Relato de dia das mães

Hoje foi um dia das mães incomum. Fui ao velório de um dos meus tios-avô. Ao chegar, vi o corpo num caixão coberto de flores e a bandeira do seu time do coração, Botafogo, estirada sobre o corpo e, ao lado, minha tia na cadeira de rodas, meia fraca, quieta, com um espanto visível por ter que se despedir do seu amor, mas sempre orante, sem derramar nenhuma lágrima. Imagino a dor dela, ao se despedir do marido no dia que deveria ser dela, mãe, cercada de filhos e netos tristes, ela se mantém forte apesar da idade. Ela me lembra muito minha falecida avó, guerreira, adorável e forte. Olho ao redor e vejo meu avô aos prantos de saudade e de medo da morte, de deixar sua família para trás desamparada. Olho mais ainda ao redor e vejo mais parentes da minha extensa família chegando, amigos, todos que amam minha tia Araci e amam e conheceram a elegância do tio Ruy. Sentiremos saudades de ti, tio! 

Ana Luiza Pereira

Paradigma do estudante

Ter ou não ter aula? Eis a questão.
Com greve ou não?

Ana Luiza Pereira

O vaso da vontade

Sempre tive a vontade
de gritar,
de falar,
de dizer
o que já disse e
digo
e não canso
nem de pensar,
por quê? Não há.
Só a vontade que
me consome,
me instiga
e eu vou dizer:
Eu te amo,
hoje
e sempre!

Ana Luiza Pereira

Conjugando "Brasil"


A situação do Brasil é tão triste que merecia um verbo próprio.
Um verbo sinônimo de caos, onde tudo vira pizza, cerveja e futebol.
Enquanto isso não acontece, conjugamos verbo "Brasil" assim:

Eu me enfureço
Tu não fazes nada
Eles nos roubam

Nós protestamos
Vós votais no malandro
Eles riem

Ana Luiza Pereira