Matem o poeta


Quero morrer!
Sim, desejo a morte.
Mate-me na minha heresia
Antes que eu veja o crime com meus próprios olhos.
Mate-me, pois minha maldição me consome.
As palavras vêm como a angústia diante do precipício.
Mate-me! Mate-me já!
Desejos reencontrar a morte,
Amiga minha - querida e maldita.
Diga-me: onde estais?
Onde está a morte que quero encontrar?
Maldita, negra, fria...
Empregada dos ditadores de meu mundo.
Ó morte, negra e fria amiga vagante, onde estais?
Mate-me! Desejo vagar como alma errante e um corpo frio
Debaixo da terra, deitado e desintegrando-se
A estar de corpo presente, alma e ouvidos abertos vendo o maior crime do meu mundo.
Não... não... não! Não quero mais ver os crimes que matam minh'alma.
Ó morte, leve meu corpo!
Peço... Imploro... Suplico: Leve-me! Mate-me!
Mate-me antes que me interpretem,
Interpretem minha forma, meus gostos, gestos e palavras.
Mate-me, pois já matam o poeta,
Matam minh'alma...
Leve minha vida!

Ana Luiza Pereira

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