A carta do Passado

Querido(a),
               
                Ainda não aprendestes o que quero de ti? Não quero te ferir nem te machucar, pois quem faz isso é o presente. Não se lembre de mim como um passado negro que só tem sofrimento e dor, nem como um passado glorioso com muitas vitórias e risos, pois não o sou nem um como não sou o outro. Sou um meio termo.
                Só quero que se lembre de algumas coisas... Como: você não deve se flagelar por mim, afinal, sou o passado. Quem te flagela é o presente, para que o presente do futuro (seja o futuro daqui a alguns segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos) seja glorioso.
                Sim, te faço lembrar as dores, pois são essas dores que te formaram. Se sabes quem és, é porque se lembra do seu nome e sobrenome, das suas fraquezas e forças e não fui eu que impus ou dei, mas foi o presente naquele instante que hoje sou eu: seu passado.
                E a mais importante de todas: entre eu e seu futuro só existe um piscar de olhos chamado presente. Você decide seu futuro, mas não pode mudar-me nem o seu “quem sou eu” que formei junto contigo com esses milhares de piscares de olhos. Ou seja, não importa o que você faça, estarei sempre com você, pois é esse “quem sou eu” que formamos juntos que determina suas escolhas e ações no presente, mudando, portanto, seu futuro.
                Então, por mais que não queiras, estaremos sempre em contato, embora eu não fale contigo sempre. Você sempre se lembrará de mim, seja eu bom ou ruim, alegre ou triste. Você estará sempre ligada a mim, pois sou aquilo que irá sobrar quando você morrer e, a não ser que você possa de fato ser uma fênix e renascer, não me perderá.

Atenciosamente do seu sempre amigo,

Passado.

Ana Luiza Pereira

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