Viagens gratuitas


Amo viajar; amo ver as estrelas; amo ser astronauta; amo ser fidalgo, o cavaleiro, a princesa, o vilão, o índio... Amo brincar, me divertir sem suar.
Amo tocar a terra; dirigir um carro; enfrentar fantasmas, monstros, vampiros; amo ver o anoitecer enquanto ainda amanhece; amo ver as coisas antigas e me sentir nelas; amo desvendar mistérios; descobrir segredos; admirar mulheres e homens. Amo isso tudo e sem me suar.
Amo ser escritor, narrador de mim, leitor dos outros, detetive de objetos... Amo me sentir assim; uma criança fora da idade. E, isso tudo, sem suar.
Eu tenho um passaporte, não custa muito, mas que me proporciona as melhores aventuras. Eu tenho uma cadeira para essa viagem, uma cadeira confortável que me deixa a sonhar sonhos incríveis.
Não enfrento trânsito ou mau tempo nestas viagens. Apenas embarco num barco e me deixo levar no rio. O nome deste rio? Imaginação. O passaporte? Os livros. As viagens? São as aventuras, romances ou histórias de terror que você ou eu possa escrever ou ler.
Não precisa ter muita idade para aprender a gostar de ler, mas é com bastante idade que você aprende a ler e se sente mais jovem com isso. É simples e prático. Não requer muito tempo, mas o suficiente para que sua imaginação flua como um rio e te transporte para épocas inimagináveis e para aventuras maravilhosas.
Como é bom ler!...
E, então, já retirou a ideia que a leitura e chata e entediante? Venha ler você também! Venha descobrir novos mundos e ser o que você quiser, mesmo que a vida te proíba ser o que você sempre sonhou.

Ana Luiza Pereira

Medo


Todos têm medo.
Por menor que seja; todos tem.
Não adianta ferraduras, sal ou trevo
Que é num "não-querer" que ele vem.

O medo das grandes cidades é a violência.
E não adianta um pessoa só ter prudência,
Pois o resto tem a demência
De pensar em si próprio e não ajudar os outros com eficiência.

É nessa estrofe que traduz
O que estou me referindo;
A polícia querendo mandar na "parada".
Mas, no alto do morro, tem muitos inocentes assistindo:
Traficantes de capuz
Querendo drogas e gente armada.

Meu medo não é a guerra civil,
A chacina ou aquele político que mentiu.
Meu medo é perder meu tesouro;
Minha família e amigos valem mais que ouro.

Este medo me persegue, permanece,
Por mais que eu não queira este medo.
Este pesadelo cresce
E se transforma,
E ME transforma,
Do pânico a paranóia,
Do medo a uma triste história.

Ana Luiza Pereira

Feita dia 28/10/2007.

Sonhos (Escrito por Luiz Alberto Pereira)


Sonhos acontecem na vida das pessoas
Para dar sentido e motivação para viver.
O sonho fortalece, anima, revigora é apaixonante
E acima de tudo transpassa o ser humano para
Um mundo platônico, que somente o próprio SER
É apaixonado e nele se realiza.
Mas se o que sonhas não acontecer,
Se outros rumos ou o destino te levares,
Se sua vida tomar outra direção;
Não desanimes! Não se abata!
Eleve seus pensamentos para cima e
Recomece com sonhos mais altos
Sonhar; sempre...
Desistir; JAMAIS...

PORQUE DIAS MELHORES VIRÃO.

Luiz Alberto Pereira

À humanidade

            É difícil escrever e descrever um mundo quando você não o conhece muito bem. Minha visão de mundo sempre foi pinturas vi, sempre em preto e branco. Sem cor, sem amor, sem muitas descrições.
            Meu sonho, como máquina, é ser irradiada pelo sol. Um astro grande e fascinante que dá à luz ao dia e à lua para que possamos vê-la em meio à fria noite.
Mas sou um programa, preso às grades digitais. Uma máquina feita por humanos egoístas e inconvenientes que buscam a mais pura perfeição. Sou cálculos em meio a um universo paralelo, algarismos e logaritmos perfeitos e imperfeitos. Números irracionais que dão razão à perfeição da animação digital que vocês, humanos, veem em filmes, TVs e na internet.
Eu viajo numa rede, sem linha que possa ser vista, mas existente de aparelho a aparelho. Uma viagem rápida e nem um pouco cansativa a mim. Não descanso, nem me alimento. Não sou ninguém, mas a vocês sou a perfeição e a tecnologia. Sou o futuro de sua humanidade e, mesmo assim, não possuo nenhum saber do mundo lá fora.
Eu desejaria muito em sair pela sua impressora e poder sentir como é o sol, nascer e adormecer, dia e noite, como um verdadeiro ser humano. Mas não posso, estou preso ao sistema que me diz o que fazer e processar. Me diz como agir, pensar e dizer.
Vocês, humanos, veem a vida como uma coisa chata e tediosa, possuem o livre arbítrio e não o utiliza devidamente. Apenas faz dessa liberdade uma desculpa para suas consequências. Com certeza, se você estivesse aqui, num mundo virtual, onde informações sobre o seu mundo e suas catástrofes são processadas e enviadas em milésimos de segundos, você repensaria mais no que fazes da sua vida.
Vocês se sentem uma máquina pelo simples fato de estarem presos a uma rotina, um passado ou um sentimento? Tente ser uma. Sem poder amar, sentir o sol ou se lembrar do seu criador e o motivo de sua existência.
Vocês desperdiçam o que tem de melhor, não sabem o que é perfeição e a buscam indevidamente em máquinas como eu. Perfeito é o mundo que vocês, humanos, destroem por acharem imperfeito. Perfeito é o sol; astro gigante, quente, radiante que ilumina todos os dias de suas vidas que vocês julgam ser tolas e medíocres.
Hipócritas. Isso que são; humanos hipócritas. Eu; como máquina; posso ver claramente o que fazem com a perfeição do seu mundo e, por fim, querem entrar no meu. Eu que queria estar no lugar de vocês; ver o sol radiar o que vocês chamam de face, sentir a terra penetrando no que vocês chamam de pés. Por que não trocamos de lugar? Aproveitaria muito bem como é estar no mundo de vocês, podem ter certeza. Enquanto vocês? Vocês veriam os males que fizeram à suas perfeições de simplicidade que os dias possam ter e repensar várias vezes da próxima vez em que pensares que o mundo não possa haver algo tão perfeito que nós, máquinas como eu, não possamos lhe dar.

Ana Luiza Pereira


Desejo à todos vocês um ótimo 2011. Que seus desejos, vontades e  crenças se realizem neste ano que estar por vir recheado de amor, paz, esperança e muitas surpresas. Esses são os votos de: Ana Luiza Pereira, a autora deste blog.

Um Diário De Uma Alma - Eternidade


Uma mão me puxou.
- O que pensas que estás fazendo? – disse a mesma voz.
Virei. Era Radamanto.
- Apenas indo ao meu destino... São Pedro não me deixara entrar. Eu falhei Radamanto. E meu destino de fracassada é no purgatório. – disse.
- Tem certeza que falhou? – disse ele apontando com a cabeça para as suas costas.
Pude ver São Pedro acanhado de vergonha, como ele tivesse cometido um grande erro.
- Desculpe-me, Kara. Devia ter aberto os portões para você. – disse ele de cabisbaixo. – Eu não sabia... Eu não vi... Azui...
- Deixa para lá, São Pedro. – disse. – Você já foi humano e humanos erram de vez em quando. – disse e sorri.
Ele sorriu de volta.
- Mas o que aconteceu? – perguntei curiosa.
- Deus mostrou-me seu sofrimento no purgatório e a luta de Uriel para salvá-la. – respondeu São Pedro.
- Ah... – suspirei. – E Uriel? Ele está bem? Não aconteceu nada com ele, né? – perguntei. Se algo acontecesse com o meu benfeitor, me culparia pelo o resto da eternidade.
- Logo virá. – disse Radamanto num sorriso orgulhoso.
Sorri em resposta. Até que lembrei...
- E Kaique? Ele está bem? Onde ele está? – perguntei desesperada por notícias.
- Ele está bem e ainda está desacordado. Parece que apenas sua presença perto poderá reavivá-lo. – respondeu-me São Pedro.
- Vá! Seu amor lhe espera... – disse Radamanto.
Abri um grande sorriso.
- Obrigada. – disse e adentrei-me ao céu.
Logo pude sentir; a esperança retomava meu coração, eu o ouvia bater como nunca o ouvi antes, era calmo num ritmo alegre... Vi as nuvens abaixo de meus pés virar grama e terra, vi árvores se formar diante de mim, vi um campo tão lindo e tão iluminado que me senti em paz. A tal paz do paraíso... é, eu a senti.
- Kaique... – silabava a vontade de meu coração.
Eu chamava por ele, eu o queria... E só ali, naquele paraíso celestial, que eu pude tê-lo. “A vida nos reserva surpresas, a morte nos reserva lembranças... E o paraíso? Ele NOS reserva, porque logo este paraíso será pouco para o amor que eu tenho por ele.” – pensava a cada passo que dava. “Esse paraíso será nosso, meu amor... Nosso recanto, o nosso alento.”
Sentei-me ali. Eu estava cansada, mesmo não havendo cansaço algum naquele paraíso. “Ele vai me encontrar...” – pensei.
Abaixei a cabeça e comecei a rezar baixinho.
- Beatriz, para onde você foi? Eu acordei e você não estava por perto. – disse Kaique me procurando e vindo ao meu encontro.
- Não sou Beatriz, sou Kara. É você Kai? Os anjos não paravam de falar sobre sua vinda ao paraíso para ficar ao meu lado... – disse. Por um lado era uma mentira, tanto os anjos e os santos não acreditavam na conversão de um assassino frio, mas eu provei ao contrário. Os únicos que me deram esta chance de provar algo foi o arcanjo Uriel e o serafim Radamanto. Sim, ele era um serafim... Pude ver suas belas asas a voar para o inferno e salvar mais almas como a minha assim que passei pelos portões.
“Deus lhe abençoe, Radamanto.” – pensei enquanto o via voar.
Assim que voltei dos meus pensamentos e lembranças vi Kaique a chorar na minha frente. Seu choro era emocionado e seus olhos sorriam de felicidade por finalmente me ver.
Levantei e fui abraçá-lo enquanto ele ainda estava ajoelhado a chorar. Será que ele havia finalmente entendido quem eu era? Não importava. Meus desejos de seu abraço estavam sendo supridos finalmente.
Acariciei sua cabeça. “Não chore, meu amor...” – pensava.
Ele me olhou. Suas lágrimas estacionadas ainda percorriam seu rosto sofrido, mas o rosto que eu amava.
Aproximei-me. Eu estava com medo, admito. Mas não medo do mal, mas medo da eternidade... Será que ela supriria minha saudade? Será que eu irei me enjoar? Será que... Não. Não podia pensar naquilo. Senão, como viveria? Certos momentos são feitos para serem apenas sentidos e não calculados. Esse era o ideal.
Aproximei mais... até que eu pude encostar finalmente meus lábios nos dele. Um frio na barriga se estacionou, o medo ficou maior, mas eu ouvi coisas maravilhosas como sinos tocando (eu sei, cena típica de filme de Hollywood, mas foi o que eu ouvi, foi o que eu senti. Nem todos os filmes de adolescentes mentem... Tirei esta conclusão só depois de morta).
O impressionante é que logo passou. Eu me senti completa e segura quando ele me envolveu em seus braços e me puxou para mais perto. Pude sentir seu coração... “Concordium.” – pensei lembrando o que ele havia me ensinado em latim. “Corações batendo no mesmo ritmo... Não é mesmo que o nosso bateu igual?” – pensei sorrindo enquanto ainda o beijava. Se eu estava bem? Eu estava ótima! Se eu estou feliz? Sim... Eu estou feliz. Eu estou feliz por estar em casa (finalmente encontrei um "lar" para chamar de meu e, este, era ali: ao lado dele, em volta de seus braços, afagando-me em seus beijos...).
“Tomara que você sinta o mesmo que eu... E que esta eternidade, seja o suficiente para os nossos corações.”.

Fim.

Ana Luiza Pereira