Matem o poeta


Quero morrer!
Sim, desejo a morte.
Mate-me na minha heresia
Antes que eu veja o crime com meus próprios olhos.
Mate-me, pois minha maldição me consome.
As palavras vêm como a angústia diante do precipício.
Mate-me! Mate-me já!
Desejos reencontrar a morte,
Amiga minha - querida e maldita.
Diga-me: onde estais?
Onde está a morte que quero encontrar?
Maldita, negra, fria...
Empregada dos ditadores de meu mundo.
Ó morte, negra e fria amiga vagante, onde estais?
Mate-me! Desejo vagar como alma errante e um corpo frio
Debaixo da terra, deitado e desintegrando-se
A estar de corpo presente, alma e ouvidos abertos vendo o maior crime do meu mundo.
Não... não... não! Não quero mais ver os crimes que matam minh'alma.
Ó morte, leve meu corpo!
Peço... Imploro... Suplico: Leve-me! Mate-me!
Mate-me antes que me interpretem,
Interpretem minha forma, meus gostos, gestos e palavras.
Mate-me, pois já matam o poeta,
Matam minh'alma...
Leve minha vida!

Ana Luiza Pereira

Filosofia de hoje


Hoje vejo o céu de outra forma,
mesma cor, só que mais claro,
mais brilhante.
Hoje eu sorrio de outra forma,
mesmo jeito, só que mais feliz,
mais radiante.
Se me perguntarem o porquê,
direi que aprendi a filosofia de me convencer
que nada pode me abater.
"Hoje será o dia mais feliz da minha vida"
disse meu reflexo do espelho para mim após o banho.
E se me perguntarem como estou,
direi que estou bem,
estou zen,
estou leve e com muita vontade de ser feliz!

Ana Luiza Pereira

Uma pedra no meu coração


Havia uma pedra amarga no meu coração,
Uma pedra no meu caminho.
Uma pedra pesada para os meus braços fracos carregar,
Dura para meus pés sensíveis chutar...
Quase uma rocha.
Uma pedra que faziam meus olhos secarem
De ódio e de lágrimas.
Uma pedra.
Uma pedra que me fazia querer gritar,
Mas ninguém poderia saber daquela pedra ali.
Não sabia como contornar a pedra e deixá-la para trás,
Então, sentei-me e escrevi este poema.
Um poema que seque as lágrimas que não posso chorar
E ouça os gritos que não posso dar.
Ninguém pode saber dessa pedra que pesa em meu coração.
Quando eu souber tirar essa pedra do meu caminho,
Poderei seguir em frente sem nada a temer.
Mas, preciso crescer um pouco mais para isso...
Então, sento na pedra e espero o tempo passar olhando para a mesma.
A solução vai vir... 
Tantas pedras no caminho não me abateram,
Por que seria tão especial para me abater?
Tempo, 
Mostre-me a solução para retirar a pedra no caminho do meu coração!

Ana Luiza Pereira

É preciso perdoar como se não houvesse amanhã


Hoje, ao pensar, me veio a vontade de dissertar sobre pecados. Toda vez que erramos, dizemos a célebre frase clichê: "errar é humano", por mais animalesco que o erro possa ser ou vir se apresentar. Bem, a ciência diz que o que nos define diferente dos animais é toda a complexidade química e patológica do ser humano. A psicologia diz que a diferença está na existência de uma consciência. Mas, em todas as ciências advertem a existência do lado animalesco em nós.

Contudo, isso não nos faz menos filhos de Deus. O que nos afasta do caminho de Deus é, sem dúvida, o pecado. O pecado não pode só apenas nos afastar do Pai, como nos fazer com que nos percamos no mundo sem escrúpulos. E, enquanto perdidos, não conseguimos ouvir o irmão que está do nosso lado que nos convida a ir à igreja, não conseguimos ouvir o padre ou a Palavra de Deus na missa. E, podem ter a certeza, todo Santo Domingo a Palavra de Deus irá se encaixar em nossas vidas, como um aviso para que aprendamos algo.

A verdade é que, por mais que os pecados sejam provenientes de algum tipo de desejo ou raiva, nossa maior arma é o perdão. Só perdoando a si mesmo e ao próximo que conseguiremos alcançar o perdão de Deus. Só sabendo perdoar é que conseguiremos ter uma vida santa. E, quando digo "santa", não digo no sentido mais puro da palavra que é "uma vida sem pecados", como Maria, mas uma vida digna que busca não pecar e que, às vezes, acaba conseguindo como foi com Santo Agostinho. Cada encontro com o Pai é um recomeço, porém, esse recomeço não serve de nada sem que perdoemos a todos, inclusive nós mesmos, como o Pai nos perdoa.

Ana Luiza Pereira

Sonho de um dia de verão


Olho pela janela e não vejo nada a não ser o brilho do sol.
Espero ele enquanto colho flores campestres no meu jardim...
A espera se torna árdua, difícil para quem se ama.
Faço uma coroa de flores e finjo ser a princesa que um dia sonhei quando criança.
Sou sua princesa.
Sento na varanda, meu trono real, e espero pacientemente sem notícias aquele que amo.
Meu príncipe não chega a cavalgue.
O sol a pino não desce e os minutos não passam enquanto espero, agora, perdendo minhas esperanças.
Meu príncipe virá?
Minhas mãos segurando meu rosto em frente a mesinha da varanda me faz olhar em volta e pensar na resposta.
Minha esperança diz sim, o tempo que não passa diz...
Bem, ele apenas me engana.
De supetão, entre o brilho do sol no horizonte não tão distante, uma silhueta vem ao meu encontro.
A pé, não a cavalgue.
Suas roupas normais não retiram sua realeza na minha imaginação.
Na verdade, na minha imaginação, estou usando coroa e um vestido de baile, até o horizonte é um enorme salão de festas e as flores e folhas são pessoas felizes e dançantes.
Um sorriso brota na varanda em frente ao jardim.
É ele. Apenas ele.
Não importa o sol escaldante, a coroa que pinica ou as roupas normais.
Agora, estou em seus braços.
Fechos olhos, minha realidade se fundiu com meus sonhos me trazendo a felicidade.
Agora já posso morrer em paz...

Ana Luiza Pereira

Mensagem de 5 meses

Há cinco meses atrás, eu nem imaginaria o quão feliz eu podia ser/estar hoje em dia. É tudo meio surreal, um sonho incrível, no qual, não quero mais acordar. É óbvio que você tem seus defeitos e eu idem (inclusive, às vezes nossos defeitos se demonstram mais gritantes que nossas qualidades), mas, não sei explicar como ou o porquê, convivemos perfeitamente com isso. Diria que nos adaptamos um ao outro, embora a palavra "adaptar" me traz a ideia de um futuro mórbido, monótono e sem graça; coisas que sei que não acontecerão tão cedo ao seu lado. Quem sabe quando envelhecermos bem e estivermos já num asilo quase morrendo isso não aconteça? Até lá, um futuro improvável de ser adivinhado nos espera. E eu não me canso de a cada dia, passar cada segundo do seu lado. Simplesmente te amo, meu presente de Deus. Obrigada por esses cinco maravilhosos meses de namoro!

Ana Luiza Pereira