Carta à vida


Querida vida,


Responda-me: desperdicei minha vida? Fiz tudo em vão?

Ao tentar pensar numa resposta sensata para essa pergunta, não faço nada além de comparar a vida que passei com a vida das pessoas ao meu redor. Pessoas que sabem como é o mundo lá fora, enquanto eu desperdiçava o meu tempo desvendando os mistérios do meu mundo intrínseco. Hoje, vendo tudo o que passou, pensando em tudo que eu perdi, penso se realmente valeu a pena...

Não há uma resposta concreta senão aquela que carregas, mas não sei por que penso nisso e, pensar nisso, a pergunta me consome e me chateia. Por que perdi tanto tempo assim? Posso culpar meu jeito em várias coisas, até mesmo em meus pais e sua superproteção, porém, a verdade é uma só: a verdadeira culpada sou eu. Fiz minhas escolhas e acabei me enclausurando com elas, hoje, só posso ver o que perdi.

Vida, esta é mais uma de suas armadilhas?

Estou tentando aprender a olhar para frente e seguir o conselho daqueles que amo, mas me obrigas a olhar para trás e me machucar com isso. É difícil mudar depois de todos esses anos sendo a mesma pessoa. Ainda assim, eu tento.

Quero me vendar. Não enxergar mais o que me mostras que perdi, mas as coisas boas que aprendi. Os sorrisos, os amigos, os conselhos e esquecer as lágrimas. Sei que parecerá que sou a mesma pessoa de sempre; aquela que foge dos seus problemas até eles virarem uma gigante bola de neve, mas não. Nesses anos todos Deus tem me mostrado a força que tenho, embora o mundo escracha minhas fraquezas e meus defeitos.

Então, decreto a você, minha amada vida, que se esta for apenas uma crise qualquer, como tantas outras que passei, irei enfrentá-la. Se necessário, irei chorar, irei me indagar (mesmo que eu não obtenha uma resposta ou me conforme com “alguma”) e irei superar como superei tristezas e indagações bem piores.

Atenciosamente,

Da pessoa que sempre soube que a vida não é nada fácil.

Ana Luiza Pereira

0 comentários:

Postar um comentário

Comenta, por favor!