Tristezas


Vocês me chamam de louca, melancólica ou depressiva, mas eu tenho uma ótima razão para exaltar minhas tristezas: são elas que me deixam fortes. Tristezas são necessárias para que nos encontramos com a alegria mais tarde.

Ana Luiza Pereira

Os verdadeiros ladrões


Padre Antônio Vieira foi um padre que morou em terras brasileiras, morreu em 1697, deixando a nós seus preciosos textos barrocos e sermões.
Num deles, o sermão do bom ladrão, Antônio Vieira fez uma analogia e uma crítica: os piores ladrões são os que possuem dinheiro.
Naquela época, Antônio Vieira deu como exemplo Alexandre – O Grande – e um pirata a roubar meras barcas, e os comparou.
Hoje, podemos nos dar o luxo de dar outros exemplos dentro deste contexto. Um claro exemplo disso são os políticos corruptos que nós, o povo, escolhemos para nos representar no exterior e os ladrõezinhos de boca de fumo.
Comparando a reportagem publicada no site do jornal O Globo, reportagem na qual faz menção a prisão do Vereador Jerominho, acusado de ser o comandante da milícia da Zona Oeste do Rio, com as enquetes da época; percebe-se que o povo não acusava o vereador de crime algum. Pelo ao contrário, sentiam-se seguros com a milícia que Jerominho criou.
Outro político que usufrui dos benefícios do dinheiro, por exemplo, é o deputado estadual Jorge Babú. Preso em 2004, por praticar a famosa rinha de galos. O contraditório, é que seu partido político defende uma ficha limpa, porém desde que o Ministério Público pediu a expulsão dele do PT em 29 de agosto de 2008, até hoje essa denúncia nunca fora julgada. Supondo que Babú tenha comprado os juízes (ladrões pequenos).
Devido à ignorância do povo ao eleger os políticos de hoje, os verdadeiros ladrões, como diz o sermão de Antônio Vieira, conduzem nosso país ao inferno, no momento em que deveriam guiá-lo ao paraíso.
E isso acompanhados dos juízes de hoje, que mesmo tendo poder de condená-los, muitas vezes os defendem. Políticos e juízes corruptos, lado a lado buscando seus interesses próprios nos levando ao buraco.
Mas isso acontece por possuírem poder. Usam o que tem para terem mais, tirando o que é dos pobres. Manipulam-nos e nos compram. Enquanto os que querem ir pelo “mau caminho” e que não possuem poder, logo são vaiados e derrubados, sendo vistos como os grandes vilões pelo povo. É preciso ter poder até mesmo para fazer o povo de trouxa.
O padre foi incrivelmente inteligente por escrever um texto tão atemporal, pois se repete até hoje. “Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos”.

Ana Luiza Pereira
Trabalho sobre a época barroca brasileira intitulado "O Barroco atemporal" e feito em março de 2010.

Passeio com os signos


De noite, eu adormeço. E viajo...
Vou para mil e um lugares feitos de pontinhos multicoloridos e brilhantes chamados estrelas e vejo velhos amigos, brinco com eles, me divirto com eles, choro e, às vezes, brigo.
O primeiro que encontro num campo estelar é um velho bode. Um velho amigo velho, além de sábio e modesto. Tanto eu quanto ele ficamos a conversar sentado nas gramíneas coloridas deste vasto infinito, deixando o vento imaginário balançar nossos pêlos e seus ensinamentos agraciar meus ouvidos. Tal bode tem nome e faz parte de uma linda constelação, tal bode se chama Áries; o signo dos intelectuais.
O segundo que encontro neste mesmo campo verde a pastar é um bravo touro. Touro que sempre pensa em me atacar quando vê o vermelho vívido dos meus cabelos a balançar com o vento. O bravo amigo bravo fica a me fitar com seus olhares penetrantes e a me ensinar o que é a empatia. Tal animal é um signo; o signo dos que pensam duas vezes.
O terceiro amigo são duas lindas crianças, crianças iguais em aparência, mas diferentes em gênio. Elas brincam comigo e me ensinam que nunca ninguém pode se parecer 100% com você. Tais crianças felizes, sorridentes e geniosas, diferentes e iguais, são um signo: Gêmeos – o signo dos teimosos.
O quarto amigo está na areia do infinito pontuado. É o meu querido amigo caranguejo que fica ali, a observar pessoas e mar todos os dias. Ele me conta seus problemas, sempre me comovendo de maneira especial, e sempre comparam os sentimentos ao mar. Seus sentimentos são suas verdades e suas emoções são suas ações. Tal carangueijinho tem um nome não muito agradável, ele se chama Câncer e é o signo dos que amam e choram.
Olho para o lado e vejo o meu quinto amigo fora do seu habitat natural. É o meu querido amigo feroz, o leãozinho. Sua realeza imposta no seu andar e dizer o quanto ele pode ser um Rei bom ou ruim, impondo clemências ou injustiças aos seus súditos; nós. Mas dizendo que isto depende de nós, fazendo de tudo para que os desejos de tal leão sejam satisfeitos. Tal Rei Leão também é um signo; o signo dos líderes soberanos.
Ando mais um pouco e encontro minha quinta amiga. Ela é como eu, porém calma, imaculada e cheia de luz a meditar na areia de pontinhos brilhantes deste infinito. Tal pessoa carrega uma linda flor em suas doces mãos, a famosa e rara flor-de-lótus. Seus ensinamentos partem da assimilação de si mesmo através das análises do que você aprende com a vida. Tal pessoa é uma constelação, e também signo: Virgem – o signo dos simples.
Atrás desta amiga estava outra, minha sexta amiga cega. Ela carrega sua balança e sempre pesa o que é bom e ruim nela. Equilibrada, sempre ensina a pesar seus atos e palavras antes de torná-los ação e ferir alguém com os mesmos. Tal amiga cega chama-se Libra; o signo dos justos.
Dentre as areias coloridas sob meus pés saiu um pequeno animalzinho, um escorpião. Meu sétimo amigo este. Ele subiu e cochichava seus ensinamentos e venenos em meu ouvido. Suas palavras parecem doces, mas seu coração pode carregar tamanho ódio que seu veneno pode machucar a todos, até quem ele não queira. Tal animalzinho misterioso, que é o Escorpião, é um signo – o signo dos egoístas.
Logo ouvi relinches e trotares na areia colorida do multiverso. Logo vi uma figura mitológica grega a se aproximar de mim; metade homem e metade cavalo. Meu oitavo amigo me convida para dar uma volta neste multiverso colorido e pontuado. Subo nas suas costas e ele corre entre as estrelas. O balançar de suas trotadas e o vento me satisfazia e me dava a tal sensação de adrenalina. Suas palavras me divertiam e sua sinceridade, às vezes, me machucava. Tal ser mitológico é um signo; Sagitário – o signo dos aventureiros.
Assim que desci da minha cavalgada, vi meu nono amigo; o carneiro. Ele estava a caminhar pelos vales estelares enquanto eu estava perdida. Ele me ensinou a ter amor à liberdade e ser determinado nos meus objetivos, porém, tal carneirinho é um pouco desconfiado com o que os outros dizem ou faz. Sempre de pé atrás para que não se machuque, porém fiel e amigo sempre. Tal carneirinho é uma constelação; Capricórnio – o signo dos determinados.
Andei mais um pouco e achei um lago, nele havia uma linda mulher a encher sua jarra de água. Dedicada e preocupada com os que ela ama, minha décima primeira me ensinava a ser dedicada e carinhosa, porém independente. Mas, tal mulher possuía um defeito: não falava muito do que sentia aos outros e, quando falava, dizia coisas demais e desnecessárias, coisas que faziam as pessoas se perderem em suas palavras. Ver as pessoas com caras de que não entendem a irritava, fazendo com que ela guardasse mais coisas ou falasse mais. Tal mulher se chama Aquário – o signo dos inseguros.
Olhei para dentro do lago e vi um monte de peixinhos a nadar. Meus décimos segundos amigos me diziam um monte de coisa; ensinaram-me a ser receptiva, compreensiva e sensível. Também me ensinaram o que é ser altruísta e comunista. Tais animaizinhos são uma constelação: Peixes – o signo dos que imaginam.
Acordei quando, por fim, caí no frio lago a convite dos peixes de estrelas. O sol batia em meu rosto e enfim vi o céu azul claro.
- Acho que sentirei saudades da noite... Quando, finalmente, posso desenhar com as estrelas e tomar um chá com meus doze amigos estelares. Constelações de Signos, eu vos espero à noite, quando ficares finalmente visível aos meus simples olhos admirados.

Ana Luiza Pereira

Lua & Sol


Sem que eu perceba, alguém me vigia às noites. Sem que eu veja, alguém admira meu adormecer. Mesmo que eu não veja tal alguém, eu sei que está lá, em algum lugar no céu.
Tal formoso alguém? Fato, a Lua. Por mais que eu não a veja no céu funesto ou estrelado, por mais que ela seja Nova ou Cheia, Crescente ou Decrescente, coberta de nuvens, vermelha ou amarela, branca ou alaranjada, eu sei, ela está lá a me vigiar nas noites de sono ou insônia, ver-me adormecer e sonhar com as superficialidades do mundo mesmo tentando levar sua beleza aos meus sonhos modestos, românticos, vívidos ou infantis.
E, é tão maravilhoso quando, eu acordo, e vejo o céu claro e ela ainda lá, presente, a me ver e presentear com sua beleza entre o céu azul límpido.
De um lado deste céu pode haver a beleza fria e imaculada da Lua, mas, do outro, também há a beleza brilhante e vívida do Sol.
- Ela veio visitar seu marido... – digo a mim mesma.
Marido que, por mais que more distante dela, ela o ama mais que tudo e faz de tudo para que nos dias normais possa visitá-lo, principalmente, quando não é mais a sua hora de estar no céu à vista de todos.
Eu sei que a Lua pode ser fria e viver longe de seu marido por circunstâncias que o ser humano ainda não compreende, mas também sei que Lua e Sol não vivem um sem o outro. Tal Astro e Satélite se completam, formam dias e noites, mas sempre na esperança de, um dia, assim como nós encontramos a pessoa amada, eles também possam se encontrar e se amar. Eu também sei que, quando tal Lua está amarelada no céu escuro, é por que finalmente marido e mulher se encontraram no infinito e se abraçaram para que nós víssemos; frieza e quentura podendo viver harmoniosamente.
Tais momentos são raros e que nem sempre nós não percebemos quando olhamos e admiramos tão belo e misterioso véu que nos cobre de inúmeras sensações, noite e dia, ao dormir e acordar, todas as horas, nesta rotina tediosa que nem arranjamos tempo de admirar aquele infinito mais perto da gente: o céu.

“Mãe Lua,


Sim... És a minha mãe. Mãe que zela ao meu deitar e que ama ver-me adormecer, me acalma quando os sonhos são ruins e me ensinou a fantasiar sonhos bons. Sei que sua vida é difícil, seu amor pelo meu Pai Sol é infinito e sei que tenta, incansavelmente, ultrapassar tal barreira que vos separam: distância. Sei bem como se sentes, portanto, minha querida Mãe Lua, ensina-me a ser como ti, dai-me força nas noites que as lágrimas me tomam por completa, ajuda-me a superar tais desafios que o amor pode trazer e que a senhora sabe muito bem quais são. Por favor, Dama da Noite, ajuda-me a ser como ti, fazendo de tudo pelo o que se acredita e sempre acreditar no amor, mesmo quando a vontade é desistir deste. E, por favor, ajuda-me a um dia poder estar do lado do meu Sol, juntos neste infinito, e para sempre...”

Ana Luiza Pereira

You (tradução da música de Amy Lee)


As palavras foram tiradas desse lápis
Doces palavras eu quero te dar
E eu não consigo dormir, preciso te dizer boa noite
Quando estamos juntos me sinto perfeita
Quando sou afastada de você, eu desabo
Tudo o que você diz é sagrado pra mim

Seus olhos são tão azuis
Eu não consigo olhar pra outro lugar quando nós deitamos na quietude
Você sussurra pra mim:
Amy, case-se comigo, prometa que sempre estará comigo
Oh você não precisa perguntar
Você sabe que você é tudo para quê vivo
Você sabe, eu morreria só pra te segurar, ficar com você
De alguma forma eu vou mostrar que você é meu céu noturno
Eu sempre estive atrás de você
Agora eu sempre estarei ao seu lado

Muitas noites, eu chorei pra dormir
Agora que você me ama, eu me amo
Eu nunca pensei que diria isso
Eu nunca pensei que haveria você

Amy Lee
Amy Lee é mais conhecida por ser a cantora de Evanescence, porém esta música é escrita e cantada por ela somente tocando piano.