Relacionamentos


Chego a conclusão do paradoxo dos relacionamentos. Um bom namoro começa a partir da "Lei da reciprocidade", o qual o que se deseja não é o outro, mas que seja recíproco seu sentimento, fazendo de tudo para que haja a manutenção desse desejo. 

Porém, o melhor relacionamento é aquele que o instiga.  Instigar-se é procurar no outro o ar de mistério. Mistério, este, que faz que o desejo perdure, pois o que se mais quer, a partir desse momento, é desvendar o próximo. 

Chego, então, a monstruosa conclusão que todo relacionamento baseado em amizades se torna enfadonho. O que há para se descobrir se tudo já foi descoberto? Numa amizade, há o excesso de comunicação e informação pessoal, limitando toda e qualquer forma de mistério que possa existir num possível relacionamento tardio. Um bom relacionamento deixa lacunas a desejar que nem o tempo é capaz de preenchê-las. Um relacionamento perfeito não é aquele que não há brigas e discussões, na verdade, não há relacionamento perfeito. Um relacionamento saudável é capaz de ter as mais diversas vivências: brigas, discussões, ciúmes, etc., mas sempre com a capacidade de deixar um gosto de "quero mais", ou melhor, "quero para sempre". 

Superar uma briga por falta de comunicação é mais fácil do que superar uma briga num relacionamento que há comunicação demais. Não há relacionamento de amizade, apenas de companheirismo esdrúxulo acima do que está enfadado pela nossa sociedade. Se relacionar não é seguir um livro de boas maneiras com um caderninho de datas de comemorações chatas, mas um descobrir a cada dia do porquê está ali sendo instigado pelo outro a cada dia. 

Ana Luiza Pereira

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