Minha infelicidade de não ser

Não sou poeta.
Nunca fui e nunca serei.
O poeta de verdade é boêmio,
se entrega verdadeiramente aos amores que sente
sem olhar para as consequências de seus atos.
Infelizmente, não tenho coragem para isso.
É instintivo a fuga de uma coisa 
que já sabemos previamente 
que não dará muito certo
(ao menos antes do fim).
A única pessoa em nossas terras e campos
que viveu e morreu como um verdadeiro poeta que era
foi Vinícius de Morais.
Fora ele, todo o resto, incluindo eu, é apenas um protótipo de poeta.
Um poeta de gabinete
que senta sua bunda numa cadeira e escreve
seja lá qual for a verdadeira razão de suas palavras.
Ou, como pode ser melhor definido;
um poeta intrínseco sendo excluso em vocábulos no papel.
Não sou poeta.
Não crio algo novo, muito menos sinto algo novo.
Apenas recrio, reciclo, modifico, ressinto...
Portanto, poeta é algo que eu nunca serei.

Ana Luiza Pereira

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