The night poem

The night makes the dreams.

The dreams happens in the morning.

All opposes day by day.

At the morning, just one question: Today is the day that everything gonna happen?

The dreams never ends, as the night or the morning.

So, everyday is the same stuff, the same questions.

All the stars are witnesses of every step, every dream, as they are this poem.

Ana Luiza Pereira

Opinão

Porque a ciência não foi feita para "destronar" a instituição religiosa, mas ela é um presente de Deus aos seus filhos. Alguns acreditam no que bem entenderem, mas o psicológico humano necessita em algo para se acreditar, não apenas como verdade, mas como filosofia de vida. Não devemos agredir o próximo ao falar de nossas crenças diferentes, mas devemos ter mentes abertas para respeitá-las e, até mesmo, admitir quando a outra tem uma "verdade mais coerente" que a nossa. Bem, penso que é isso que o Papa Francisco tem nos mostrado... Falta aceitarmos seu conselho.

Ana Luiza Pereira

Saudades

Tudo era diferente sem você, principalmente me olhar no espelho. Não conseguia me reconhecer sem você, responder "quem sou eu" se tornava palavras vazias... Para falar a verdade, eu senti muito sua falta; minha franja.

Ana Luiza Pereira

Parabéns duplo

Hoje o "Parabéns" é duplo. Primeiramente, a Lidiane pela sua escolha de seguir o caminho de Deus e me escolher como madrinha (que furada que você foi me meter, hein! Uma responsabilidade tão grande para ainda uma recém-crismada como eu - já que eu ainda nem tenho um ano de Crisma...) para te ajudar nas dificuldades e quedas. E, por último e não menos importante - pelo o contrário, é o mais importante de todos -, parabéns aos meus velhos! São 35 anos casados, com diferenças, dificuldades e lutas, mas com muita fé, vocês persistem para mais um, dez, vinte, cem anos juntos! 35 anos que Deus vos dera e proporcionara o dom de serem pais, tal como, dessa união de amor, me foi concebido o dom de minha vida. Enfim, que Deus derrame bênçãos a cada dia a vocês 3, para que a cada dia o sim que deram perante o altar não pereça, mas vos fortaleça! Amo vocês!

Ana Luiza Pereira

Carta de resposta

Oi pessoa(sim, ainda me sinto no direito de te chamar assim). 


É sempre bom termos notícias de amigos e, embora distantes e tudo mais, ainda te considero assim. O problema da distância não é a saudade, mas a paranóia que ela nos faz sentir por simplesmente existir; sei que você sente isso (todos os dias, como você disse na carta), eu não. Sim, estamos separados, não por uma "decisão minha", mas por uma questão de palavra que dei ao meu namorado e, como você sabe, gosto de cumprir com o que eu digo. 

Quanto sua depressão, não tenho nada a comentar. Na verdade, ultimamente, tenho perdido minha paciência com pessoas depressivas/chorosas e burras, quando as vejo, me dá vontade de meter a porrada e eu saio do meu estado de "paz e amor" normal, então, as evito. Mas fico extremamente feliz ao saber que você está bem, se esforçando na faculdade e mais amadurecido, hoje eu penso que o amadurecimento é o melhor presente que o tempo pode nos dar. 

Quanto a mim, também mudei. Minha saúde é de ferro, exceto em semanas de provas que meu nervosismo me adoecer demais. Tento ao máximo deixar meu CRA 8, estou fazendo uma iniciação científica, estou um pouco mais organizada e estudiosa, e... estou feliz! Não tenho o que reclamar do meu namoro e nem do meu namorado. Afinal, já estamos há 13 meses juntos! (Dá para acreditar?) Meu físico é o mesmo, só deixei minha franja crescer. E, segundo meu namorado, meu jeito moleca deu lugar para um jeito mais adulta, bem, eu sinceramente não sei porque eu não sei me autoavaliar. 

Ah! Não fique com essa culpa de eu ter ido embora. Afinal, não há culpa para se por em alguém, foi uma escolha minha, a qual eu fiz sem olhar para trás e, desculpe se minhas palavras forem duras, me deram muitas felicidades e bem menos preocupações desde então. 

Também sinto saudades suas e, espero que quando eu tiver novamente notícias suas, você já tenha parado com essa viadagem depressiva. 

Beijos.

Ana Luiza Pereira

Agradecimentos

Sempre procurei entender ao certo a essência do amor e da paixão. De fato, os anos só me levaram aos altos e baixos do que é uma longa busca para a resposta dessa complexa pesquisa. A verdade é que meus baixos - os altos também, mas nem tanto como hoje -, me tornaram quem sou.

Não venho aqui fazer uma vasta reflexão das perguntas filosóficas que mais rodeiam a história da espécie humana, quero é fazer um panorama de tudo o que eu aprendi nos meus recentes vinte anos de vida... E, nesses anos, perdi algumas pessoas sem as quais pensei não poder sobreviver sem seus zelos, tal como, ganhei amigos, os quais, espero sempre contar com seus ombros e sorrisos. Porém, venho falar de amor:

Não importam o que digam os sensacionalistas, especialistas, os ateus ou cristãos; amor é sim essencial ao ser humano. É o amor a maior motivação para as maiores loucuras do ser humano. Podemos, às vezes, confundi-lo com a paixão, porém o amor se torna muito mais zeloso e puro, enquanto a paixão... Bem, deixemos a carne falar por si só. Amor contém-se no afago de um caloroso abraço, a paixão ou te torna um monstro ou te torna um grande impulsivo. O bom do amor é que ele dura, ou simplesmente se torna um grande capricho, segundo Oscar Wilde.

Contudo, o pior de um amor é não saber agradecer por tê-lo. Agradecer a Deus? Feito. Mas e agradecer as pessoas? É uma missão quase que impossível... Vejo pessoas, em especial uma, a minha volta querendo ser perfeitas, mas não por si só, mas pelo o outro. Essa é uma das melhores provas de amores que há.

Portanto, venho aqui, com minhas singelas palavras tentando agradecer o carinho, o esforço que fizeram e o amor de todos os que me deram e me darão, mas, principalmente, dessa pessoa. Uma pessoa que me apoia e se tornou tão especial que me tornei dependente de seu amor. E, embora ele não entenda o porquê dos meus sorrisos e meu olhar calmo quanto tudo parece dar errado; quero que saiba que não precisa ser perfeito 100% do seu tempo, me apaixonei pelo humano que és, seus olhares, carinhos e sorrisos que me fazem feliz, não preciso de muito de ti para sorrir e, se planejar por muito tempo e mesmo assim der errado, só preciso estar do seu lado para ficar bem. Tudo o que é simples é o que torna um dia especial mais completo. Por isso, obrigada.

E, por fim, uso de minha licença poética para me apropriar das palavras da diva Anne Rice, modificá-las e dizer, relembrando de todo o último final de semana: 'Caí com carinho, com beijos, para não dispersar este abraço em que estamos vivendo - eu e ele, como uma coisa só. Esta fenda é a nossa casa. Que as gotas da chuva sejam lágrimas de alegria e canção, que sejam antes som e estiagem do que água, pois quero quer tudo aqui, entre nós, seja eternamente amável e purificador, jamais motivo de pertubação.'

Ana Luiza Pereira

Asas de borboleta


Uma borboleta precisa de asas tão
simétricas e belas para voar.
Assim, nosso amor é tão belo e
tal qual simétrico como asas de
borboleta a voar. Inegável é
a liberdade de um amor
bonito como a beleza de
um amor livre. Será assim para
sempre? Amor de borboleta
livre? Posso dizer que sou sim uma
borboleta a voar ao tocar
suas mãos ou envolver-me
em seus braços, e o que tu podes
dizer-me? És feliz comigo em
nossa felicidade-borboleta?
Sentes preso em jaula como em
borboletário? Não, nunca sintas
tu desse modo! Vivas o amor
aos olhos de quem nasce; perfeito.
Vivas cada "eu te amo" vivo,
perene e não pecaminoso,
e se lembre de todos borboletas-
momentos, viva-os em sua alma.
Venha voar no jardim de nossas
asas diferentes, todavia, de
perfeita simetria, capazes de
voar pelo mundo com o poder
do calor de um simples abraço.

Ana Luiza Pereira

Meu amor por você

Meu amor por você

É como o rio.
Nasce, cresce e desagua
no mar dos teus braços

É como o céu.
Há algumas nuvens, mas
também há muitas estrelas para sorrir.

É como as aves.
Livres voando,
amando e cantando.

Meu amor por você
É lindo!
E se torna
a cada dia maior.

Eu amo você!

Ana Luiza Pereira

Carta de um ano

            Quando eu tinha 9 anos, minha formatura da 4ª série foi das princesas dos contos de fadas. Para o infortúnio de algumas garotas, as princesas foram sorteadas e acabou que me vesti de princesa Fiona, filme que, na época, tinha acabado de lançar. Lembro que muitas pessoas, inclusive da minha família, não gostaram da ideia de me vestir de Fiona, a princesa-ogra, ainda mais porque não sou ruiva e usava um cabelo com o corte Chanel, digno da Branca de Neve.
            Aposto que você se pergunta: “Mas que diabos de carta é essa que não vem com nenhum vocativo e ainda começa com uma história nada a ver com o seu passado que não me convém saber?” Respondo: “Fácil, antes não entendia o porquê da sorte me premiar com o vestido verde-bandeira, mas hoje te explicarei as razões.”
            Sou sua Fiona e você é meu Shrek. Posso ser uma princesa cheia dos “não me toques” com outros, mas contigo sou a minha verdadeira face e não sei ser mais outra pessoa além de eu mesma. Brinco com meus pais e algumas amigas que o passado finalmente acertou: pois o futuro me presenteou com um Shrek idêntico fisicamente, mas não psicologicamente. No seu interior, você é, de fato, um cavalheiro e um cavaleiro; ou seja, você é simpático e trata bem os outros e não mede esforços para conseguir o que deseja, por mais que, para isso, você enfrente mil dragões.
            Mudando um pouco o foco desta carta, quero falar também de amor. O meu, o seu e, principalmente, o nosso amor. A primeira instância, evoco aqui uma das minhas músicas favoritas da banda Bullet For My Valentine, embora você não goste muito da versão acústica, é a versão que mais me agrada dessa música. Recolhi as partes que mais me interessa comentar, que são:
The time is here again (interpreto esse “The time” como cada comemoração, principalmente de aniversário de namoro)
Prepare to be apart (antes que você comece com a brincadeira dizendo que quero me separar de você – o que você sempre faz – digo logo que não, não quero me separar, mas tem dias, como hoje (30/8), dia que escrevi isso, que estamos inevitavelmente separados e, por mais que meus pais me perguntem de você, eu continuo ficando maluca de saudades, por mais que me prepare antecipadamente)
And it drives you crazy (acabei comentando acima)
Each time I go away (interprete o “go away” como minha volta para casa todos os dias)
The distance gets longer (como eu disse: eu fico maluca de saudade, isso me faz crer que estamos há milhares de quilômetros separados)
But it makes us stronger

(…)

Forget about the shit that we've been through (eu sei que não sou a namorada perfeita, muito menos, uma pessoa que merece ter alguém incrível como você ao meu lado, mas eu tento. E, por mais que passemos por provações e, até mesmo, algumas discussões capazes de por nosso namoro a um fio do fim – muitas delas provocadas por mim, assumo minha culpa –, eu não vejo minha vida sem ser aquela que já planejei ter do seu lado)
I wanna stay here forever and always
Aproveitando o último verso de Forever and always, iremos agora à segunda instância. Farei agora as palavras de Catulo em um dos seus incontáveis sonetos à Lesbia, seu amor, as minhas:
            “Iocundum, mea uita, mihi proponis amorem
                        Hunc nostrum inter nos perpetuumque fore,
            Dei magni, facite ut uere promittere possit,
                        Atque id sincere dicat et ex animo,
            Vt liceat nobis tota perducere uita
                        Aeternum hoc sanctae foedus amicitiae.”
            Ou traduzido por João Angelo Oliva Neto:
            “Minha vida!, me dizes que este nosso amor
                        será feliz aos dois, será eterno.
            Deuses grandes, fazei que prometa a verdade,
                        que sincera e de coração o diga
            e que nos seja dado, a vida inteira, sempre,
                        este pacto viver de amor sagrado.”
            Não venho aqui falar sobre a promessa ou a sinceridade, ou qualquer outra que seja a palavra-chave deste poema, até porque eu não duvido e nem ponho a prova esses valores, pois já tive a prova concreta que você os tem. Mas venho falar do perpétuo, do para sempre.
            Sempre escrevi sobre o amor perpétuo em meus textos. Mas ponho em prova aqui se eu realmente o senti antes de te conhecer. Claro que meu amor pela minha família, especialmente pela minha falecida avó, não conta nesse caso. Mas, ao escrever tantos poemas sobre amor, expunha mais do que exaustivamente meu desejo do “para sempre” arrebatador. Hoje vejo a tolice que tinha na minha falta de amadurecimento, algo perpétuo não é para nos arrebatar e levar para longe, mas para nos acalmar e nos fazer refletir, aproveitando cada segundo único. Aprendi isso aos poucos, inclusive, o aprendi ao seu lado. Acho que é mais do que claro o meu desejo que seja o nosso amor também perpétuo, principalmente, em cartas anteriores.
            E, para completar meu pensamento, ponho aqui alguns versos da música – de uma ópera que gosto muito – que desejo dançá-la no dia do nosso casamento (se casarmos e se escolhermos uma valsa e não um tango para dançarmos):
            Love is a curious thing
It often comes disguised
Look at love the wrong way
It goes unrecognized

So look with your heart
And not with your eyes
The heart understands
The heart never lies
You need what it feels
And trust what it shows

Look with your heart
The heart always knows
Love is not always beautiful
Not at the start
Meu pensamento inicial é deixar essa música apenas como um encerramento de tão linda que é, mas preciso comentar algumas partes:
O primeiro e segundo versos me fizeram lembrar o nosso início. Você se lembra? Antes eu não falei com você e, se não fosse por Camila, talvez eu nem falasse, então, nem faria também um ano contigo. O terceiro e o quarto versos só completam o nosso início: não queria nada sério, mas acabei me envolvendo demais para não ter – sinceramente, não me arrependo de ter engolido cada palavra.
E como diz na ópera: eu comecei a olhar com meu coração e não com meus olhos, afinal, só meu coração sabe o que quer, não me enganando e não mentindo. Preciso do meu coração, forte e pulsante, apaixonado por você para escrever aqui o que sinto, afinal, ele sempre sabe.
Nosso início não foi belo, eu digo que foi engraçado por causa de nossas brincadeiras, mas não estamos aqui por brincadeiras. Com um sorriso, você me conquistou e com o mesmo sorriso e brilho nos olhos, digo pela primeira vez na minha vida: Feliz um ano de namoro! Obrigada por cada momento especial que tivemos.


Eu simplesmente te amo!

Ana Luiza Pereira

Amore,sublime amore

Farfallina così bella e mia
Trova qua co'l mio amore adesso.
'Sì sublime questo amore
che l'anima lascia il corpo
e abbracciati con la mia
libra nel vento i bacci e l'affetto.
C'è cosa più carina?
Ci sarà nel tempo qualcosa come questo?

Ana Luiza Pereira

Feliz dia dos pais!

Hoje a palavra é para eles, meu pai, meu irmão, meu avô, meu cunhado, meus tios, meus primos e amigos, todos os homens que são pais de sangue, coração ou criação. Não só para eles, mas também todas as mulheres fortes e trabalhadoras que não são apenas mães, mas pais, seja porque o destino quis ou nos dias em que o pai não está também. A todos vocês, feliz dia dos pais! 

Ana Luiza Pereira

Homenagem aos 9 meses de namoro

9 meses de namoro, o que dizer além de muito obrigada? Não sei como você me aguenta: sou ciumenta, lerda, relaxada, chata e, muitas vezes, te tiro do sério com isso. Mas, mesmo irritado, você não deixa de ser amigo e companheiro, não deixa de estar do meu lado, segurar minha mão e ser meu ombro... Eu te amo muito! Obrigada pelos 9 meses juntos! 

Ana Luiza Pereira

Homenagem de dia dos namorados

Primeiro dia dos namorados juntos... Quem diria? Guardei esse trecho de música especialmente para esse dia: "And I want you in my life / And I need you in my life" (You - The Pretty Reckless).
Sim, eu quero você na minha vida, pois eu te amo hoje, amanhã e para sempre! 
Sim, eu preciso de você na minha vida (por mais que você diga não), pois não imagino minha vida sem você desde aquele fatídico dia 06/09/2013.
Sei que sou exagerada e chata, sei que às vezes é insuportável estar do meu lado e me dar carinho, mas você está. E eu não abro mão de nenhum dia sequer não te agradecer por isso, se não és perfeito, você chega bem perto sendo um ótimo namorado.
Eu simplesmente te amo! E feliz dia dos namorados! 

Ana Luiza Pereira

Homenagem de 10 meses de namoro

Mais um mês se passou e agora são 10 meses de namoro. E sabe o que isso significa? Significa que você é o homem que aguentou ficar perto de mim a mais tempo! Mas isso também significa que esses 10 meses, por mais corridos e conturbados, sempre tiveram seu final feliz. As vezes, me pergunto se não é um sonho bom e bonito, ou um conto de fadas. Sei que não tem grama, lama e não caímos de tanto rir, sei que a harmonia já foi, a paz também, só restou o amor e a paixão. Por mais que o amor seja leve e calmo, ele não existiria sem o turbilhão da paixão. Sim, estou apaixonada por você desde aquele dia da casa das tartarugas e, sim, eu te amo e a cada dia, por mais que eu me irrite ou me entristeça com algo, esse sentimento cresce. Na verdade, o que eu quero dizer nesse blablabla todo é: Feliz 10 meses de namoro, amor! Obrigada por tudo o que vivemos juntos nesse tempo!

Ana Luiza Pereira

Crisma

Às vezes eu paro, penso e vejo tudo o que passamos. 
São mais de 1 ano juntos!
Muitas coisas ocorreram e poucos sobreviveram até o fim.
Aos que estão aqui, parabenizo a todos a perseverança e relembro um dos versículos do Evangelho de São Mateus: "...muitos são chamados, mas poucos os escolhidos." (Mt 22, 14)
Fomos escolhidos por Deus para confirmar uma fé, uma fé que nos renova a cada dia.
Somos escolhidos para ser o futuro, não será acabando a festa que tudo irá terminar.
Quem pensa assim, errou muito feio.
A jornada de um verdadeiro cristão começa a partir do fim dessa festa.
O peso aumenta e as responsabilidades também.
Mas, não tenha medo!
Deus está conosco todos os dias de nossas vidas até o fim dos tempos.

Ana Luiza Pereira

O Adeus

Um funeral bonito: cheio de flores e familiares por todo o lado. No centro, um caixão com uma bela moça a descansar em paz. A coberta de flores brancas e a maquiagem leve, embora, ela em vida, não gostasse de se maquiar, tentavam amenizar sua feição de dor profunda. Ninguém sabia ao certo o que acontecera com a pobrezinha.

Ao lado do caixão estava seu namorado, a chorar inconformado por tê-la perdido durante uma viagem de duas semanas. Ele não saía de seu lado um segundo sequer, apesar das lágrimas e do pranto. Ficou a imaginar o que teria acontecido com sua amada, embora não encontrasse resposta.

- Você está bem? - disse a irmã da defunta a se aproximar dele, percebendo tanto choro.

- Ficarei bem. - respondeu limpando as lágrimas - Você sabe o que aconteceu com ela? - perguntou após alguns segundos de silêncio se recompondo.

- Ninguém sabe. Apesar dela ficar facilmente doente, ela não aparentava ter nada! Meu primo médico disse que pode ter sido algum mal súbito imprevisível. - respondeu ela a ele.

- Entendo.

- Relaxa! Seja o que for que tenha acontecido com ela, ela está num lugar melhor e, eu aposto, que ela desejaria que você superasse e fosse feliz. - disse a ex-cunhada pondo a mão em seu ombro como sinal de reconforto.

- Obrigado.

Mas meses se passaram e ele não superou. Sua família, sabendo do ocorrido, se preocupara e tentava ajudá-lo, por mais que ele dispensasse a ajuda. Ele ficara triste e imaginava o que teria acontecido com ela. E, em um desses dias pensativos, ele adormeceu.

Em seus sonhos, lá estava ela a sorrir timidamente como da primeira vez que se conheceram. Mas aquele sonho era diferente: ela estava com as roupas que usou em seu enterro. O fundo era branco e, por mais que ela estivesse iluminada, quase transparente, por não se sabe qual luz, ela caminhava vagarosamente em sua direção.

- Oi amor. - disse ela sorrindo timidamente ao vê-lo - Estava com saudades...

Ele estava de boca aberta e não conseguia proferir uma palavra sequer para respondê-la. Ela é apenas um sonho - pensava ele em sua consciência.

- Sim, sou um sonho. - disse ela lendo seus pensamentos - Mas precisamos conversar.

Ele balançou a cabeça de olhos fechados, como se quisesse recuperar a consciência e acordar daquele sonho, por mais que este não fosse um pesadelo sobre sua misteriosa morte. Mas, assim que ele abriu os olhos, ainda via o fundo branco sob seus pés e ainda estava perplexo demais para conseguir falar algo.

- Por favor, me acompanhe. - disse ela andando.

Ele a acompanhou até um misterioso banco de parque, que lembrava muito os da faculdade dela. Isso trazia muitas lembranças boas para ele, principalmente quando ele descobrira que ela o amava.

- Sente-se. - disse ela se sentando.

Ele se sentou ao seu lado ainda quieto e, quando ele ia falar algo, ela fez um sinal para mantê-lo quieto e poder começar:

- Você precisa superar. - disse ela indo direto ao ponto - Você precisa me superar, superar minha morte.

- Por quê? - perguntou ele já conseguindo falar.

- Porque eu sou passado.

Ele se calou e ficou pensando naquela resposta por alguns minutos.

- Então, me responda: do que você morreu?

Ela suspirou e respondeu:

- Morri de desgosto.

- Como assim?

- Nossa discussão antes de sua viagem me causou uma tristeza profunda. Sei o que fiz contigo e isso me causou desgosto. Estive tão envergonhada que não sabia mais como te encarar ou sequer como falar contigo. Chorava todos os dias de madrugada pelo o que fiz e não encontrava uma resposta para conseguir me redimir. E, quando falava contigo, minha cabeça só me acusava de culpada... - disse ela de cabisbaixo.

- Mas isso não explica sua feição de dor. - comentou ele.

- Eu não tentei me suicidar se é isso que você está pensando. Estava com fortes dores de cabeça e não conseguia dormir direito, há muitas razões científicas para minha morte, mas nenhuma tão eficaz quanto o desgosto que senti ao te magoar. - respondeu ela - Eu sinto muito...

- Eu já te perdoei!

- Sim, embora eu não mereça seu perdão. Mas eu não me perdoei e, por isso, sou uma alma condenada a vagar pelo meu desgosto e culpa. O que fiz contigo não tem perdão, mas, ainda assim, você me deu mais uma chance a mim. Chegou a vez de dar mais uma chance a você e me superar. - disse ela, agora, olhando em seus olhos.

- Nunca quis te perder. - disse ele de cabisbaixo.

- E não vai.

- Você está morta e estamos num sonho.

- Correto. Mas, toda vez que eu digo que você não vai me perder, significa que eu sempre morarei no seu coração, não importa o que aconteça comigo ou com a gente, sempre morarei no seu coração, já que você me deixou entrar. - respondeu ela sorrindo.

Ele sorriu de volta.

- Eu te amo. - ele disse.

Ela abriu mais o sorriso, por mais que se sentisse sem graça com as declarações de amor inesperadas dele.

- Eu também te amo, por mais que eu tenha posto isso em dúvida nos últimos dias. - respondeu ela voltando a ficar de cabisbaixo - Hora de ir. - disse se levantando.

- E o que eu faço agora? - perguntou ele.

- Supere tudo isso e acorde. - disse ela andando.

Nesse mesmo instante, ele acordou com o raiar do sol.

- Vá em paz meu amor. - disse ele se despedindo - Eu te perdoo.

Ana Luiza Pereira

Felicidade

Uma vez eu li algo que dizia assim: "Ninguém é feliz por completo. Ou falta algo, ou falta alguém.". Eu, sinceramente, discordo.

Com certeza, você não consegue ser feliz com algo, pois é mundano, superficial e temporário. Mas quando se tem alguém especial por perto, por mais que falte algo mas não falte amor, a felicidade está lá. Ainda pode ser temporário, mas cada segundo é uma pequena eternidade feliz. Não se pode ter tudo, mas se pode ter o amor e a felicidade acoplados em pequenos infinitos de momentos com pessoas especiais. É nisso que eu acredito fielmente.

Ana Luiza Pereira

Pressinto crise chegar

TIC TAC
Prevejo uma tempestade por aí...
É uma crise num dia qualquer.
TIC TAC
A lembrança não pára de chegar.
Infinitos risos foram substituídos por infindas lágrimas.
TIC TAC
A fogueira apagou na chuva do final do mês de junho.
As bandeirinhas foram pintadas e ficaram negras como a noite.
TIC TAC
Os doces... Que doces?
O pau de cebo não existe mais. Só a lembrança...
TIC TAC
Prevejo uma crise chegando, 
Num dia que era de festejo
E hoje é de luto e apenas lembrança.

Ana Luiza Pereira
Texto baseado na crise que eu tenho todo o dia 23 para o dia 24/06, que seria aniversário da minha falecida avó.

Não tenhais medo! (Carta aos cristãos)

Caríssimos,

Venho, através desta, dizer-vos algo que Cristo nos disse séculos antes: Não tenhais medo! Há por aí muitos cristãos, sacramentados no Espírito Santo; batizados, que comungam ou, até mesmo, crismados, mas não seguem a fé. São muitos de nós que esquentam os bancos dos templos, mas não professam a fé fora das paredes. Do que vós tendes medo? O mundo não é maior do que Aquele que o venceu, se vós acreditais nele e no seu Divino Amor, do que tendes medo?

Se Cristo, em sua humanidade, recebeu muitos não, por que vós temeis a rejeição? Se Cristo, flagelado e humilhado, foi esbofeteado e crucificado, por que vós temeis o martírio? Se suas palavras atingiram muitos e muitos a rejeitaram, por que vós temeis não serem ouvidos? Se para ficar perto do Pai e fazer segundo seu plano, Cristo já fugira dos seus pais quando criança e ficara no templo, por que vós temeis em fazer o que o Pai quer que façais? Se Cristo, no ventre de Maria Santíssima, fora rejeitado entre as pousadas, sendo ele, nato dentro de um estábulo, por que vós temeis ter apenas o necessário? O próprio Cristo manda-nos ter o necessário ao dizer para deixar tudo, carregar nossas cruzes e segui-lo.

Muitos querem ser como São João Evangelista que morrera velho e cuidando de Maria, Mãe Santíssima, mas se esquecem dos outros apóstolos, todos martirizados em nome daquele que nos redimiu. Eles não tiveram medo, e não foi por falta de humanidade neles, mas por excesso em confiança em Deus e no seu Espírito que eles não temeram. “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10, 28a) As palavras de Cristo, sua Igreja, seus ensinamentos e seu amor perduraram até hoje e foi por homens cheios do Espírito Santo que não tiveram medo.

Então, por que temeis, caríssimos? Por que temeis o mundo? Cristo já não o venceu? Quantas vezes mais serão necessárias reviver a Semana Santa para lembrarmo-nos disso? Se é em Cristo que devemos nos espelhar, por que vos recusastes a serem sua imagem e semelhança? Viver como Cristo viveu não é fácil, nem simples, mas se temerdes sempre o mundo, de nada adiantará ter conhecido as Escrituras e de nada adiantarão os sacramentos, pois tendes vergonha da sua fé que professas e se recusas a vivê-la por completo. 

Ouvi muito os antigos dizerem que ser cristão é ser um mártir e, de fato, é verdade. Quem de vós tendes coragem de ser diferente? Irdes contra a maré do mundo que irá nos julgar e nos recriminar? Qual de vós quer ser como Cristo e viver verdadeiramente a fé? Então, não tenhais medo! O medo é um sentimento vão, é ele que tem que impulsionar-vos a seguir em frente, pois não há nada que o Senhor já não conheça e não prepare em vosso caminho. Não tenhais medo, irmãos! Vivai a fé, pois ela te renova na graça do Espírito Santo de Deus e te aproxima do Pai.

Ana Luiza Pereira

Lembranças

Com tantas mortes ao meu redor, me pego como em Hamlet, mas não sendo um governante, mas um cidadão de uma civilização aos pedaços se perguntando sobre a finitude da vida. Não me pergunto o que há no desconhecido do outro lado, aprendi a não busca respostas em vão e, muito menos, a temer o que virá (embora meu corpo essencialmente humano ainda tema). Porém, me pergunto: quem se lembrará de mim?

Família e amigos é uma resposta muito óbvia. Conhecidos irão ao meu enterro, mas duas semanas depois nem se lembrarão do meu nome. E, se lembrarem, quem mais além deles?

Minh'alma, enterrada num túmulo ou incinerada e jogada ao mar para que vire coral, ficaria contente se ouvisse, onde quer que ela esteja, uma história de "Era uma vez...", ou "Nos meus tempos...", ou "Conheci alguém..." e esse personagem fosse eu. Ela se sentiria viva, pois, de fato, ela está. Enquanto alguém, seja eu viva ou morta, contar histórias de mim, minha alma permanecerá eterna e minhas preocupações terrenas vãs.

Não digo isso com uma adaga apontada no meu peito pensando em suicídio e recitando "Ser ou não ser...". Mas penso nisso pela saudade daqueles que foram e eram próximos a mim. Conto histórias deles quando posso e eles vivem em mim. 

Minhas lágrimas não foram o suficiente para me despedir de cada um. Desejo, sim, revê-los, mas não como um espectro armado e amaldiçoado a vagar pelas madrugadas antes do sol raiar e do galo cantar, mas como anjos, dignos da descrição dantesca de Beatriz. 

Todavia, para isso, há duas possibilidades: a morte e a lembrança. Por isso, digo bem-dizeres e mal-dizeres de todos os que se foram, é uma forma de revivê-los, lembrá-los e, principalmente, homenageá-los.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito no dia 25/5/2014.

Tentarei ser o melhor

Assim que começamos
Eu não levava muita fé assim
Mas me apaixonei
E decidi ser meu melhor

Mas sou humana
E relacionamentos não é comigo
Na verdade, você é o meu primeiro
E verdadeiro namorado

Não quero justificar minhas quedas
Nem meus ciúmes
Mas quero dizer que eu tento ser o meu melhor
O melhor para conseguir honrar você
E honrar seu amor por mim
E, por mais que meus esforços não sejam o suficiente,
Continuarei a tentar
Pois é o que você merece:
O meu melhor

Ana Luiza Pereira

A carta do Passado

Querido(a),
               
                Ainda não aprendestes o que quero de ti? Não quero te ferir nem te machucar, pois quem faz isso é o presente. Não se lembre de mim como um passado negro que só tem sofrimento e dor, nem como um passado glorioso com muitas vitórias e risos, pois não o sou nem um como não sou o outro. Sou um meio termo.
                Só quero que se lembre de algumas coisas... Como: você não deve se flagelar por mim, afinal, sou o passado. Quem te flagela é o presente, para que o presente do futuro (seja o futuro daqui a alguns segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos) seja glorioso.
                Sim, te faço lembrar as dores, pois são essas dores que te formaram. Se sabes quem és, é porque se lembra do seu nome e sobrenome, das suas fraquezas e forças e não fui eu que impus ou dei, mas foi o presente naquele instante que hoje sou eu: seu passado.
                E a mais importante de todas: entre eu e seu futuro só existe um piscar de olhos chamado presente. Você decide seu futuro, mas não pode mudar-me nem o seu “quem sou eu” que formei junto contigo com esses milhares de piscares de olhos. Ou seja, não importa o que você faça, estarei sempre com você, pois é esse “quem sou eu” que formamos juntos que determina suas escolhas e ações no presente, mudando, portanto, seu futuro.
                Então, por mais que não queiras, estaremos sempre em contato, embora eu não fale contigo sempre. Você sempre se lembrará de mim, seja eu bom ou ruim, alegre ou triste. Você estará sempre ligada a mim, pois sou aquilo que irá sobrar quando você morrer e, a não ser que você possa de fato ser uma fênix e renascer, não me perderá.

Atenciosamente do seu sempre amigo,

Passado.

Ana Luiza Pereira

Carta ao passado

Querido passado,

O que queres de mim? Quero  deixar-te para trás e viver feliz, mas me chamas e me fazes olhar para trás ao invés de olhar ao redor. Estragas meu futuro ao querer fazer parte dele e não apenas ficar no lugar que é seu por direito: no passado.
Fazes muito mal ao lembrar-me das desgraças feitas, embora estas desgraças me tornaram quem sou. Porém, algumas delas me dói ao lembrar-me, fazendo que uma lágrima invisível percorra meu rosto, enquanto engulo secamente a vontade de chorar, afinal, não irei mais chorar por ti, passado.
Agradeço-te por me tornares quem sou, mas entenda que meu futuro não depende de você, ao contrário, depende de que você vá embora. Fique no passado e não voltes mais. Não me dê dores de cabeças e desavenças por ti.
Já não me humilhaste o suficiente? Já não me degradaste e me definhaste a ponto de querer morrer? Ou queres brincar comigo? Fazer de mim uma marionete inconsciente e tola em suas mãos frias? Pois eu respondo não. Não quero isso.
Meu futuro me chama e me obriga a seguir sem olhar para trás. Meu futuro guarda minha felicidade, mas, para ser feliz, preciso deixar no passado aquilo que já me fez chorar. Então, fique aí! Seguirei em frente para o meu futuro sem medo de ser feliz e te deixarei no seu devido lugar, no passado, para que tanto eu quanto você aprendamos que, em certas coisas, melhor não se mexer e não brincar. Fique que eu irei.

Atenciosamente,

A pessoa que sonha em ser feliz.

Ana Luiza Pereira

Relato de dia das mães

Hoje foi um dia das mães incomum. Fui ao velório de um dos meus tios-avô. Ao chegar, vi o corpo num caixão coberto de flores e a bandeira do seu time do coração, Botafogo, estirada sobre o corpo e, ao lado, minha tia na cadeira de rodas, meia fraca, quieta, com um espanto visível por ter que se despedir do seu amor, mas sempre orante, sem derramar nenhuma lágrima. Imagino a dor dela, ao se despedir do marido no dia que deveria ser dela, mãe, cercada de filhos e netos tristes, ela se mantém forte apesar da idade. Ela me lembra muito minha falecida avó, guerreira, adorável e forte. Olho ao redor e vejo meu avô aos prantos de saudade e de medo da morte, de deixar sua família para trás desamparada. Olho mais ainda ao redor e vejo mais parentes da minha extensa família chegando, amigos, todos que amam minha tia Araci e amam e conheceram a elegância do tio Ruy. Sentiremos saudades de ti, tio! 

Ana Luiza Pereira

Paradigma do estudante

Ter ou não ter aula? Eis a questão.
Com greve ou não?

Ana Luiza Pereira

O vaso da vontade

Sempre tive a vontade
de gritar,
de falar,
de dizer
o que já disse e
digo
e não canso
nem de pensar,
por quê? Não há.
Só a vontade que
me consome,
me instiga
e eu vou dizer:
Eu te amo,
hoje
e sempre!

Ana Luiza Pereira

Conjugando "Brasil"


A situação do Brasil é tão triste que merecia um verbo próprio.
Um verbo sinônimo de caos, onde tudo vira pizza, cerveja e futebol.
Enquanto isso não acontece, conjugamos verbo "Brasil" assim:

Eu me enfureço
Tu não fazes nada
Eles nos roubam

Nós protestamos
Vós votais no malandro
Eles riem

Ana Luiza Pereira

Crise

Dante estava em crise quando escreveu A Comédia.
Eu estive em muitas crises ao escrever muitas coisas.
Agora, não estou em crise ao escrever simbolismos e alegorias,
mas estou cansada.
 Por muitas vezes, escrevi aqui o quanto gritei
e eu sentia que não me ouviam.
Portanto, cansei de gritar e falei.
Meu tom mais baixo ouviram, certos assuntos.
Agora, nem falar funciona...
Cansei.
Dizem que desisti, e dependendo da ótica, sim, é verdade.
Mas tenho meus motivos... Um deles é o cansaço.
Se peço, não me negam, mas não me dão seu sim.
Se grito, sou uma pessoa ruim.
Então, cansei.
E minha crise me deixa mal.
Só escrevo isso para exortar meu cansaço
e engolir minhas lágrimas.
Assim fica mais fácil de encarar as coisas e seguir em frente.

Ana Luiza Pereira

Espelho, espelho meu

Admito evitar olhar para o espelho. Mas quando olho, posso ficar horas ali parada me observando.  Não, não sou narcisista ou algo do gênero, pode ser que algum dia eu fui, mas não me recordo muito bem desses tempos dourados e da brilhantina. Na verdade, a primeira coisa que observo ao olhar aquele reflexo no espelho que eu reconheço ser eu por simplesmente imitar meus movimentos são os que os outros falam ou pensam de mim. Como é meu corpo, minha pele, meu sorriso, meu jeito de andar, jeito de agir, jeito de lidar... Tudo. Após analisar a vericidade desses pensamentos alheios, eu começo achar quem eu sou. Aquilo que eu vejo não são mais meus olhos, boca, rosto...Nem minha genética, árvore genealógica... Nada disso. Vejo minhas cicatrizes, minhas decisões, aquilo que passei e que me formou. Não evito de olhar para o espelho porque vejo o que me tornei, evito olhar para o espelho para não saber o que pensam de mim. É entristecedor ver isso, então tapo meus olhos para não olhar a vericidade no olhar do outro no meu reflexo do espelho, olho apenas minhas decisões. Afinal, sem elas, como seria meu reflexo no espelho hoje?

Ana Luiza Pereira

Balé de bonecos

Numa noite, escura e gélida, a mágica acontece e a vida se torna clara. Vida que é movimento, ânima, até em objetos inanimados.

Primeiro, aquela porcelana empoeirada, que à luz da lua dança e convida os outros a dançarem com ela. Depois, vem as bonecas de plástico dos mais diversos modelos e visões. Sempre sorridentes, encantam a todos e dá vida aos mesmos. Após, as caixas surpresas, os bonecos de ação, bonecos de pano... Não importa do que sejam as vísceras (pano, plástico ou enchimento), viveram, sorriram, brincaram.

No auge de uma lua esbranquiçada, a criança acorda e vê a vida. Encantada, fica no meio da roda a admirar, enquanto os bonecos a convidavam para brincar.

E quando a lua desaparece, tudo volta ao seu devido lugar. A vida continua lá, mas a mágica se esconde, como desaparecesse diante dos olhos da criança. Os movimentos dele se tornariam os dela e ela volta a brincar normalmente, sempre com os mesmos brinquedos. A boneca de porcelana empoeirada, a que convidou todos, ficou de lado, empoeirada na estante e esquecida para sempre.

Ana Luiza Pereira

Desabafo sobre família

Não é porque eu não tomo partido de muitas coisas que vejo que isso significa que elas não me afetam, pelo o contrário, me entristeço com elas e vejo que um simples pedido de um coração carregado de amor de mãe, em seu leito de morte, é a cada dia mais desrespeitado e ignorado.

Posso ter pouco tempo de vida, menor ainda é o tempo da minha fé cristã. Contudo, a cada dia, tenho a convicção que Deus nos presenteia com duas famílias lindas: àquela que escolhemos, na qual está os amigos mais íntimos e os nossos companheiros para vida toda (nossos maridos (esposas), noivos(as) e filhos(as) que escolhemos ter com esse cônjuge), e àquela na qual nascemos.

Por mais imperfeita que seja uma família, seus problemas, suas preocupações, etc., ela é um presente de Deus. Deus te pôs nessa família por alguma razão, seja para que você seja luz para a mesma ou para que você aprenda com ela. Às vezes, estar em família significa perdoar, se "humilhar" e esquecer. Outras vezes, estar em família significa ser ombro e, em seu silêncio ou em suas poucas palavras, ser professor daquele que te procurou para chorar. 

Não importa para qual dos milhões propósitos seja, Deus te quer ali, naquela casa e Ele se entristece a cada vez que ver uma família se desfazer. Se o próprio Deus não valorizasse a família, seu Filho simplesmente desceria dos céus. Mas Ele fez questão que Jesus nascesse no seio de uma família e tivesse um lugar para chamar de lar. Sim, Ele ensinou muito mais a Maria e a José que eles ensinaram a Jesus, mas Jesus esteve em um lar. E, nas dores da cruz, Jesus nem por um segundo esquece da família que teve, entregando sua mãe para que o seu apóstolo João cuidasse. 

Perceba, então, que os valores cristãos vão além de ir à igreja e falar: "Eu creio", mas está em zelar sua casa, a família que você criou e a que te criaste, pois é no seio de um lar que nasce a igreja.

Não venho discutir com ninguém, não ligo se quiserem me deletar ou servirem de escárnio para com essa minha opinião. Mas peço que reflitam. E, quando rezardes, lembre-se de pedir a Deus cura para o seu coração que há muito o tempo já feriu.

Ana Luiza Pereira

Lembre-se

Lembre-se do sol que brilha todas as manhãs mesmo em dias nublados e chuvosos, lembre-se do vento que te beija e te refresca, lembre-se da água que te dá vida, lembre-se do sorriso do lado quem te ama, lembre-se do amor puro, verdadeiro e incondicional de sua família, lembre-se do abraço e de seu colo aconchegante, lembre-se... e se dê conta que nada disso morreu, as pessoas mudam, algumas se vão, mas o essencial, aquilo que te faz sorrir e determina sua felicidade, ficam para sempre. 

Ana Luiza Pereira

Clame o Pai


Quando o mundo te açoitar, deixar seu corpo em carne viva e sangue, clame: Abba, Pai! E, com amor, o Deus do impossível manda seu Filho para retirar suas vestes e te pegar no colo.

Se chorardes, não tem problema. Sua cabeça está no peito de Jesus e, por mais que não ouças as batidas do seu coração, tu estás no coração do Pai que te carregas no colo despido e machucado, como és de verdade no dia a dia.

E Ele te banha, cuida de suas feridas, mas, até cicatrizar por completo, ainda dói, sangra, tu irás gritar e se sentir desamparado. Contudo, Ele permanece do seu lado como seu melhor amigo.

No fim de tuas doras, Ele te transforma em um homem novo para o mundo a sua volta e espera, ao lado de teu leito, até O chamardes novamente. Enquanto isso, Ele, com seu amor infinito, zela-te e guarda-te em seu coração.

Ana Luiza Pereira


Lost my prince


Num dia tão bonito, pela milionésima vez, eu faço burrada:
uma palavra qualquer, impulsionada não sei pelo o quê,
fez que você se afastasse.
E eu, ao longe, observava claramente 
seus olhos com raiva pelo o que disse
com um misto não de tristeza, mas de chateação.
Sua chateação criou uma distância bem mais do que a corporal
e, por mais que estivéssemos preocupados um com o outro,
ela se tornou uma barreira entre nós.
Barreira cuja tristeza me afetou
e, no silêncio da madrugada,
choro minhas mágoas pelas palavras que disse
e que me distanciaram de você.
Pedir desculpas pelo o que disse não trará você de volta,
nem piorar o meu já frágil estado de saúde,
então só me restou isso aqui e agora:
escrever com lágrimas nos olhos 
toda a falta que sinto de rir com você,
de estar com você,
de abraçar você...
E quanto mais passam esses dias dolorosos sem te ver,
quanto mais passam as horas e os minutos sem você,
mais eu crio um medo em mim,
mais eu percebo a triste verdade:
Estou perdendo meu príncipe.

Ana Luiza Pereira

Falando sobre relacionamentos


"Palavras são, na minha humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar." (Dumbledore em Harry Potter e as Relíquias da Morte - J.K. Rowling)

Segundo o dicionário, a palavra relacionamento é definida como: "Ligação afetiva ou sexual entre duas pessoas". Não querendo tirar a verdade dessa definição, mas encaro como bem mais do que isso. Vejo um relacionamento como um filho.

Claro que a abstração dessa comparação precisa de uma explicação e aqui está: ter um relacionamento é como criar um filho. Sim, um filho. Requer paciência, e bem mais do que imaginávamos que seria necessário a princípio. Se você está com pressa demais, não irá aproveitar as coisas boas; momentos puros e simples que o farão feliz. Se você levar tudo como se fosse fácil ou moleza, criará maus costumes, os quais, gerará brigas e muito mal entendido. Se encarar como se tudo for um problema, afinal, por que está aqui?

Ter um relacionamento, assim como criar uma criança, requer também responsabilidade, principalmente de seus atos. Entretanto, tudo tem que ser na medida certa, no tamanho certo. Você tem que aproveitar os momentos juntos, mas ter cuidado para não errar, no caso de um relacionamento, a pessoa poderá se decepcionar e ir embora, no caso de criar um filho, ele irá se decepcionar também, mas não te verá mais como um espelho, como alguém que ele quer ser quando crescer. Mas, em todo caso, seja feliz. 

Posso ter falado um monte de bobagem, já que eu não sou mãe nem especialista em relacionamentos. Contudo, são apenas devaneios de uma pessoa qualquer que supõe o que vem à cabeça. Eu só queria entender o porquê é simples e complicado ter um relacionamento estável sem magoar ou ser magoado com o passar do tempo. Vai ver que, a verdade, esse é o mal do ser humano, magoar com as palavras por mais que não queira.

Ana Luiza Pereira

Poesia e o mundo

Me sacrifico entre as dores dos pensares e pesares...
Na verdade, o mundo me sacrifica.
Sacrificam os sorrisos, abraços, o carinho...
Sacrificam a família.
O mundo já esquartejou todo o romantismo,
inverteu valores, sacrificou as crenças para remontá-las à sua imagem.
O que mais o mundo tem para matar? A nós.
O mundo quer nos matar e esquartejar...
Qual é nossa defesa?
Sem "mas"... Apenas enfrente e em frente!
O futuro que desejas já bates em nossa porta.

Ana Luiza Pereira

Carta à vida


Querida vida,


Responda-me: desperdicei minha vida? Fiz tudo em vão?

Ao tentar pensar numa resposta sensata para essa pergunta, não faço nada além de comparar a vida que passei com a vida das pessoas ao meu redor. Pessoas que sabem como é o mundo lá fora, enquanto eu desperdiçava o meu tempo desvendando os mistérios do meu mundo intrínseco. Hoje, vendo tudo o que passou, pensando em tudo que eu perdi, penso se realmente valeu a pena...

Não há uma resposta concreta senão aquela que carregas, mas não sei por que penso nisso e, pensar nisso, a pergunta me consome e me chateia. Por que perdi tanto tempo assim? Posso culpar meu jeito em várias coisas, até mesmo em meus pais e sua superproteção, porém, a verdade é uma só: a verdadeira culpada sou eu. Fiz minhas escolhas e acabei me enclausurando com elas, hoje, só posso ver o que perdi.

Vida, esta é mais uma de suas armadilhas?

Estou tentando aprender a olhar para frente e seguir o conselho daqueles que amo, mas me obrigas a olhar para trás e me machucar com isso. É difícil mudar depois de todos esses anos sendo a mesma pessoa. Ainda assim, eu tento.

Quero me vendar. Não enxergar mais o que me mostras que perdi, mas as coisas boas que aprendi. Os sorrisos, os amigos, os conselhos e esquecer as lágrimas. Sei que parecerá que sou a mesma pessoa de sempre; aquela que foge dos seus problemas até eles virarem uma gigante bola de neve, mas não. Nesses anos todos Deus tem me mostrado a força que tenho, embora o mundo escracha minhas fraquezas e meus defeitos.

Então, decreto a você, minha amada vida, que se esta for apenas uma crise qualquer, como tantas outras que passei, irei enfrentá-la. Se necessário, irei chorar, irei me indagar (mesmo que eu não obtenha uma resposta ou me conforme com “alguma”) e irei superar como superei tristezas e indagações bem piores.

Atenciosamente,

Da pessoa que sempre soube que a vida não é nada fácil.

Ana Luiza Pereira

Matem o poeta


Quero morrer!
Sim, desejo a morte.
Mate-me na minha heresia
Antes que eu veja o crime com meus próprios olhos.
Mate-me, pois minha maldição me consome.
As palavras vêm como a angústia diante do precipício.
Mate-me! Mate-me já!
Desejos reencontrar a morte,
Amiga minha - querida e maldita.
Diga-me: onde estais?
Onde está a morte que quero encontrar?
Maldita, negra, fria...
Empregada dos ditadores de meu mundo.
Ó morte, negra e fria amiga vagante, onde estais?
Mate-me! Desejo vagar como alma errante e um corpo frio
Debaixo da terra, deitado e desintegrando-se
A estar de corpo presente, alma e ouvidos abertos vendo o maior crime do meu mundo.
Não... não... não! Não quero mais ver os crimes que matam minh'alma.
Ó morte, leve meu corpo!
Peço... Imploro... Suplico: Leve-me! Mate-me!
Mate-me antes que me interpretem,
Interpretem minha forma, meus gostos, gestos e palavras.
Mate-me, pois já matam o poeta,
Matam minh'alma...
Leve minha vida!

Ana Luiza Pereira

Filosofia de hoje


Hoje vejo o céu de outra forma,
mesma cor, só que mais claro,
mais brilhante.
Hoje eu sorrio de outra forma,
mesmo jeito, só que mais feliz,
mais radiante.
Se me perguntarem o porquê,
direi que aprendi a filosofia de me convencer
que nada pode me abater.
"Hoje será o dia mais feliz da minha vida"
disse meu reflexo do espelho para mim após o banho.
E se me perguntarem como estou,
direi que estou bem,
estou zen,
estou leve e com muita vontade de ser feliz!

Ana Luiza Pereira

Uma pedra no meu coração


Havia uma pedra amarga no meu coração,
Uma pedra no meu caminho.
Uma pedra pesada para os meus braços fracos carregar,
Dura para meus pés sensíveis chutar...
Quase uma rocha.
Uma pedra que faziam meus olhos secarem
De ódio e de lágrimas.
Uma pedra.
Uma pedra que me fazia querer gritar,
Mas ninguém poderia saber daquela pedra ali.
Não sabia como contornar a pedra e deixá-la para trás,
Então, sentei-me e escrevi este poema.
Um poema que seque as lágrimas que não posso chorar
E ouça os gritos que não posso dar.
Ninguém pode saber dessa pedra que pesa em meu coração.
Quando eu souber tirar essa pedra do meu caminho,
Poderei seguir em frente sem nada a temer.
Mas, preciso crescer um pouco mais para isso...
Então, sento na pedra e espero o tempo passar olhando para a mesma.
A solução vai vir... 
Tantas pedras no caminho não me abateram,
Por que seria tão especial para me abater?
Tempo, 
Mostre-me a solução para retirar a pedra no caminho do meu coração!

Ana Luiza Pereira

É preciso perdoar como se não houvesse amanhã


Hoje, ao pensar, me veio a vontade de dissertar sobre pecados. Toda vez que erramos, dizemos a célebre frase clichê: "errar é humano", por mais animalesco que o erro possa ser ou vir se apresentar. Bem, a ciência diz que o que nos define diferente dos animais é toda a complexidade química e patológica do ser humano. A psicologia diz que a diferença está na existência de uma consciência. Mas, em todas as ciências advertem a existência do lado animalesco em nós.

Contudo, isso não nos faz menos filhos de Deus. O que nos afasta do caminho de Deus é, sem dúvida, o pecado. O pecado não pode só apenas nos afastar do Pai, como nos fazer com que nos percamos no mundo sem escrúpulos. E, enquanto perdidos, não conseguimos ouvir o irmão que está do nosso lado que nos convida a ir à igreja, não conseguimos ouvir o padre ou a Palavra de Deus na missa. E, podem ter a certeza, todo Santo Domingo a Palavra de Deus irá se encaixar em nossas vidas, como um aviso para que aprendamos algo.

A verdade é que, por mais que os pecados sejam provenientes de algum tipo de desejo ou raiva, nossa maior arma é o perdão. Só perdoando a si mesmo e ao próximo que conseguiremos alcançar o perdão de Deus. Só sabendo perdoar é que conseguiremos ter uma vida santa. E, quando digo "santa", não digo no sentido mais puro da palavra que é "uma vida sem pecados", como Maria, mas uma vida digna que busca não pecar e que, às vezes, acaba conseguindo como foi com Santo Agostinho. Cada encontro com o Pai é um recomeço, porém, esse recomeço não serve de nada sem que perdoemos a todos, inclusive nós mesmos, como o Pai nos perdoa.

Ana Luiza Pereira