Amigo, venhas logo me buscar!

Na noite, ausência vem
de um amigo que no cor me têm.
Agora, coita vivo eu a amar;
Morte, venhas logo me buscar!

Na penumbra vi seus olhos
fitando-me de véu e corpo nudo.
Agora fico a te imaginar;
Morte, venhas logo me buscar!

Hoje vivo a espera de mia fonte secar,
vendo os vários cervos nela beber...
Vem, amigo! Vem ver-me tal coita sofrer!
Morte, venhas logo me buscar!

Dizias que de gram mal iria morrer,
pois apenas mal fi-lo sofrer;
cantavas trobas a me culpar...
Morte, venhas logo me buscar!

A troba ideal um dia se realizou;
e seus olhos na finda se fechou.
Quantos mortos, amigo, hei eu de invejar?
Morte, venhas logo me buscar!

Ana Luiza Pereira

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