A tragédia de minha tristeza


Debulhei-me em lágrimas; a distância se alongou.

Não poderei te ver, ouvir. Tudo graças ao destino que amaldiçoou nossa paixão.

Sinto-me presa numa tragédia grega, onde o amor incondicional de duas pessoas as corroem e as levam à mais doce morte.

"Tão doce a ideia do suicídio!"

Minhas lágrimas não param de molhar o papel já manchado de tinta.Busco desesperadamente em meio a este oceano de lágrimas a saída desta depressão.

Minha tristeza parece não ter fim. As horas não parecem passar. Mas a certeza continua: TUDO nos separa.

Sinto o fantasma de Hamlet a agonizar e atrapalhar meu amor por você, meu príncipe dinamarquês.

Agonizante e ratejante. Sou mais um verme neste mundo, ao menos, sinto-me assim. Asqueroso e arrogante. Torno-me assim. Triste e fria. A depressão já tomou conta de mim. Pequena e grotesca. Sem ninguém para entender-me ou se preocupar.

Por isso as lágrimas; por isso a depressão.

Luto contra mim. Luto contra o triste fim das tragédias. Luto contra as minhas lágrimas, para ver a esperança em seus olhos.

Ana Luiza Pereira
 


Esfinge


Você não sabe quem sou, mas eu sei quem você é. Eu te sinto e observo. Conheço as profundezas de sua alma, porém você não conhece nem as margens da minha.

Sou onisciente e onipresente.

Sei quem você ama, sei quando sente raiva, dor... Sei de todos os seus sentimentos e posso compreende-los.

Te surpreendo, te engano, te faço sorrir, como também posso lhe fazer chorar, toco seu coração, te levo aos mais lindos lugares, te faço pensar na sua vida e escolhas, muitas vezes faço-te refletir sobre o certo e o errado, bem e mal...

Mas sempre sou seu amigo verdadeiro; estando sempre ao seu lado, apenas você pode me carregar dentro de si, próximo de seu coração.

Você me vê no seu dia a dia mas nem percebe. Às vezes você dorme por minha causa, ou até mesmo culpa que o cotidiano lhe traz.

Eu penso. E o meu foco é sempre o egocentrismo; seja ele meu ou seu.

Sei que você já se confundiu. Pensou em milhares de possibilidades para descobrir quem sou eu.

Fácil! Sabe quem sou eu?

Sou o narrador personagem, sou o seu narrador observador.

Ana Luiza Pereira

Tentativa de suicídio


Meu mundo caiu. O que estava de pernas para o ar agora desmorona sob minha cabeça.

Estou aqui, chorando, desde quando você se foi. 

O que eu não tenho que a outra tem? O que você viu nela?

Não sei.

Só sei que ficar nesta janela fitando os corpos se moverem na rua não trará você de volta, ficar imaginando você brigando com ela não trará você de volta... NADA do que eu possa fazer poderá trazer você aqui.

E, meu mundo que era você, se perdeu junto neste universo de mundos egoístas.

Debulhei-me em lágrimas.

Peguei os remédios... Queria me acalmar! Mas como sei que o lítio demora a fazer efeito, tomei logo o vidrinho inteiro de antidepressivos.

E fiquei ali, recostada na parede esperando somente um alguém estender-me a mão: a morte.

Logo, minha barriga chiou uma vez. Será que é um aviso da chegada dela com sua foice?

E chiou mais outra, e outra, e outra.... Quando dei-me por mim estava no banheiro, na tentativa de me recordar que estava escrito no vidrinho de remédio.

- Droga! Tomei os laxantes da vovó! - disse limitando meu mundo a um novo lugar: aquele banheiro.

Ana Luiza Pereira

Minha imaginação é você



Não te vejo, nem te toco.

Mesmo assim escrevo nossas iniciais em meus cadernos seguidos de corações e bonequinhos envergonhados.

Meus pensamentos te pertencem, meu coração também.

Me corroo quando não está, porém esqueço das dores que senti na sua "ausência" quando ouço sua voz. Minhas lágrimas por causa da distância percorrem um longo caminho até chegarem ao chão: as curvas exageradas de meu sorriso quando ouço sua voz. E, queimam.Queimam junto com o acúmulo de calor nas minhas bochechas que só você me faz sentir quando me diz docemente "eu te amo".

E quando você se vai, o vazio em meu coração volta, sua voz em meus pensamentos persiste, e insiste, a me repetir toda a nossa conversa, até que você volte para mim de novo... Choro de emoção ouvindo certas músicas, imaginando detalhadamente: suas bochechas coradas, seu sorriso sem graça, seus olhos a fitar o chão e sua voz baixa a gaguejar.

Mas isso é só imaginação... Nunca poderei ver-te pessoalmente! Só de pensar me dói. Contudo, fique tranquilo meu amor; por mais que este corpo se arraste, por mais que este corpo se corroa e por mais que este corpo apodreça nessa terra, meu coração está guardado dentro da caixinha de presentes. Pronto para pertencer de vez a quem já o roubara de mim.

Ana Luiza Pereira
Baseado em fatos reais.

The Hell Day [Parte 3]


Pá! Pá! Pá!
            Começa o barulho infernal de novo.
            Pá! Pá! Pá!
            Stephy solta um berro desesperado.
            Será que ele estava ali? – pensava ela assustada.
            Suas lágrimas afundavam seus olhos no abismo do desespero. Ela tremia e temia, sabia de alguma forma não sairia viva do maldito apartamento 93.
E, tudo culpa dele. O psicopata que estava a bater na porta do quarto e a empurrar Stephy ao abismo.
Quem poderia a salvar? Deus? Não. Sua vida não pertencia a Deus. Deus parecia não olhar para a pobre pecadora e a proteger naquele exato momento de solidão e desespero. Deus não podia ampará-la...
- Deixe a morte amparar você! – dizia o psicopata lendo os pensamentos desesperados de Stephy.
Ela estava ali. A chorar de desespero, sem eira nem beira, sabendo que a morte estava ao outro lado da porta, sabendo que ninguém a protegeria, pois todos estavam mortos.
Pá! Pá! Pá!
Após a terceira batida de não se sabe o que, o silêncio inundou o apartamento maldito.
Stephy soluçava. As lágrimas de desespero saiam involuntariamente. Ela tentava respirar calmamente, mas era em vão.
Será que ele desistiu? – pensava ela com um resquício de esperança.
Ela se levantou calmamente. Não queria fazer barulho... Se ele não tivesse na porta mas em outro cômodo correria rapidamente para matá-la se ouvisse qualquer ranger. Ela se segurava nos cômodos próximos e paredes, suas pernas estavam bambas de tanto medo.
Ela empurrou o móvel que impedia a porta bem devagar. Até quando empurrou o suficiente para que ela saísse.
Ela respira fundo, desejando incansavelmente que o psicopata não estivesse ali e, roda a maçaneta.
A porta, presa em dobradiças enferrujadas, involuntariamente range.
Quando a porta estava totalmente aberta, ela teve a pior visão que alguém poderia ter. Dois olhos azuis pedindo pelo sangue que poderia escorrer num corte no pescoço.
- NÃO! – grita Stephy, talvez implorando por sua vida, talvez por puro medo ou talvez por não querer encontrá-lo novamente no inferno.
Os olhos dele brilhavam com o sangue que acabava de escorrer daquele pescoço. A poça de sangue que se formava debaixo de seus pés lhe dava fome e lhe fazia querer matar mais e mais.
Mas era o fim. Estava acabado. Para Stephy.
Pá! Pá! Pá!
O psicopata ouve aquelas batidas e abre a porta do armário. Aquele corpo cai aos seus pés mais uma vez. Ele já vira aquela cena, mas não cansava de repeti-la.
- Mais uma vez eu consegui e você não me impediu! – ele soltou uma risada satânica – Você nunca passará de um merda de ninguém, meu querido irmão. – disse Gerard com tom de menosprezo.
E, assim, sai Gerard, psicopata, pôs-se a pular pela cidade sem ninguém iluminada pela lua cheia e a deixar seu irmão com seu ataque de pânico chorando mais uma vez pelas mortes das pessoas que mais amou. Chorando... soluçando por uma solidão eterna.

Ana Luiza Pereira