Algo no coração


Sinto um leve desespero pela manhã
enquanto o sol tocava minha pele.
O que aconteceu?
Nada me recordo além de batidas,
respirações e súplicas.
Um aperto no coração é o que sinto.
Não há explicações lógicas para isso.
Existe explicação lógica para algo?
Levo minha vida na esperança que o aperto passe
e o dia, destino da fauna e flora das angústias de minha vida,
decida por si só a natureza da reação de meus atos enfadonhos
enquanto minha cara lavada observa o dia, a noite e as estrelas
e todo o prestar inútil do meu ser humano.
Que dia se passou?
Mês? Ano? Hora?
Tempo se esvai com as cinzas do meu dia
trazendo as desprezíveis rugas de preocupação.
Minha cara papada pelo tempo,
beijada por todas as dores do coração que ao sol convém descrever,
me diz, apenas, ao espelho, que sou um objeto.
Objeto de um teatro de um personagem monologuista,
cheio de dores no coração,
sem roteiro a se seguir...

Ana Luiza Pereira

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