Robô


Todos os dias vejo pessoas felizes passarem pela minha janela. Invejo-as. Não sei o motivo de seus sorrisos, mas suas vidas são perfeitas demais que incomoda meu âmago.

Minha tristeza e lágrimas me impossibilitam de ultrapassar o vidro que me separa da rua, que me separa destes rostos felizes. E, mesmo que o ultrapasse, nunca me adaptarei. Sou estranha, infeliz, diferente... Nunca serei igual a eles, porque minhas lágrimas me fazem quem eu sou: uma humana.

Não sou e nunca serei uma robô. Não sou perfeita, não sou feita de metal, meus curtos-circuitos são veias que passam milhões de hormônios que me fazem amar, chorar, sorrir...

Nunca terei um sorriso metálico ou uma voz perfeita. Sou imperfeita, não sou robô, mas sou real. E são minha imperfeições e diferenças que me fazem feliz... mesmo com lágrimas nos olhos.

Ana Luiza Pereira

Carta à Eternidade


“A vida passa, o tempo corre.
TIC TAC. TIC TAC.
A minha vida se esvai junto com as areias do tempo. A eternidade, eu não possuo. Desconheço até. Apenas a vida que corre por nossas veias é que possui.
Vida é eterna, nós não. Nossa carne facilmente apodrece com o tempo, mas a vida continua por entre as veias dos seres. Desde o mais rastejante e peçonhento até o mais inteligente e arrogante. A vida desta terra é eterna, ultrapassa as barreiras do tempo e das areias da ampulheta da eternidade.
Tempo, tempo... Por que fizeste esse mal? Embeleza-nos quando jovens e enruga-nos quando idosos. Tempo, tempo... – nosso maior ponto fraco. Visão falha, coluna curvilínea, fraqueza... Tempo, tempo... – nosso maior benefício. Cura feridas, nos dá experiência nesta vida, proporciona momento. Tais momentos que podem ser felizes, ou raros, ou amorosos, ou simples, ou especiais... Mas que nunca voltarão atrás. Momentos que merecem replay, mas como na vida não se há um controle remoto com direito a pause...
Enfim, Tempo, poderia eu parar-te?
A eternidade; não possuo. Juventude; muito menos. Só me resta esta tola carta, perguntando (em vão): 
Sentimentos são eternos? Pois, não posso possuir a eternidade, mas posso propor-lhe a eternidade de meus sentimentos, de meus momentos.

Dignamente,

Alguém que busca fugir deste tempo difícil.”

Ana Luiza Pereira

Carta à Inocência


“Adormeço.

Durmo diante o movimento de um mundo que não pára; ele roda, ele gira, ele muda...

Perco seus passos? Não, apenas crio os meus.

Como? Sonhando... pois é sonhando que fugimos para sermos sanos, descobrimos nossas metas e desejos. Não fugimos da realidade, apenas damos um “pause” no cotidiano corrido.

“Sonhar é para os fracos.” Então, como esses fracos são tão fortes?

Persistência. Ficar só a sonhar é a mesma coisa que ver a vida passar sem fazer nada. Lutamos, caímos, levantamos - persistir em um sonho nos leva a descobrir limites e desbravar fronteiras.

Aprendemos com os erros, aprendemos o certo... aprendemos a viver.

Viver no cotidiano, rezando para não cairmos na mesmice. Então, convenhamos; sonhar é bom, sonhar acordado é melhor, porque, somente sonhando, podemos ver novamente o mundo com a simplicidade dos olhos de uma criança.

Solenemente,

Somente um alguém que quer fugir deste destino.”

Ana Luiza Pereira

Carta de Desespero


“Cá estou eu... sozinha. Perdida no frio das noites sem estrelas, me cobrindo dos raios de um novo sol, um novo recomeço.
Você se foi me deixando uma carta e um coração aos pedaços. Manchei-a com as lágrimas de tristeza, aquela carta. Era só um amontoado de palavras escritas com tinta, não tinham valor...
Não importava o que você dissesse; eu queria você, para sempre. Me cubro do sol, porque meu dia nunca mais será tão iluminado sem o seu sorriso. Visto preto; estou de luto pela sua partida. Como quero que você volte!... E pare já com essa ideia tola de que eu poderei não te amar. Eu te amo o suficiente para te querer para sempre! Para querer construir uma família, envelhecermos juntos... Eu simplesmente te amo... e não suporto a ideia de não tê-lo aqui.
Se soubesses o quanto me deixastes triste, voltarias. E eu, obviamente, te perdoaria. Porque te amo.
Sei que cometo muitos pecados, mas nunca deixaria de cumprir uma promessa que fizera a ti. Mas você? Acabaste de descumprir todas que fizeras a mim ao me deixar aquela carta, exceto a promessa de me amar...
Queres que eu seja feliz? Então ME FAÇA FELIZ! Pois não há felicidade alguma sem ser aquela que eu possa ter ao seu lado, não há amor verdadeiro algum sem ser aquele que eu sinto por você e não há sol algum sem que você esteja aqui.
Vivo em depressão, em profunda tristeza desde que partira. Você é o único que pode me salvar... é o único que pode me tirar deste poço. 
VOCÊ E SOMENTE VOCÊ, és o único que dei a licença de me amar... Por favor, traga-me de novo os raios de seu sorriso.

Desesperadamente,

Aquela que nunca deixará de amá-lo, nem por um pedido.”

Ana Luiza Pereira

Carta de Abandono


"Era para ser um dia especial. Era para ser o SEU dia. Mas meu medo e falhas me fez recuar, como sempre.

Sim, eu te amo. Sempre te amei, sempre te amarei. Mas e você? Você me ama hoje, me amou ontem, mas tenho medo em saber se não me amará amanhã. O futuro é tão incerto que a cada dia eu penso que se o que sinto é certo ou durável. Nunca pensei em viver numa instabilidade que só as dúvidas causadas pelo amor pode me dar... Mas vivo.

Não fui preparado para isso. Na verdade, NÃO ESTOU PREPARADO!

Promessas e promessas, sendo ditas com tanta sinceridade e construídas diante da falsidade das pessoas. É com isso que me deparei... e me decepcionei.

Para você é fácil se entregar às instabilidades de um amor, se machucar e se levantar. Mas nem todo "amor" é escrito com a mesma intensidade do primeiro. Por isso, receio. Receio as mágoas, receio as brigas...

Você dirá: "Mas é assim que é feito um relacionamento! Altos e baixos..." Então, responderei: "Sim! Altos e baixos... Mas os dois sempre juntos e com a mesma intensidade de amor, como se ainda se conhecessem... Porque é assim a vida num relacionamento sério; a cada dia você descobre mais de você e dele! Mesmo quando já tiver passado muito tempo..." "Tolo!" - Você me responderá aos risinhos sem graças.

Não... Por mais que você me ame agora, eu sei, eu sinto; não me amarás mais tarde. És livre, és oscilante. Por isso, eu fugi; não porque eu não te amo, mas porque eu te amo demais para poder suportar um "não" mais tarde.

Serei teu, para sempre. Mesmo que todas manhãs você não acorde e me chame de marido...

Felicidades com quem quer que você case mais tarde,

Daquele que te ama muito..."

Ana Luiza Pereira