Epifania - Ensinamentos que ficam

Chego a mais uma vez a conclusão de que Deus escreve sempre certo, por mais que nós, seus filhos, nos perguntemos o porquê dos planos que não entendemos. Hoje, mesmo com pesar no meu coração, percebi algumas coisas muito reconfortantes.

A primeira está na leitura do Evangelho segundo Marcos, logo no início do capítulo 14, na parte final do versículo 7, para ser mais precisa. Jesus diz: “Quanto a mim, não me tereis para sempre”. E, de fato, não o temos. Temos suas lembranças e seus ensinamentos, mas não seu corpo físico. Mais a frente, no versículo 9, ao se referir à mulher que despejou perfume em sua cabeça, diz: “Em verdade vos digo: em qualquer parte que o Evangelho for pregado, em todo o mundo, será contado o que ela fez, como lembrança do seu gesto”, em outras palavras: quando as pessoas morrem? A resposta correta é: quando são esquecidas. Não importa a dor que sintamos pela perda física, enquanto as lembranças e os ensinamentos existirem, existirá vida daquela alma que pensamos ter perdido. Se o próprio Cristo nos diz isso, porque ainda queremos a resposta do porquê das coisas?

A segunda, e não menos importante, foi meio que sem querer.  Foi bem no meio da missa, na hora da paz, a qual todos da assembleia se cumprimentam desejando a paz de Cristo uns aos outros, antes de o fazermos, o padre diz: “Que a paz esteja convosco” e a assembleia responde: “O amor de Cristo nos uniu” e isso me fez pensar. Eu, nos meus poucos anos de vida, aprendi que os seres humanos tem muitas limitações e, portanto, tem suas necessidades de sempre estar em um círculo social. Porém, é um fato que há certas pessoas que são, para o nosso íntimo, muito mais do que um familiar ou um amigo, mas uma fortaleza, um conselheiro, pessoas que nos dão paz no meio do caos do mundo. Mas é certo que cada pessoa vem a esse mundo com um propósito, uma missão que não sabemos qual é e, talvez, nunca saibamos, mas, ao encontrarmos em meio de nossa jornada pessoas que se tornam nossas fortalezas, enquanto alguns pensam ser destino, outros, eu me incluo, pensam que foi Deus. Para ser mais exata: o amor de Deus que uniu. Deus não fez o ser humano para viver sozinho, portanto, fez pessoas assim para que saibamos o que é amor e, com isso, o que é paz. A paz de Deus não provém do silêncio, a paz de Deus vem da comunhão das pessoas que se amam. A falta de amor nos desune e causa guerras, não sabemos amar ainda tal como Jesus amou. Porém, quando encontramos nossa fortaleza nas pessoas que, sem querer, acabamos por amar demais, não queremos perder essa pessoa, porque não queremos perder a paz que ela nos traz. Mas nada é para sempre... E, como disse acima, nunca morreremos enquanto formos lembramos. Cristo ainda não morreu, certo? Ele vive em nós como as lembranças de nossos entes queridos. Quando perdemos nossa fortaleza é porque somos fortes, não fortes o bastante para seguirmos sozinhos e sem rumo, mas fortes o bastante para seguirmos sempre na direção da nossa maior fortaleza: Jesus.

E é aí que chego ao meu terceiro e último ponto, agora, me dirijo diretamente à lembrança do Tio Augusto. Foi curioso, já que a revelação dessa parte nasceu de um verso de uma música que gosto muito e que, percebo hoje, define muito bem o homem que ele era: “Nada poderá me abalar / Nada poderá me derrotar / Pois minha força e vitória / Tem um nome e é Jesus”. Ele confiava tanto em Deus que nem por um segundo reclamou, por mais que sentisse medo. Suas forças estavam sempre em suas orações a Deus e, eu sei, que por isso ele não foi derrotado. Sua morte nos deu a vida, a vida de seus ensinamentos e, concedeu à sua alma, um lugar na casa do Pai durante toda a eternidade.

Concluindo: Deus não faz nada por acaso. Se ele me deu a graça de me unir em seu amor à família Campelo, mais especificamente, àquele que para sempre será meu Tio Augusto, foi para ensinar o que é temor e o que é a verdadeira alegria em Cristo (não aquela que dura apenas uma festa na igreja ou um retiro de final de semana, mas todos os dias, apesar das perdas, da luta e do cansaço), ele nunca morrerá, porque isso sempre viverá em mim. Carrego em mim, uma parte dele tal como carrego uma parte de minha vó Dora, e todos os seus sorrisos e brincadeiras. Tenho certeza que ele cumpriu o seu propósito. E como último e principal ensinamento (não só ele, como o de minha avó também foi esse) é que por mais que nos apoiemos muito em pessoas que amamos, devemos sempre buscar nos apoiar em Deus, porque é n'Ele e com Ele que teremos a vitória para vida eterna. Amém.

Ana Luiza Pereira

2 comentários:

Carlos disse...

Ler este texto denovo, acalentou meu coração neste dia... Mais uma vez.

Carlos disse...

Ler este texto denovo, acalentou meu coração neste dia... Mais uma vez.

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