer, não há nada que possamos fazer, não há outro jeito quando se trata da verdade; então, continue aguentando firme! Porque essa espera nos dará uma grande recompensa.
Você está tão longe! Eu sempre desejo que você estivesse aqui, antes que fosse tarde demais e este amor desaparecesse. Antes que as portas se fechem e chegue o fim, eu estarei ao seu lado lutando e te defendendo. Até o fim, até não poder mais...
Continue! Aguente firme! Você é forte!
Escuta o que eu digo, e eu digo que acredito. Nada irá mudar o destino (eu acredito que o nosso destino é viver juntos), mas o que quer que ele nos apronte, nós resolveremos perfeitamente. Eu acredito no meu amor por você e acredito que ele é eterno, por mais que o destino nos separe...”
É assim que a criança passa seus dias. Ela não morreu, só amadureceu para que pudesse cuidar dele da melhor maneira possível, porque é com ele que ela pode ser feliz e o que ela mais quer é que ele seja feliz.

Ana Luiza Pereira

Mundinho que te quero meu


Meu mundo, meu ar;
A ti quero falar:
Desculpar-me pelo meu egoísmo
E por sua beleza de azul-verde indo para o lixo.

Risadas e música, quero escutar
Para te alegrar
E esquecer que existe fome e misérias,
Guerras, entre outras coisas sérias.

Suas feridas e doenças quero curar;
Só será preciso parar de desmatar
E, novamente, o verde replantar.

Quero retirar todas as drogas que te consome;
Para em ti me viciar
De beleza, música, sorrisos...

Quero parar com esse conceito de maior e menor,
Melhor ou pior;
Desigualdade não leva a nada!
O que mais vale: dinheiro ou viver a vida animada?

Minhas armas são flores,
Fuzis e pistolas só trazem dores.
Quero parar com essa guerra constante
E continuar minha vida andante.

Me alimento de esperanças em ti,
Mas e aqueles que não tem o que partir?
Passam fome nas calçadas das ruas,
Nem tem muitas coisas para chamar-te de tuas.

Quero parar com seus problemas,
Mudar as leis e todos os seus dilemas,
Quero te colorir
E ver todos sorrir;
Quero parar de ver cinza e preto,
Porque isso dá medo;
Quero jogar tudo isso para longe
E nunca mais dizer: “Somewhere I belong”;
Porque sei que este mundo pé meu,
Basta cuidar...

Ana Luiza Pereira

Feito no dia 30/01/2008.

2008 em lágrimas


Feliz ano novo!
Ano novo feliz!
Por que tanta “felicidade”?
2008 começou...
E, como sempre, não estamos satisfeitos.

“Como foi sua passagem?”
Por que todos mentem ao responder?
Perguntas simples, às vezes, pedem sinceridade,
Mesmo que a resposta seja complicada,
Mesmo que seja dura a realidade,
Todos querem e merecem a verdade.

Meus anos sempre começam e terminam
Em lágrimas atrás de sorrisos
Este ciclo começou
Quando a saudade me domou.
Sinto muita falta de quem se foi,
Mesmo querendo ter um bom ano,
Não consigo mais ser eu ao dar um “oi”.

2008 em lágrimas,
Seria a minha resposta.
Mas não;
Preciso sempre dizer que tudo foi bem;
É o que a “tradição” manda!
Queria que alguém quebrasse essa regra!
Para eu ter alguém para desabafar...

Ana Luiza Pereira
Escrito no Réveillon de 2007 para 2008.

A vida não se resume a quatro paredes...


Numa casa, a vida se resume a quatro paredes e vários cômodos aconchegantes. Seu melhor amigo é o travesseiro, e os amigos são seus familiares. Aqui não há inimigos. A vida é um “mar de rosas”, porém com suas tribulações. Sua idade define o quanto você é mimado e o quanto você ganha, o quanto pode mimar. Seus pais são educadores e você (com seus irmãos) serão eternos aprendizes.
Mas a vida não é assim...
Numa escola, a vida se resume a quatro paredes e a um quadro negro. Seus amigos você senta perto e os inimigos, você nem quer ouvir falar, senta até longe para não haver intrigas. Seu lugar define sua personalidade e notas, seu nível de “santidade”. Seus professores são seus chefes e/ou seus pais.
Mas a vida não é assim...
Numa empresa, a vida se resume a quatro paredes e a uma pequena mesa de escritório. Seus amigos te chamam para um cafezinho e os inimigos te aprontam todas, até te chamam para jantar. Seu departamento define sua inteligência, seu cargo define o quão pobre e rico além do tamanho de seu sorriso de falsidade. Seu chefe é “ditador” e seu desejo é o dinheiro e a ascensão.
Mas a vida não é exatamente assim...
Viver não se limita a quatro paredes. Viver se limita a um mundo, dentro dele há possibilidades, erros e acertos, tentativas, falhas, buscas, julgamentos, respostas e muitas perguntas. Viver é quebrar as barreiras das quatro paredes, é tirar a viseira da monotonia e enxergar todas as possibilidades, pesá-las e escolhê-las. Os “títulos” ganhos em casa, na escola ou no trabalho não farão jus a você se viveres quebrando as barreiras.
Vemos que a vida não é um verdadeiro céu ou inferno. Ela é apenas feita de momentos, altos e baixos, de escolhas e um pouco de destino.
Vemos que amigos vêm e vão, inimigos também. Percebemos o tempo passar quando vemos que já não temos nossos pais e nos transformamos neles.
Percebemos que o dinheiro e a ascensão não são nada quando se tem uma família, amigos e bons momentos para compartilhar.
Vemos o quanto a vida nos tornou fortes e como as coisas ruins não nos atingem mais. Viver é perceber, pensar, encarar, lutar, sonhar. Viver bem não é estar sozinho para perceber, pensar, encarar, lutar, sonhar...
Enfim, viver é viver. Ação realizada ao respirar. Mas lembre-se: viver também é construir fases de uma vida única e passageira.

Ana Luiza Pereira