Malditas palavras!


Maldita seja! Esta palavrinha que corrói; distância.

Sim! Ela corrói. Corrói o meu peito quando olho para  lado e só encontro seu fantasma, corrói-me desaceleradamente com a falta de seus abraços e o desejo de seus beijos... Maldita! Maldita!

Que amor é esse? Maldito seja ele também! Aconteceu assim; do nada! E agora me faz agir como uma idiota, tola e ordinária, com um sorriso sem graça nos lábios e as bochechas pintadas de vermelho.

Amor e distância... Coisas tão paradoxais! Como pôde haver a possibilidade de se amar alguém que se mora tão longe? Sabendo que as possibilidades tendem ao sofrimento e ao erro? Não sei. Mas estou prestes a desvendar a desventuras de tais mistérios que somente este amor pode me dar.

Mas e a amizade? Vai deixar de existir? Maldita seja as perguntas! Principalmente aquelas perguntas de respostas que ainda não sei. Amizade gera fraternidade, por que geraste logo a mim o amor?

Não dá! Não sei! Pela primeira vez, não sei o que dizer, escrever ou sentir! Apenas sei que é algo forte e incontrolável. Algo que não é a primeira vez que sinto, mas é a primeira vez que eu não tenho nem uso de minha esperteza seja para escapar, seja para saber como lidar ou agir.

Apenas não sei de nada do que vi, senti, ouvi. Mas, ainda sim, continuo a amaldiçoar as palavras que me confundem. Maldita sejam elas!

Ana Luiza Pereira

Sinto Sua Presença


O dia já começara assim: chuvoso, fechado. Mais parecia noite; as nuvens cobriam qualquer resquício de sol que o dia poderia ter. O vento gélido fazia que eu desejasse não sair da cama.
Mas não me contive. Não posso me dar esse luxo; precisava arrumar a casa, alimentar o cachorro, lavar a louça e estudar.
Sai da cama. O vento sorrateiro passava entre as frestas da porta e janela e eriçava sem aviso os pêlos do meu braço. Calcei a pantufa e palpei a cama, caçando por entre os cobertores meu celular com fone de ouvido. Assim que eu o achei, pus o fone no meu ouvido e coloquei a música no último volume.
Após uma boa despreguiçada, levantei. Fui ao banheiro, fiz o que tinha para fazer e fui arrumar a sala. O pano úmido que passei por entre os móveis já gelados congelava minha mão. Pensei por um segundo que meu sangue iria congelar, mas no fundo eu sabia que era exagero de minha parte.
Quando comecei a limpar a poeira das fotos antigas, uma música calma começou a tocar no meu celular. Foi quando a vi. Seus olhos pareciam saltar do retrato antigo e ficarem atentos a me fitar, como sempre fazia. Peguei a foto e fiquei segundos inteiros olhando-a.
Minha mente viajava entre minhas lembranças: me lembrei de quando pequena eu ficava a correr por entre a casa e ela, sempre preocupada, ia atrás e pedia-me que eu fosse mais devagar; lembrei de como ela almoçava: em pé com o prato na pia com o ouvido no radinho de pilha; lembrei que ela preparava meu leite de tarde enquanto eu me escondia e me fingia de morta; lembrei de sua paciência enquanto me ensinava a jogar buraco nas noites de sábado e de como roubava, me ajudando sempre a vencer senão eu chorava; lembrei de sua voz; lembrei de como ela me cobria para dormir; lembrei de meus beijos em sua bochecha macia; lembrei de como ela me consolava quando acordava em meio da noite assustada pois tivera pesadelos; lembrei de sua decadência e, fatalmente; lembrei do dia de sua morte.
Chorei. Ela ainda estava ali, no retrato, me fitando. Eu sentia falta de sua presença, de sua companhia. Eu senti falta daquele dia das crianças eternizado na foto que eu comprimia no meu corpo, o dia que ela, depois de ser avó e minha segunda mãe, também se tornara minha madrinha.
- Nem pude me despedir quando se foi... Me desculpe pelos meus erros, não posso ser perfeita! Não sei quais eram seus planos para mim, mas você sempre será minha ídolo, meu exemplo de vida e suas lembranças e ensinamentos serão meu alicerce. Te amarei para sempre, vovó – disse entre os soluços do choro.
Limpei as lágrimas sorrateiras e pus a foto no lugar. Depois disso, meu dia não fora mais um dia comum, eu a sentia do meu lado a me vigiar, como se a criança novamente corresse entre os corredores e ela pedisse calma.

Ana Luiza Pereira

Oscilante


Oscilante vida. Oscilante dia. Oscilante ida.

Um dia, a epifania dos dias de uma mulher. No outro, suas memórias póstumas vem a se reerguer das cinzas e a puxar suas canelas para terra molhada da chuva torrencial da depressão.

Um dia claro, sem nuvens, iluminado pelo sorriso largo de batom. Outro dia escuro, como se as bolsas da insônia e a maquiagem borrada tampassem a luz das estrelas.

O que houve? O que aconteceu? Um dia o bem lhe faz pular, aos saltos de alegria dançar conforme a música; no outro, mal lhe fez cair, chorar rios e se isolar da sociedade que ri de seus apelidos e histórias.

Não! Ela não que isso... Oscilar entre o sorriso e o choro enquanto os outros falam de sua vida, espalham seus segredos e queimam suas fotos. Ela não quer se esconder em máscaras, se isolar em quartos fechados e não sentir o calor do sol e ver o brilho das estrelas.

Ela quer viver, com ou sem chacotas, com ou sem sol, com ou sem problemas, com ou sem lágrimas para derramar. Seja essas lágrimas de amor, alegria, tristeza, ou da simples depressão que eles lhe causaram.

Ela quer a alegria, a felicidade. Ou apenas uma parte dela para se contentar. E mostrar a eles, que ela não precisa de suas palavras para viver, nem dos seus julgamentos... Apenas vive a vida! Sem olhar para trás para vê-los rir de sua diferença pelas costas, mas rindo deles, sempre à frente, pela sua igualdade.

Ana Luiza Pereira
Baseada em fatos reais.

The Hell Day [Parte 2]


            Terminado o banquete, todos se reuniram na sala ver o desfile na TV.
- Você viu o Jhon? – pergunta Stephy a Gerard quando ele ia ao banheiro.
- Não. – respondeu Gerard secamente e seguindo seu caminho ao banheiro.
- Deus! Onde ele está? – indagava-se Stephy se desesperando.

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Pá! Pá! Pá!
- O que é isso? – perguntam os convidados.
- Deve ser o Patrick, nosso vizinho, que está reformando a casa. – explica Katy.
- Logo no dia de Ação de Graças?
- Vizinhos malucos!

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Já anoitecera.
Axel e Rachel saiam do prédio de Katy e Gerard felizes e... bêbados.
Riam de se esbaldar.
- Ah! Oi! – dizia Rachel bêbada rindo. – Estão te procurando lá em cima!
Ele tira o facão de açougueiro da calça...
- Que isso cara?! – pergunta Axel assustado.
Num rápido movimento, a cabeça de Axel rolava calçada afora. O gosto de sangue respingado na boca de Rachel a apavorava.
Grito.
Correu incansavelmente para longe do psicopata. Cambaleava por causa do nível de álcool no sangue.
Mais gritos.
Num tiro certeiro, ele acerta o facão no crânio de Rachel já um pouco distante. Ela tomba no chão com sua cara de pavor.
Ele tira o facão da cabeça da loira. Os pingos de sangue que escorriam do facão marcavam o caminho de mais um psicopata.

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Cores mortas e luzes a piscar. TUDO dava um ar fantasmagórico ao corredor do 3º andar.
Ainda mais que ali estava ele.
Mais e mais convidados saiam do apartamento 93, o apartamento de Katy e Gerard.
Mais gritos, mais sangue.
Logo, as paredes ganhavam a cor de vermelho. Pichações com o sangue de suas vítimas faziam do lugar fantasmagórico para terrivelmente assustador.
Os convidados já estavam mortos... Agora, só faltavam três.
A porta do apartamento rangeu com o entrar do assassino. Cada um estava em um cômodo.
E, silenciosamente, lá se vai seu próximo alvo.

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- Katy, você ainda está vendo TV? – pergunta Stephy indo ao lado de Katy naquele momento.
Stephy senta do lado de Katy. O balanço do sofá fez com que a cabeça de Katy rolasse.
Foi quando Stephy percebera o sofá estava inundado do sangue de sua amiga.
Ela começa a ouvir passos vindos detrás do sofá.
Grita.
Corre enquanto ele tenta acertá-la com facão.
Ela se tranca no quarto e empurra uma cômoda para prender bem a porta.
- Deus! Ajude-me! – disse ela encolhida perto da cama a chorar assustada.

Continua...

Ana Luiza Pereira


O petróleo é fluminense!


Como todos sabem; a campanha do petróleo começou com a ditadura getuliana com a criação da Petrobrás e a nacionalização e estatização de empresas multinacionais petrolíferas que agiam em solo brasileiro.

Porém, o que poucos sabem e que os livros não dizem é que esta campanha ganhou voz no Rio de Janeiro e no sudeste (que já eram grandes capitais de comércio), porque desde aquela época sabia-se que o sudeste tinha poços de petróleo. (Naquela época a Bahia era parte do sudeste brasileiro e, a descoberta do ouro negro, deu-se no recôncavo bahiano).

Hoje, com o Préssal, fazemos a mesma exclamação que Getulio Vargas fez em 1947: “O Petróleo é nosso!”. Contudo, há perda de uma centralização de capitais e poder para a melhor execução do Préssal sendo ele mais estatal que terceirizado.

Sua terceirização para os empresários fluminenses seria o ideal, pois haveria uma centralização do poder e do capital numa grande metrópole do comércio.

Com capital preso no Rio, poderíamos investir mais nas nossas empresas petrolíferas, ganhando mais capitais e investimentos estrangeiros, além de enriquecer, não só o sudeste, mas o Brasil com isso. Os horizontes comerciais serão mais extensos e os países teriam mais credibilidade no Brasil.

O Rio de Janeiro merece isto porque só ele tem a capacidade e infraestrutura para a refinação do petróleo. Lembrando que a sede da Petrobrás está localizada no Rio de Janeiro e a maior parte da indústria naval brasileira também, sendo ela a indústria que constrói as plataformas petrolíferas, empregando milhares de brasileiros. Além de ser injusto que esta riqueza fosse transferida ao Brasil inteiro, enquanto certos estados não transferem a renda que adquirem com suas riquezas ao Rio de Janeiro também.

A nacionalização do petróleo fluminense resultaria numa perda de 7 bilhões, quebrando o estado e resultando numa diminuição dos salários de servidores públicos que podiam aumentar com a venda dos barris de ouro negro, além dos desempregos, abaixaria índice de IDH, empobrecimento das cidades fluminenses, entre outros fatores que esta medida causaria.

As perguntas que faço são: É isso que povo quer? Eles preferem repartir uma coisa que é nossa, quebrando um estado inteiro, enquanto outros não repassem suas rendas com a gente? Preferem viver numa miséria que lutar por um crescimento socioeconômico que só o petróleo sendo fluminense pode nos repassar?


Ana Luiza Pereira


Texto para o meu trabalho de júri de Geografia; "O Petróleo É Nosso!" - defensoria Fluminense.