Carta à GT

"Querida Gramática,

     Gostaria de saber como vão tuas mesóclises vaiadas pelo povo e louvadas pelo governo. E tua regência? Não achas que está na hora de mudar a regência que há séculos não funciona mais?
    Até os pronomes que te descrevem já se modernizaram e tu não. Dás exemplos de Camões e Machado, mas Camões não nasceu nestas terras e Machado era mulato que não frequentou escolas, apenas ouviu as aulas pela janela quando criança. Valorizas a língua dos brancos colonizadores e, às vezes, usas de exemplos belíssimos e poéticos de gente desta terra para dizer o que não se deve fazer.
      Por que, Gramática? Valorizas a tradição de um homem colonizador, sendo que o povo que as reges é miscigenado... Por que não te renovas? És contraditória em tua própria nomenclatura e usas de páginas e páginas com listas de exceções e exemplos e, ainda assim, prezas a coerência e a coesão. Já pensaste que as exceções são o uso comum e suas regras é que, de fato, são as exceções? Quem, em sã consciência, na língua falada dirá "Vós estais errado"? Nem a língua do nosso Senado usa esse pronome e essa conjugação.
       Muda, cara Gramática. Aceite do povo que te vê com bons olhos e sê uma ferramenta integradora e não uma dissipação de preconceitos. Digo tais palavras de bom coração, porque não te quero no lixo ou numa inquisição."

Ana Luiza Pereira

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