Carta de Abandono


"Era para ser um dia especial. Era para ser o SEU dia. Mas meu medo e falhas me fez recuar, como sempre.

Sim, eu te amo. Sempre te amei, sempre te amarei. Mas e você? Você me ama hoje, me amou ontem, mas tenho medo em saber se não me amará amanhã. O futuro é tão incerto que a cada dia eu penso que se o que sinto é certo ou durável. Nunca pensei em viver numa instabilidade que só as dúvidas causadas pelo amor pode me dar... Mas vivo.

Não fui preparado para isso. Na verdade, NÃO ESTOU PREPARADO!

Promessas e promessas, sendo ditas com tanta sinceridade e construídas diante da falsidade das pessoas. É com isso que me deparei... e me decepcionei.

Para você é fácil se entregar às instabilidades de um amor, se machucar e se levantar. Mas nem todo "amor" é escrito com a mesma intensidade do primeiro. Por isso, receio. Receio as mágoas, receio as brigas...

Você dirá: "Mas é assim que é feito um relacionamento! Altos e baixos..." Então, responderei: "Sim! Altos e baixos... Mas os dois sempre juntos e com a mesma intensidade de amor, como se ainda se conhecessem... Porque é assim a vida num relacionamento sério; a cada dia você descobre mais de você e dele! Mesmo quando já tiver passado muito tempo..." "Tolo!" - Você me responderá aos risinhos sem graças.

Não... Por mais que você me ame agora, eu sei, eu sinto; não me amarás mais tarde. És livre, és oscilante. Por isso, eu fugi; não porque eu não te amo, mas porque eu te amo demais para poder suportar um "não" mais tarde.

Serei teu, para sempre. Mesmo que todas manhãs você não acorde e me chame de marido...

Felicidades com quem quer que você case mais tarde,

Daquele que te ama muito..."

Ana Luiza Pereira

Sonho Real


Era só mais um passeio. Chato, por sinal. Eu só ia para sacanear com meus amigos... Eu era comprometido, não sei com o que, mas acho que era com a garota dos meus sonhos.
Ela era magra, seu cabelo era liso e preto como seus olhos. Tinha os lábios finos mas o sorriso perfeito. Ela seria apenas um sonho, se eu não tivesse começado após um dia que vi sua foto num fã clube em rede social.
Seria uma viagem longa no ônibus. Por isso mesmo, não parávamos de sacanear... Principalmente a professora! Ela que inventou de nos levar as mais conhecidas universidades vinculadas com ENEM. Íamos agora à uma que ficava não sei onde, só sei que as fotos são só mato!
Eu, viciado e pilantra, ficava no twitter no meu celular toda vez que ela virava e meus amigos estavam de bagunça.
Quando finalmente chegamos, era horário de almoço. O engraçado que não era só universitários que almoçavam só no que chamavam de "bandeijão", mas também adolescente com a mesma idade que eu, uniformizados.
Minha professora procurava incessantemente as quadras de educação física da universidade.
"Tomara que não seja uma peregrinação." - pensava.
Até que ela perguntou a um uniformizado que, por sorte, ia para lá. Guiou-nos por dentro... Logo chegamos a um local aberto e cheio de quadras. De um lado, quadras poli-esportivas do outro uma piscina, atrás da quadra tinha um quadra poli-esportiva fechada com arquibancada e atrás da piscina tinha o prédio de educação física.
Segundo o estudante do CTUR (esse era o nome do colégio que ele estudava), como tinha chovido no dia anterior, todos treinavam na quadra fechada. Não sei o que ele quis dizer com "todos" só sei que fomos guiados para lá.
Assim que se abriram as portas daquela quadra, percebi: o pessoal do CTUR treinava, e muito bem treinado, o basquete.
Ela, a garota dos meus sonhos, estava jogando. E era a melhor; num piscar de olhos ela fez uma linda enterrada.
Ela desceu. Respirava profundamente enquanto olhava o chão. O suor que respingava do seu rosto o fazia ele brilhar. Sua roupa de ginástica, justa o corpo, mostrava suas curvas perfeitas... Eu precisava de me controlar para não babar! O que a estragava é que ela era mais alta do que eu, mesmo assim, perfeita.
Assim que ela desceu, a juíza apitou o final do jogo. Foi quando percebi: era um amistoso de garotos versus garotas e as garotas tinham vencido, graças a minha perfeita. Ela se virou e cumprimentou o time adversário, dois garotos a abraçaram e andavam junto com ela até o seu time que comemorava.
            Admito ficar com ciúmes. Meus olhos não paravam de admirá-la, como eu queria ser um daqueles garotos! Nem percebi que minha professora estava conversando com a juíza do jogo... Apenas tava ali: parado, pasmado, tentado me convencer que ela era uma ilusão... Mas, no fundo, sabia que ela não era. Ela era real... Tão real quanto eu.
            Eu e minha turma sentamos na arquibancada quando minha professora se desembestou a falar... Ela combinou com a juíza do CTUR para fazer um amistoso: CEFET de São Paulo X CTUR do Rio de Janeiro e o time podia ser misto; garotos e garotas.
            Mas eu não iria... Por duas razões: minha altura me proporcionava apenas o título de pivô ou ala do time, e ela não jogaria por usar uma tala na mão direita e sentia dores.
            O jogo começou. Fiquei na arquibancada, fitando seu olhar crítico e profissional.
            Ela percebeu que havia alguém do outro lado da quadra a olhando, cochichou com as amigas e elas voltaram seu olhar a mim.
            Desviei.
            Elas riam e conversavam. Seu riso era perfeito... tão perfeito quanto eu imaginava.
            Minha perfeita voltou a observar o jogo, mas de vez em quando trocávamos olhares e ela ria... Até que ela me chamou com a cabeça para irmos para sairmos dali.
            Ela foi primeiro, saí logo em seguida.
            - Oi. – disse ela.
            Ela sorriu. Assim que eu ia responder...
            Acordei de novo na minha cama. Era só mais um sonho... Provável que nunca aconteça. Eu só me encontraria com a foto dela de noite, no twitter. Para mais uma vez poder sonhar com seus olhos...


Ana Luiza Pereira

Cabana


Era só uma cabana. Comum e simples. Abandonada para quem a via, não se sabia quem ali habitava...

Eu respondo: a tristeza. As lembranças depressivas dos dias de chuva de Mary e sua família.

Poeira sobre os móveis, fotos amareladas, teias de aranhas nas entradas dos cômodos, ratos comendo os restos de comida, cupins comendo a madeira daquela cabana, fazendo buracos por onde saiam baratas. Ali, diante do abandono da cabana, estava o álbum empoeirado de fotos amareladas - as lembranças de Mary.

Dias ensolarados, as folhas a cair. Mary não precisava do sol; ela tinha tudo: o sorriso e o amor dos pais.

Os dias retratados nas lembranças de Mary eram perfeitos... Mas não iriam voltar.

Eles saíram durante um dia seco de verão. Levavam Joe, irmão de Mary, à uma festa no litoral.

Mary esperou, esperou, esperou...

Os dias passaram, as estações mudaram, as fotos amarelaram... O desespero bateu.

Mary, encolhida na sua pequena cama de criança - pequena demais para seu tamanho atual -, sabia de alguma forma: eles não iriam mais voltar...

Ana Luiza Pereira

Tradução


Às vezes o que queremos sentir, não é sentido. Às vezes o que sentimos não poderá ser traduzido.

Sentimos n emoções durante as 24h que um dia normal possui.

Tédio, alegria, graça, tristeza, depressão... Em um dia, podemos sentir tudo isso e mais um pouco e mais de uma vez.

"Você está bem?" - é o que ouvimos quando esboçamos algo ruim. "O que aconteceu?" - é o que ouvimos quando esboçamos algo bom.

Mas nem tudo que sentimos poderíamos traduzir em palavras. Estupor, vergonha... Ás vezes sentimos algo que não sabemos o que, mas apenas sentimos. E é tão bom sentir! Ficar admirados com nós mesmos e com o que nosso coração pode nos proporcionar!

Sentimentos são coisas belas e simples, porém complexas para suas respectivas traduções e significados.

Ana Luiza Pereira

O que é felicidade?


Eu queria
o que não posso ter

Eu teria
o que nem pensava em querer

Sensatez e prudência;
coisas que uso com benevolência

Amizade e amor;
coisas que possuo com vigor

Mas e a felicidade?
Será que vivo a vida com muita seriedade?

A felicidade não está nas mãos de quem procura,
está nos micos que pagamos na cara dura.

Mas a felicidade não é só isso;
um amontoado de pessoas celebrando um compromisso.

A felicidade se constrói
com montanhas de alegres momentos

E, dificilmente, a felicidade se destrói;
como se pedras caíssem diante de um monumento.

A felicidade é simples
É feita de momentos simples

Para felicidade não há rima
Apenas corações compartilhando do mesmo clima

A minha felicidade é você
E tudo o que você pode me proporcionar.

Ana Luiza Pereira