A desgraça de Erato

Não ouço mais aedos da Filha do Crônida.
Erato de seus belos lavores calou-se
aos ouvidos dos grandes e célebres rapsodos.
"Donde vem belos cantos seus que silêncio se ouve
agora na sua boca fechada?", perguntas ao poeta desgraçado.
Há mais tristeza nesses tempos em que
Erato aprisionada em apaixonadas redes dos pretendentes da Cípria amante.
Bravo guerreiro este, que desafiara os mais nobres deuses
ao aprisionar o aedo da Filha da Memória para si. Feras e pestes,
dos deuses a raiva pairá sobre o corajoso aqueu sem falta.
Alvitre ouça, querido aqueu, para descansares seus
músculos no leito da deusa Afrodite; sede ardil
entre homens e deuses e conquiste a confiança do Senhor do Olimpo,
Zeus, o senhor dos raios. Porém, não permitas tu que se cale o aedo
na boca do poeta que da Musa espera o canto. Com Erato,
o aedo é mais belo e áureo como o amor mais puro da Pandemônia.
Vá, bravo aqueu, aprisione eros em suas corajosas mãos
e inspire a filha de Mnemosine a cantar os mais belos sussurros
aos rapsodos do mundo sem demora ou hesitação.

Ana Luiza Pereira

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